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Afinal, por que bebemos champagne no Ano Novo?

·4 min de leitura·redação
champagne

Antes de mais nada, todo mundo concorda que champagne (ou espumante) não é a bebida mais popular do Brasil, certo? Seja pelo valor ou por costume, a grande maioria só lembra de beber “champagne” às vésperas do Ano Novo. Portanto, antes que você estoure sua garrafa em grande estilo à meia-noite do dia 31, destacamos algumas curiosidades para deixar seu brinde mais divertido.

Para escrever essa matéria, bebemos (sic) das seguintes fontes: Christie’s World Encyclopedia of Champagne & Sparkling Wine de Tom Stevenson, site food&wine; blog ArtDesCaves (Rafaela Vidigal); Livro Uncorked: The Science of Champagne, de Gérard Liger-Belair – edição revisada; “Quando o champanhe se tornou francês: o vinho e a construção de uma identidade nacional“, por Kolleen M. Guy.

Era uma vez um Rei muito doido

No final do século V, o Rei Clóvis, o primeiro monarca a unir todas os clãs franceses, converteu-se ao catolicismo a pedido de sua esposa Clotilde. O Rei Clóvis foi batizado no dia de Natal em uma igreja em Reims que, por acaso, está localizada adivinhe onde…na região francesa de Champagne. 

O bispo que batizou o rei usou vinho local de Champagne durante a cerimônia, dando ao mesmo um certo significado sagrado, afinal de contas, naquela época os reis eram vistos como uma espécie de linha direta de Deus na terra. .Provavelmente, ainda não foi dessa vez que o vinho efervescente se tornou famoso – e levaria mais de um milênio antes que os profissionais do vinho começassem a produzir vinho espumante intencionalmente.

Como fazer bolhas do jeito certo

Embora o vinho da região de Champagne tenha se tornado “sagrado” graças ao Rei Clóvis, demorou quase mil anos para que as bolhas efervescentes dos vinhos da região se tornassem oficiais. E tudo por conta de um inglês, Christopher Merret.

Peraí, mas o que os ingleses tem a ver com isso? Por volta de 1600, observou-se que um tipo de vinho francês, o Gris, teimava em sofrer uma segunda fermentação quando embarcado p a Inglaterra. E não é que os ingleses adoraram? Tanto que aprimoraram e documentaram a técnica de adição deliberada de açúcar na produção de espumantes: aí entra o nosso amigo médico, cientista e curioso inglês Merret.

Merret: Graças a ele (e aos vinhos franceses que deram errado), surgiu a Cidra – bebida adorada por ingleses até hoje.

De acordo com Tom Stevenson , autor da Christie’s Encyclopedia of Champagne and Sparkling Wine , Merret estava mais de 20 anos à frente do monge beneditino francês Dom Pierre Perignon (sim, aquele Dom Perignon), apresentando pela primeira vez seu artigo sobre refrigerantes à Royal Society em Londres em 1662 .

Don Perignon, o primeiro enólogo de Champagne

Entretanto, um problema comum à época era a explosão das garrafas do vinho “furioso”: os vidros produzidos na época não eram fortes o suficiente para conter a pressão das bolhas.

Porém, a criação de um vidro mais forte na Inglaterra e o seu uso por Perignon tornou possível armazenar a bebida com segurança.

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Imagem: Don Perignon. Alchetron, The Free Social Encyclopedia

O espertinho Luís XV

Em 1728, o Rei Luís XV – famoso bebedor de champanhe – decretou que apenas os vinhos de Champagne poderiam ser enviados em garrafas e estabeleceu que apenas a cidade de Reim teria permissão para engarrafá-lo.

O famoso Chandom

Em 1729, Nicoleas Ruinart fundou a primeira casa de wine sparkling e, em 1743, Claude Möet fundou a Casa Möet & Chandom – que até hoje é a maior casa de champagne.  

Finalmente: Champagne e Ano Novo

Por fim, uma campanha publicitária inteligente ajudaria o Champagne a obter sua reputação de vinho de celebração. Como Kolleen Guy aponta no livro When Champagne Became French , “Anúncios em jornais, especialmente em feriados como o Natal e o Ano Novo, associavam as reuniões familiares ao champanhe”.

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Fonte: meme da Internet

Então, enquanto você abre uma garrafa esta noite, pare um momento e brinde ao rei francês medieval, no cientista britânico, no monge beneditino e nos homens loucos do século 19 que tornaram tudo isso possível. Feliz Ano Novo.

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