Trio Quintina se despede dos palcos neste domingo no Teatro Paiol

Na lista de aprovados do vestibular de agronomia da Universidade Federal em 1995 estavam os nomes de Gabriel Schwartz e Fabiano Silveira. Ambos eram músicos amadores e o segundo já tinha o apelido 'O Tiziu', que mais tarde virou seu nome de guerra na carreira artística.
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Como numa música de Raul Seixas, “numa aula de energia, em frente ao professor” os dois resolveram se unir para fazer alguma música juntos, Gabriel na flauta e Tiziu no violão. “A ideia era montar um duo para tocar em algum barzinho para ganhar um trocado. Não imaginávamos que seria nossa profissão”, conta Gabriel.
Em um dos ensaios na casa dos Schwartz, foi incorporado um terceiro integrante, Gustavo, irmão de Gabriel e exímio guitarrista. “Chamamos ele para tocar, mas é para levar a sério”, deu a bronca o irmão mais velho.
Assim se formou o Trio Quintina, uma das formações musicais de maior sucesso e produtividade em Curitiba. Neste domingo, eles encerram suas atividades por tempo indeterminado com o show chamado “Despedida” no Teatro Paiol, às 18h.
“Tinha que ser no Paiol. A maioria dos shows e temporadas de nosso trabalho autoral foi feita lá. A gente não podia deixar de fazer uma despedida com todas as honras e nossos amigos”, disse Gabriel. O show “Despedida” terá participações especiais de Christian Schwartz, Lais Mann, Luis Rolim e Roseane Santos.
A banda se despede pois Gabriel está de mudança para Montreal, no Canadá, onde vai estudar composição em um mestrado.
O show de domingo marcará o encerramento de um ciclo de 20 anos de atividades ininterruptas da banda, que vai reviver cronologicamente a história de cada fase. O Trio Quintina tem nove trabalhos lançados em formatos CD e DVD em que mostra sua assinatura autoral inconfundível com influências da MPB, choro, samba, rock e música clássica.
“Posso dizer que valeu a pena. Foi um tempo de muito aprendizado, parceira e crescimento musical. É muito bom quando você consegue se aprofundar na arte e na criação como fizemos nestes 20 anos”, avalia Gabriel.
Empório
Não se pode contar a história do Trio Quintina sem falar do Empório São Francisco. A banda tocou pela primeira vez no bar do centro histórico numa noite de quinta-feira de 1998. A casa encheu e então dono do bar, Silvio Benoski, gostou e disse para eles voltaram na próxima semana. A partir dali foram 19 anos tocando praticamente todas as semanas no palco do Empório.
“Acabamos agradando o público e se formou um ciclo. O grupo tinha liberdade para criar a gente se permitia experimentar bastante coisa”.
Foi a perenidade no Empório que profissionalizou e deu visibilidade para a banda. “No começo, a gente tocava por parte da bilheteria, mas depois, quando a casa começou a encher, o cachê ficou significativo e nos dava estabilidade”, disse.
Além de “colocar comida na mesa”, as quintas do Empório se transformaram em vários instrumentos musicais para os três artistas.
A história do batismo da do trio explica como foi forjada a musicalidade do Trio Quintina e por que a formação nunca mudou em duas décadas. “Desde que formamos o trio, decidimos que não íamos aumentar para não complicar”, conta Gabriel.
A instrumentação desde sempre foi flauta, guitarra, violão, percussão e voz. “São cinco elementos e três músicos. Quintina, tecnicamente, na escala musical, faz parte das divisões impares que são mais raras que as pares. A gente inventou o nome em razão disso para dar uma ideia de multiplicidade”.
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