Balé do Guaíra coloca público em cima do palco para ver espetáculo

No próximo dia 23 de outubro, às 20h, o Balé Teatro Guaíra (BTG) vai convidar seu público para assistir de cima do palco suas duas novas montagens. Na mostra Curta BTG – Guairão do Avesso, o público irá ocupar uma arquibancada montada no próprio palco do Guairão, do lado esquerdo de quem olha da plateia. Com a cortina fechada.
Serão apenas 80 lugares, decididos por ordem de chegada. As entradas gratuitas. Mas a demanda pode motivar sessões extras como ocorreu com a montagem de O lago dos Cisnes, cujo sucesso ampliou a temporada. Em setembro, as duas coreografias que fazem parte da mostra foram apresentadas em duas sessões lotadas.
O Lago dos Cisnes, aliás, será reencenado em três sessões nos dias 7, 8 e 9 de dezembro. Antes, porém, o BTG inverte a lógica das apresentações e chama a plateia para o palco
Para a diretora do balé, Cintia Napoli, a proposta é aproximar o público para torna-lo parte do espetáculo em uma troca imediata.
Para ela, isso muda o tom do espetáculo, que deixa de ser grandioso como o balé geralmente é, para se tornar uma experiencia de linguagem quase individual. "Uma coisa é abrir a cortina e ter 2,2 mil pessoas. Outra, é a troca tête à tête. Um outro tipo de experiência. A ideia desta inversão é trazer o público para o palco com uma possibilidade de outra vivência, no mesmo ambiente doa artistas. E proporcionar para os bailarinos a oportunidade de usar de outra forma o espaço e a linguagem, com uma troca mais intensa com a plateia”, disse.
Serão duas coreografias de dança contemporânea. Ambas criadas em projetos que o BTG promove. Cada uma usa o espaço de forma diferente.
A primeira é Sobre Seus Olhos, com assinatura da coreógrafa Karin Chaves e baseada na cegueira. Ela é fruto do projeto Novos Criadores, que dá espaço para corógrafos estreantes. A coreografia usa toda a estrutura do palco, inclusive espaços que não se avistam normalmente da plateia.
No processo de criação, os bailarinos tiveram contato com pessoas cegas e aprenderam mais sobre sues cotidianos. "Mesclo o real e o lúdico para criar um ambiente que leve o espectador para dentro da cena, para que ele relacione sua experiência de vida com o que vê no palco. O que definitivamente conta, não são as coisas que nos acontecem, mas o impacto que esses fatos nos causam e o valor que damos a eles", disse Karin.
A segunda coreografia é Super Natural, do sul-coreano Kim Jae Duk, criada em 2016 como parte do projeto Diálogos que convida artistas estrangeiros para montarem espetáculos curtos com o corpo do BTG.
Duk é líder do premiado grupo de dança contemporânea Modern Table, famoso por reinterpretar temas tradicionais coreanos com elementos contemporâneos como pan-sori, rock e hip hop. "Neste trabalho, os bailarinos se expoem muito. Qualquer mínimo erro se torna gritante. O nível de concetração ocidental é diferente. Há uma diferença cultural que transforma o público e os artistas", disse Cintia.
Quanto à limitação de público para as sessões – inicialmente 140 espectadores, 70 para cada – a diretora do BTG torce para que a procura do público exija sessões extras. "É a maior recompensa de um artista. Nesse projeto ainda mais, pois isto é uma conquista artistica nossa que foi garimpada com trabalho duro".
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