Warung: um dos melhores clubes noturnos do Brasil tem DNA curitibano

A história da música eletrônica no Brasil teve na noite de Curitiba uma de suas portas de entrada. Tudo começou na metade dos anos 1990, quando alguns jovens empresários conheceram a cena eletrônica internacional, principalmente a inglesa que então redefinia os caminhos do segmento, e resolveram investir em clubes com grau alto de profissionalismo.
No princípio, era a Rave montada em 1996 pelos empresários Gustavo Conti e Riad Omairi. A inspiração do clube em Curitiba era a loucura urbana de Londres, quase ao mesmo tempo em que os clubes noturnos de lá tocavam o mesmo tipo de música.
“Saímos na frente. A cultura da música eletrônica estava nascendo no Brasil. Tanto que a marca 'rave' foi patenteada por nós em 1994”, lembra Omairi.
Veja quais eram as loucas baladas de Curitiba nos anos 1990
Para Conti, a inspiração londrina era coerente com o espaço em que o clube estava. “Curitiba é uma cidade que tem menos dias de sol por ano que Londres. Por isso, nós usamos o nome em inglês, o dragão que é símbolo lá com o nosso também. Quando abrimos, eu ainda não tinha ido pra Europa – só fui seis meses depois – e então vi onde tinha me metido, mas já era tarde”, brinca.
A Rave fez a sua história na noite de Curitiba até 2001, quando foi vendida. Parte da equipe iniciou a migração da cena eletrônica para a então selvagem Praia Brava, no município de Itajaí, perto de Balneário Camboriú.
O pequeno paraíso intocado inspirou um clube noturno oposto ao conceito da antiga Rave. A ideia do Warung Beach Club tem inspiração oriental, dos ensolarados mares indonésios. O símbolo ainda é um dragão, mas agora balinês. Como também são a decoração e os móveis exclusivos.
Para Conti, o conceito do clube noturno resume um estilo de vida que ele, seus quatro sócios e o público compartilham.“É a vida de quem gosta de viver perto e aproveitar a natureza, de fazer esporte e também curtir a vida. Tudo o que cabe na nossa vida misturando o mundo do surfe e o da música eletrônica.”

Gustavo Conti e o "warung way of life".
A estrutura atual do Warung tem diversos bares e banheiros e duas pistas de dança, uma ao ar livre e outra principal com capacidade para mais de 2 mil pessoas, camarotes e lounges.
Totalmente voltada à música eletrônica, o club tem a capacidade máxima de 5.500 pessoas por evento. A casa lota muitas vezes por ano, e levando em conta que as entradas mais baratas nunca saem por menos de R$ 100 dá pra imaginar o quão rentável o negócio pode ser.
No ano passado, a casa também criou um selo musical, o Warung Recordings que lança e vende a produção dos djs residentes e dos visitantes. Já forma mais de 30 lançamentos vendidos mundo afora.
Um dos sócios mais presentes – é comum vê-lo ajudando no bar e atrás das picapes – Conti divide a vida do Warung em dois momentos. Os primeiros dez anos foram marcados por uma intensa luta judicial contra as autoridades ambientais catarinenses.
“A casa não teve problema de público. Houve uma espécie de cruzada para demolir o clube. Até provar que a construção não trazia o impacto ambiental negativo, mas sim muitos benefícios, foi uma luta, que acabou bem”, lembra.
Do início da década para cá, o clube vive seu melhor momento. “A casa é amenina dos olhos da região. A gente imaginava que podia ter destaque nacional pela ousadia do projeto”. O desafio agora é internacionalizar ainda mais a marca, já bastante conhecida como “melhor balada do Brasil” ou “templo da música eletrônica, por quem conhece o caminho das pedras”.
Conti afirma que, esta, “pretensão, no bom sentido”, está presente desde o começo do projeto. A presença de artistas de renome internacional como Sasha e Herna Cattaneo ajudou a desenvolver a casa em todos os sentidos como produzir, se comportar e os repertórios.
“Ainda em Curitiba, a gente percebeu que a cena só cresce se você traz os melhores caras do mundo. Você só aprende, acerta e erra com eles por perto. Foi uma semente que a gente começou a plantar e não parou mais”, afirma. Para ele, foi esta ousadia que criou “a cena mais forte, mais estruturada e mais influente do país.”
Segundo o clube, o público que ferve as pistas vem de todas as partes do Brasil, dos vizinhos latinos e, ainda uma pequena parte, de outros continentes.
Para cativar o público brasileiro, Warung faz eventos itinerantes pelo país. “Quando o povo não vem aqui a gente vai até lá e faz um estardalhaço É uma forma de chegar e convidar o cara para vir no Warung no verão”, explica.

Residente da Rave desde 1995 e do Warung desde 2002, o DJ Leozinho é parte da família Warung. Ele compara o lugar onde trabalha o ano inteiro, com destinos equivalentes na Europa. “Santa Catarina está para a música eletrônica brasileira como Ibiza está para a Europa”. “A diferença é que Ibiza é um destino de verão e em Santa Catarina rola o ano inteiro”, compara.
Dj Leozinho em busca do timbre perfeito
Festival Warung Day é um tributo a Curitiba
Uma vez por ano, o Warung pega a BR 376 no sentido inverso e faz um festival em Curitiba “para lembrar das origens”. É o Warung Day Festival e o local é a Pedreira Paulo Leminski. Para Conti, a Pedreira permite ao público uma experiência sonora perfeita. "Rola a mesma união da música e da natureza, essências da nossa marca”. Em 2017, o Warung Day na Pedreira ganhou o prêmio de melhor festival de música eletrônica da Rio Music Conference (RMO).
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Em 2018, o Warung Day será no dia 14 de abril, mais uma vez na Pedreira Paulo Leminski e terá como atração principal a dupla de djs Sasha e John Digweed.
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