Cinema

Máquinas do bem: Transformers 5 chega aos cinemas

·3 min de leitura·Denise Drechsel
Máquinas do bem: Transformers 5 chega aos cinemas

Imagine que você não viu nenhum filme da franquia Transformers e que, por caminhos do destino, ganhou a chance de encarar, em 3D, numa das melhores salas de cinema de Curitiba, o lançamento de O Último Cavaleiro, quinto filme da franquia de Michael Bay. Para quem sabe se divertir com efeitos especiais exagerados em ritmo acelerado, trata-se de um programão.

A história é simples, com muitas explosões, cabeças cortadas, perseguições e mortes em série. A Terra é ameaçada pela parte “do mal” dos alienígenas Transformers, os Decepticons. Sob a influência de uma feiticeira, eles querem destruir o mundo dos humanos e ressuscitar Cybertron, o seu planeta de origem. Para quem é novato na franquia e só conhece os brinquedos, os Transformers são alienígenas robôs, a maioria deles é cinco vezes mais alta que os humanos e assume formatos diferentes, de máquinas mortíferas a automóveis, misturando engrenagens, gosmas e tecidos parecidos com músculos. Horrorosos. Com inteligência, vontade e sentimentos como os humanos.

Nos 150 minutos do filme (!), o roteiro defende que todos os momentos obscuros ou inexplicáveis da história dos seres humanos contaram com a ajuda dos representantes “do bem” desses extraterrestres robôs, os Autobots, os verdadeiros protetores da humanidade. Eles teriam influenciado os destinos da Terra pelo menos desde a Idade Média, quando foram aliados do rei Artur — lenda, segundo a franquia, criada para esconder uma realidade inacreditável —, passando pela Segunda Guerra Mundial, pela queda de Hitler e chegando aos dias de hoje.

As cenas sem violência, em que os humanos aparecem mais e vão descobrindo aos poucos a trama envolvendo os Transformers, são um respiro bem-vindo e necessário — o que salva o filme de ser cansativo. Anthony Hopkins é o ponto alto do elenco. Na pele de sir Edmund Burton, o último de uma família que guarda há gerações os segredos dos Transformers, Hopkins encarna o perfeito milionário inglês cheio de antiguidades e segredos inenarráveis em seu castelo, protegido por um tanque militar da primeira guerra mundial — em realidade, um Transformer já meio gagá. No auge da batalha para impedir o fim do mundo, o pacato e nobre inglês, bem idoso, surpreende ao atacar Megatron, o líder do mal, com uma arma escondida na bengala. E é amparado pelo excelente mordomo Cogman, um Transformer educado e divertidíssimo, capaz de arrancar risadas da plateia pela cultura e reações, digamos, inoportunas. Nada de spoiler, é preciso conferir.

O herói Cade Yeager (Mark Wahlberg) também tem peso e mérito no papel de inventor fracassado e defensor sentimental dos Autobots contra humanos cansados de conviver com alienígenas e seus problemas. Assim como Vivien Wembley (Laura Haddock), uma professora de história com função fundamental no filme – um aceno para as feministas de plantão. Na sequência de boas representações, a personagem Izabella (Isabela Moner), de 14 anos, filha de uma família destruída após uma guerra entre Transformers, é outra forte personagem feminina de tirar o chapéu.

Os Transformers, além de assumirem a forma de automóveis belíssimos de marcas como Mercedes, Camaro, Lamborghini e Mustang, também demonstram afetos e características próprias da espécie dos Autobots. Amizade, lealdade e coragem desfilam entre suas qualidades que, entre um e outro espirro de sangue, surgem em gestos e palavras.

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