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Do Xou da Xuxa ao Z Festival: Sr. Banana se reúne após 20 anos

·5 min de leitura·Redação Clube Gazeta
Do Xou da Xuxa ao Z Festival: Sr. Banana se reúne após 20 anos

Em agosto de 1995 a gravadora Virgin fretou um avião para trazer a Curitiba os principais jornalistas e produtores culturais do Brasil. O motivo era o show de lançamento do álbum Sr. Banana, homônimo da banda formada no bairro Jardim Social, em Curitiba, poucos anos antes.

O investimento do selo britânico dá ideia da dimensão que a banda atingiu em uma carreira tão curta quanto bem-sucedida no mercado nacional, até sair de cena em 1998. Vinte anos depois do fim da banda, o Sr. Banana se reuniu. A exemplo do que aconteceu nos anos 1990, resultado veio rápido e surpreendeu os próprios integrantes do sexteto.

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A banda voltou para o estúdio e logo assinou com a Sony Music. O primeiro single, Não Vá, está na lista das músicas pop mais tocadas no sul do país. O clipe entrou na programação do canal fechado Multishow e já tem quase 800 mil visualizações no Youtube.


A banda já acertou alguns shows em São Paulo e está escalada para o Z Festival em que o destaque será a estrela teen Camila Cabello, em outubro, na Pedreira Paulo Leminski.

O percussionista e compositor da banda, Fabiano Neves, reconhece que a volta à cena em um festival em que a maior parte do público não havia nascido quando a banda terminou “é ótimo para renovação do público do Sr. Banana”. Ele narra uma cena familiar para ilustrar o caso: “Minha filha tem 13 anos. Um dia ela veio me mostrar empolgada que teria show da Camilla Cabello. Eu respondi: sim, este é o show em que o pai também vai tocar. Ela não acreditou”, ri.

A formação do retorno do Sr. Banana é a mesma que a banda tinha quando encerrou as atividades. Edu Pizzatto (vocal, guitarra), Gabriel Teixeira (guitarra), Bruno Balainha (baixo), Lucio Balainha (bateria), Fabiano Neves (percussão), apenas com o reforço de Gui Vianna (guitarras e violões).

Álbum nunca lançado
Neves explica que a centelha para reunir a banda foi o show de lançamento do livro “Uma Fina Camada de Gelo”, de Eduardo Mercer, que conta a história da música pop em Curitiba.

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“Eram 20 antes sem tocar junto. Cada um tem seu projeto musical ou outra atividade. Mas nos ensaios fomos melhorando e o show foi muito legal. A ponto de sentirmos que tinha uma coisa acontecendo”, explica.

Por sugestão do vocalista Eduardo Pizzatto, a banda procurou o produtor Mr. Jam, em São Paulo, e apresentou a ele o repertório do nunca lançado segundo álbum da banda que deveria ter saído em 1998.

As gravações das novas versões terminaram na quarta-feira de cinzas. As primeira audições chamaram a atenção da Sony Music e abriu espaço para a volta. “A música está de roupa nova. Nosso produtor é um cara antenado no que funciona atualmente e o trabalho ficou como queríamos”.

Eduardo diz ter sido pego de surpresa com o retorno. “Se há um ano me dissessem que eu seria vocalista do Sr. Banana de novo e que veria meu clipe todo dia na tevê eu ia dizer que era brincadeira”.

Campeões do Rockgol
Há 20 anos, porém, a banda de pop-reggae, com influencias de dancehall, reggaeton e MPB foi uma das sensações do pop brasileiro. Enumerar os êxitos do Sr. Banana pede um parágrafo a parte.

A banda foi a primeira aposta brasileira da Virgin. O contrato com o selo britânico (que na época tinha também as Spice Girls e o Smashing Pumpkins) previa quatro álbuns. O Sr. Banana colocou duas músicas em novela da Globo. Tocou nos principais programas de tevê nacionais (Xou da Xuxa, Luciano Huck). 

A banda viajava com uma equipe de 20 pessoas e tinha a própria empresa que agenciava a carreira de outras bandas. Três clipes da banda, Encontrar, Dignidade e Ritmo da Chuva, tocavam sem parar na programação da emissora da MTV.

Para orgulho da cidade, o Sr. Banana (reforçado pela banda hardchore Resist Control) venceu uma das edições Rockgol MTV – torneio de futebol entre as bandas – com direito a uma goleada de 10 x 0 no time dos Titãs.

Tudo acabou depois da saída do vocalista Sergio Sofiatti em 1997, fato que coincidiu com uma mudança de política da Virgin. Para Pizzato, a volta depois de tudo o que a banda viveu é uma mistura de sentimentos. “A gente olha para o lado e vê os amigos da vida inteira juntos de novo, mas ao mesmo tempo é uma coisa nova. Não é a mesma que fazíamos”.

Balas de banana
Enquanto se preparam para um dos dois ensaios semanais do Sr. Banana no estúdio que é um verdadeiro bunker no Alto da Glória, Neves, que mistura as funções de musico e empresário desde a primeira encarnação da banda, observa que o sucesso da volta pode ter alguma relação com as balas de banana que são o orgulho da indústria gastronômica de Antonina. “No dia do nosso lançamento virtual os funcionários da Sony receberam, cada um, uma caixa das balas de banana. E como era de se esperar, adoraram”, se diverte.

O mesmo expediente tinha sido usado para chamar atenção da mídia nacional e dos executivos das gravadora em meados dos anos 1990. Naquela época funcionou. Caras como o [produtor e jornalista] Miranda ficaram ligando para dizer que tinham curtido a música e queriam mais balas”, ri.

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