West Side Story tem 97% de aprovação na crítica especializada. Assista.

Em West Side Story, Tony e Maria, dois jovens apaixonados, são impedidos de viver a plenitude desse amor (trágico) por conta de suas origens. Ele, um branco estadunidense; ela, uma latina. Em comum, a disputa territorial por uma área arruinada.
Qualquer semelhança com outro famoso conto, não é mera coincidência. Romeu e Julieta inspirou West Side Story, ou Amor, Sublime Amor – título em português.
Para entender cronologicamente
Primeiro como musical de sucesso na Broadway no final da década de 50. Pouco depois, West Side Story foi adaptado para as telas de cinema em 1961. Do roteiro teatral da Broadway, surge outra adaptação de sucesso, o romance homônimo feito pelas mãos do competente escritor Irving Shulman, autor versátil de obras consagradas como Juventude Transviada (1955), um marco do cinema norte-americano.
1947: do lado errado da história
Jerome Robbins, já famoso e respeitado coreógrafo, propõe a dois amigos (e que amigos… Esse cara sim tinha network) um argumento para um “teatro lírico”. Seus parceiros eram o maestro Leonard Bernstein e o escritor Arthur Laurents.

A princípio, Robbins ambientou a história de um Romeu e Julieta contemporâneos dentro um ambiente familiar: imigrantes judeus contra irlandeses católicos no bairro em que ele mesmo vivia, o East Side Story. Em tempo: Robbins era filho de judeus poloneses.
O trio trabalhou durante cinco anos na trama, porém, na reta final, descobriram que a peça era muito semelhante a outra de mesmo tema. Fim.
1955: mudando de bairros e etnias
Los Angeles. Arthur Laurents e Leonard Bernstein estavam trabalhando em projetos completamente distintos quando se encontraram para tomar um drinque no Hotel Beverly Hills.
Laurents, então, comenta a multiplicação de gangues juvenis, a chegada de imigrantes vindos da América Latina e a velocidade com que este tema estava chegando às telas de cinema, em produções como Sementes de Violência e Juventude Transviada.
Nesse momento, Laurents comenta: Por que não atualizar a ideia de East Side para o lado oeste da cidade de Nova York, justamente para onde vão os recém-chegados latinos?

1957: super time e estreia na Broadway
De 55 a 57, Jerome Robbins, Leonard Bernstein, Arthur Laurents dão as tintas necessárias para que poloneses e irlandeses transformem-se em latinos versus estadunidenses.
Junto ao time de peso, o novato Stephen Sondheim encarrega-se das letras das composições.
Sucesso absoluto na Broadway e na turnê pelos Estados Unidos, era chegado o momento de levar a produção às salas de cinema.
1961: West Side Story funcionaria na tela?
West Side Story vai para os cinemas com a direção de Robert Wise, respeitado diretor, e estrelado por Natalie Wood (Maria) e Richard Beymer (Tony).
Resultado: sucesso estrondoso em crítica e bilheteria. E Oscar, não apenas um, mas dez estatuetas.
Apesar de algumas falhas que hoje não passariam sem uma enxurrada de críticas (como elenco com poucos atores hispânicos), Amor, Sublime Amor revolucionou a forma de trazer um musical à tela grande, com uso de câmeras velozes, ângulos fechados e, sobretudo, mostrou que é possível contar qualquer tipo de história – incluindo crimes, preconceito racial e brigas de gangues utilizando a linguagem musical.
West Side Story 60 anos depois: o que esperar?
Se a primeira versão de West Side Story tornou-se um clássico, o que esperar da nova produção 60 anos após, dirigida pelo veterano Steven Spielberg que, apesar de seu indiscutível talento, nunca produziu um musical em seus 50 anos de carreira?
A melhor resposta foi dada pelo próprio Steven Spielberg: “grandes histórias devem ser contadas repetidamente, em parte para refletir diferentes perspectivas e momentos no tempo do trabalho”.
Spielberg foi respeitoso em apresentar o novo West Side Story, começando pelo elenco de latinos que dá veracidade aos personagens. E falando em latinos, “Rita Moreno” – na primeira versão “Anitta”, levou um dos dez Oscars para casa (melhor atriz coadjuvante 1962).
Aliás, Rita participa do WSS 2021 como Valentina – além de ser uma das produtoras.
Sem legendas, por favor
Ousadamente, Spielberg optou por subtrair legendas em inglês nos diálogos em espanhol. Isso foi muito justo, uma vez que a sensação de “estar boiando” é bastante comum entre latinos no início de sua adaptação americana. Tipo, é bom sentir na pele, né?
Opa! Isso me faz lembrar que você deve ter atenção ao escolher a sua sessão nos cinemas brasileiros (e é claro que você vai garantir seu cineminha + baratex com o Clube), pois há a opção dublada (não, não e não) e original.
Coreografia e controvérsias
Confesso que essa é um assunto controverso para mim, já que não posso deixar de considerar que todo o esforço e argumento para West Side Story partiu do coreógrafo Jerome Robbins, logo, posso parecer saudosista ou engessada, mas quando ouvi dizer que a coreo seria mudada, fiquei meio de cara (entre tantas coisas possíveis de serem alteradas, foram mexer logo com o trabalho do cara que origem a tudo?).
“Nós apenas ampliamos um pouco“
Pois é. Mas essa é apenas a minha visão dos fatos. De acordo com o ator Kevin Csolak (Diesel, integrante dos Shark) em entrevista ao “The Hollywood Reporter“, a mudança foi, na verdade, um incremento. Será?
“Justin Peck (coreografo) fez um belo trabalho ao romper o que Jerome Robbins fez e então trabalhar a partir da essência disso. O movimento, eu acho, será um pouco diferente para as pessoas que viram o show da Broadway ou filme original, mas isso é muito mais íntimo. Você realmente entende o que eu acho que o musical fez e o que o filme original fez. Nós apenas ampliamos um pouco. ”
Fotografia: 10, nota 10
Spielberg nunca foi motivo de preocupação quando o assunto é fotografia. Ainda mais quando o mestre conta com a ajuda de Janusz Kamiński ( Lincoln, Munique, Guerra dos Mundos, Pegue-me se puder, Relatório da Minoria, Salvando o Soldado Ryan, Lista de Schindler). A iluminação é dramática, bons enquadramentos e câmeras que nos fazem voar durante a história (aliás, isso é necessário já que você vai ficar 2h36 na cadeira do cinema).
Trilha
A música de Leonard Bernstein e as letras de Steven Sondheim para West Side Story simplesmente fizeram de West Side Story um clássico. Aí vem outra intervenção, obviamente não uma qualquer: Gustavo Dudamel, regente da Filarmônica de Los Angeles, e David Newman como arranjador.
Bem, se você têm dúvidas, pode ficar um pouco mais relaxado ao saber que Sondheim (co-autor) esteve envolvido no processo da nova versão e disse estar satisfeito ao assistir o filme antes de seu falecimento (Sondheim morreu em 26 de novembro de 2021). Na foto abaixo, temos Sondheim com Spielberg, 2019, já em conversas sobre o filme.

Tomates Frescos
Por último mas não menos importante, no site agregador de críticos profissionais e amadores, Rotten Tomatoes, West Side Story recebeu 97% de aprovação – avaliação feita, neste caso, apenas por críticos profissionais (já que a data de estreia de WSS nos Estados Unidos é dia 10/12). Ou seja, é um belo de um polpudo, vermelho e carnudo tomate fresco.
Enfim e por tudo isso, West Side Story é, pelo menos para mim, o filme do ano e recomendo que você vá assistir. Vale cada dinheirinho investido no seu ingresso – que, a propósito, tem muito + vantagens pelo Clube. Clique e confira.
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