Exposições

Últimos dias para conferir Tomie Ohtake na Caixa Cultural

·2 min de leitura·Da Redação
Últimos dias para conferir Tomie Ohtake na Caixa Cultural

A Caixa Cultural, em Curitiba, trouxe a exposição Tomie Ohtake: Cor e Corpo composta por gravuras, cinco pinturas e três esculturas. Mais de quatro mil pessoas já visitaram a mostra, que fica em cartaz até o dia 10 de setembro.

Tomie Ohtake viveu 101 anos e produziu de maneira contínua por mais de seis décadas. A artista japonesa naturalizada brasileira chegou ao país aos 23 anos e iniciou sua carreira quase aos 40 anos. Tomie Ohtake recebeu 28 prêmios, participou de 20 bienais nacionais e internacionais e mais 120 exposições ao redor do mundo.

Embora suas obras sejam associadas ao informalismo por alguns, suas formas destacam-se por remeterem a elementos da natureza e a volumes que se assemelham a movimentos orgânicos. Desde as primeiras décadas, Tomie Ohtake impõe tremores, desvios e abaulamentos às formas geométricas, traçando contornos e silhuetas, evitando a rigidez. Outra característica é o uso das cores. A artista imerge na intensidade de uma paleta cromática profunda, cheia de pretos, brancos e vermelhos saturados, intercalados com azuis, verdes e amarelos densos.

Dentre as 40 gravuras – serigrafias, litografias e gravura em metal – é possível perceber mudanças sucessivas com o passar das décadas de produção de Tomie Ohtake. Há desde as mais antigas, em que o gesto da artista transparece nos contornos irregulares que traduzem os atos de rasgar papeis deixando rebarbas; passando por aquelas que testam a combinação de cores ousadas, como se Tomie utilizasse tudo o que está à mão para reproduzir em série texturas antes possíveis apenas nas pinturas; chegando até aquelas em que há uma delicadeza programada do ato, linhas finas que se cruzam, que se sobrepõem e que se encontram sob uma superfície aquosa.

Nas três esculturas, delicadeza, manualidade e fluidez se destacam. Isso porque a forma como elas se equilibram no solo causam a sensação de estarem suspensas. As estruturas metálicas são frutos de torções, dobras e voltas realizadas previamente pela mão da artista em pequena escala, depois transplantadas da maneira mais fiel possível em dimensão escultural.

As cinco pinturas enfatizam as analogias corpóreas e orgânicas. Feitas com procedimentos, cores e gestualidades diferentes, elas compartilham um apelo sensual ao olhar. Como conjunto, podem remeter a diferentes estágios de fecundação, multiplicação, nascimento e crescimento.

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