Ingressos esgotados: como foi a noite de estreia do balé "O Lago dos Cisnes"

O Teatro Guaíra (totalmente lotado!) levantou-se para aplaudir por cerca de dez minutos ao final da estreia do balé "O Lago dos Cisnes". Foi a primeira das quatro noites em que o Balé Teatro Guaíra (BTG) encenou a montagem estéticamente inovadora do clássico balé. Todos os ingressos para as próximas três noites do espetáculo, dias 28, 29 e 30 já estão esgotados.
Sob a direção de Luiz Fernando Bongiovanni, o BTG entregou o que prometera: uma ambiciosa e superproduzida versão de O Lago dos Cisnes. Os 23 bailarinos do BTG se entregaram a uma remontagem contemporânea e compacta da obra musical de Piotr Tchaikovsky (1984-1993) que durou cerca de 1h30 , dividido em quatro atos, com um intervalo após os dois primeiros.
Os cenários com efeitos de luz simples e elegantes criados por Wiliam Pereira foram um dos destaques, assim como os figurinos com visual contemporâneo e a coreografia.
Na cena final, um efeito especial faz chover sobre o palco do Teatro Guaíra. A chuva tem um efeito narrativo: a água vai tirando a argila medicinal que cobre o corpo dos bailarinos, para representar o fim da maldição a que seus personagens estavam submetidos. O ponto alto de um espetáculo vigoroso e muito bonito.
Antes da estreia, o diretor Luiz Fernando Bongiovanni contava que pesquisou as lendas medievais que deram origem a história, no século 19, para recontá-la de uma forma que faça sentido nos dias de hoje. “É quase um mangá, uma história em quadrinhos”, compara. Não há sapatilhas de ponta, nem babados e flores nos collants dos bailarinos. A estética lembra mais para um filme de Tim Burton do que um show de André Rieu.
Para o coreógrafo, revisitar um clássico é “sempre atualizar e refazer com cheiro de mofo, fazer de um jeito que ele ainda fale algo com quem está aqui”. “Fizemos uma opção para que alguns personagens sejam bem fictícios, meio exagerados. Às vezes através do artificial você endereça o real. Nossa alma já está velhaca. Você sabe que é tudo teatro. É com o artificial que você abre a guarda do público”, diz o diretor.
A parte musical foi explêndidamente executada pela Orquestra Sinfônica do Paraná, com regência do maestro Luis Gustavo Petri. Para o maestro, o balé escrito por Tchaikowski é hoje uma das marcas mais poderosas não só da música clássica, mas de toda a arte ocidental.
“Ela foi polêmica desde o lançamento. A música foi considerada muita avançada por uns e muito barulhenta por outros. Sempre causou frissom. Tem uma força emotiva muito grande. Com a história condensada o choque emocional ainda é maior. Não tem descanso para a plateia. É uma porrada atrás da outra”.
O Lago dos Cisnes é a história do príncipe Siegfried, superprotegido pela mãe rainha que descobre seu grande amor pela princesa Odete, aprisionada na forma de um cisne por um feitiço de um mago. O conflito se dá com gêmea má, Odile, o cisne negro que disputa com a irmã o amor do príncipe.
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