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Sem sapatilha de ponta e babados, Balé Guaíra apresenta versão moderna de O Lago dos Cisnes a R$ 10

·4 min de leitura·Sandro Moser
Sem sapatilha de ponta e babados, Balé Guaíra apresenta versão moderna de O Lago dos Cisnes a R$ 10

A dupla de bailarinos que faz o papel dos bobos da corte aparece entre as cortinas do palco do Teatro Guaíra. Na noite da última segunda (25) a plateia estava vazia durante o ensaio geral. Na noite desta quarta–feira (27), será para valer. O teatro estará lotado para a estreia de uma ambiciosa e superproduzida versão de O Lago dos Cisnes do Balé Teatro Guaíra (BTG), uma remontagem contemporânea e compacta da obra musical de Piotr Tchaikovsky (1984-1993).

O diretor Luiz Fernando Bongiovanni conta que pesquisou as lendas medievais que deram origem a história no século 19 para recontá-la de uma forma que faça sentido nos dias de hoje. “É quase um mangá, uma história em quadrinhos”, compara. Não há sapatilhas de ponta, nem babados e flores nos collants dos bailarinos. A estética lembra mais para um filme de Tim Burton do que um show de André Rieu.

>> Bale Teatro Guaíra faz chover em cena em montagem de O Lago dos Cisnes

Para o coreógrafo, a ideia de revisitar um clássico é “sempre atualizar e refazer com cheiro de mofo, fazer de um jeito que ele ainda fale algo com quem está aqui”. Não se trata, porém, de desrespeitar a música e a coreografia e os movimentos da peça, mas sim de algumas escolhas narrativas e estéticas que fazem parte de um projeto de formação e renovação de público proposto pela direção do BTG.

“Fizemos uma opção para que alguns personagens sejam bem fictícios, meio exagerados. Às vezes através do artificial você endereça o real. Nossa alma já está velhaca. Você sabe que é tudo teatro. É com o artificial que você abre a guarda do público”, diz o diretor.   

Bongiovanni optou por fazer uma versão compacta da peça. O balé que normalmente tem 3 horas, foi condensado em uma versão de 1h20. A coreografia que pede mais de 80 bailarinos será feita por 23, muitos em papéis duplos.

Uma porrada atrás da outra
A música será executada pela Orquestra Sinfônica do Paraná com regência do maestro Luis Gustavo Petri. O maestro explica que o balé escrito por Tchaikowski (o primeiro que o russo compôs) é hoje uma das marcas mais poderosas não só da música clássica, mas de toda a arte ocidental. “Ela foi polêmica desde o lançamento. A música foi considerada muita avançada por uns e muito barulhenta por outros. Sempre causou frissom. Tem uma força emotiva muito grande. Com a história condensada o choque emocional ainda é maior. Não tem descanso. É uma porrada atrás da outra”.  

O Lago dos Cisnes é a história do príncipe Siegfried, superprotegido pela mãe rainha que descobre seu grande amor pela princesa Odete, aprisionada na forma de um cisne por um feitiço de um mago. O conflito se dá com gêmea má, Odile, o cisne negro que disputa com a irmã o amor do príncipe.

Menos é mais nos cenários
As ações acontecem na corte da rainha e no lago e neste ponto a direção de arte do paulistano Wiliam Pereira é um dos destaques da montagem. Os cenário são simples e estão a serviço da narrativa na ideia modernista de que “menos é mais”. Como molduras que enquadram as cenas.

No primeiro ato, a corte é uma caixa preta com linhas de luz. No segundo, quando a ação chega ao lago propriamente dito, o palco todo é aberto com efeitos especiais.“Criamos uma ambientação contrastante com a cor trabalhando com claro e escuro. A peça é sobre ambiguidade e o cenário traduz este coisa fechada, claustrofóbica e aberta, o claro e o escuro”, explica Pereira.

Quanto aos figurinos, Pereira optou por tirar os clichês do balé romântico e criou um visual mais “invocado”. “A ideia é deixar o corpo do bailarino falar sem muito artificio. A música e o movimento da dança são mais importantes”.  

Rainha Louca
A bailarina Karin Chaves interpreta a rainha e diz que a reputação deste balé como a peça que mais exige dos dançarinos em cena, é verdadeira. Coube a um dos papeis mais principais da narrativa. “É uma rainha manipuladora e sem escrúpulo. Meio bipolar. Ele pode ser muito fina, mas também muito louca. Muito querida com o filho e maligna ao mesmo tempo. Eu adoro”.  

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