Shows

Rita Pavone diz que show em Curitiba não é para agradar os nostálgicos

·5 min de leitura·Andrea Torrente
Rita Pavone diz que show em Curitiba não é para agradar os nostálgicos

Quem espera ouvir “Datemi un Mart­­ello”, “Non ho L’Età”, “Il Ballo del Mattone” ou “La Partita Di Pallone” não ficará decepcionado. Mas Rita Pavone, que volta ao Brasil após 33 anos, já avisa: “Meu show não será uma operação nostalgia. Será um mix de hits do passado com sonoridades daquilo que estou fazendo atualmente”, diz.

Além das canções que lhe deram fama nos anos 1960 e 1970, a artista italiana, que se exibirá em Curitiba (dia 15 de maio no Teatro Positivo), Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, apresentará também seus trabalhos mais recentes. Entre eles o álbum de estúdio duplo Masters lançado em 2013 e que homenageia artistas que ela amou na adolescência, como Fats Domino, Bobby Darin, Tony Bennett, Jerry Lee Lewis e Burt Bacharach. 

GUIA: Como será o show em Curitiba? O que você está preparando para seus fãs?


RITA: Não será uma operação nostalgia porque não amo me prender ao passado. Vivo no presente. Será um mix de hits do passado, as canções que me deram a fama, com sonoridades que mostrem ao público aquilo que estou fazendo atualmente, como já fiz nos meus shows na Itália e em Toronto. Será um show surpreendente. Ainda não chegou a hora de pendurar as chuteiras.

GUIA: Em países como o Brasil, o pop italiano dos anos 1960 foi maior que a beatlemania. Como ela explica este fenômeno? 


RITA: Foi um momento que eu vivi, de delírio. Era como se eu fosse os Beatles. Não sei o que aconteceu, mas foi um movimento musical importante. Há crianças que nasceram nos anos 1970 que levam meu nome, tenho as certidões de nascimento em casa. No Brasil nasceu meu primeiro fã clube, liderei umas gerações. Teve um episódio na pista do aeroporto de Moscou em que encontrei Pelé e Garrincha. Eu estava indo embora após um espetáculo na Rússia e eles chegavam para uma partida: Pelé veio de encontro e pediu para tirar uma foto com ele. Foi um encontro maravilhoso, era um homem de uma beleza… belo, belo, belo…

GUIA: Você esteve muitas vezes no Brasil e conhece o país e a cultura. Qual é seu artista favorito?


RITA: A minha primeira vez no Brasil foi em 1964 quando participei de um programa de tevê e depois me exibi nas principais cidades. Não sabia que minha popularidade fosse tão grande. Entrei nas listas das músicas mais ouvidas no mundo todo, mas nada se compara ao sucesso no Brasil e Argentina.
Amo muito a música brasileira. A minha cantora favorita é Elis Regina. Sempre gostei dela, era capaz de cantar aquelas músicas cheias de angústia e ternura e ao mesmo tempo sabia fazer o suingue, era multifacetada. Também gosto de Rita Lee, [Daniela] Mercury, Milton Nascimento, João Gilberto, Tom Jobim. A música brasileira é muito importante. Pessoalmente conheci Elis, Roberto Carlos, Gilberto Gil.


GUIA: O que pensa da música italiana no mundo. Ainda tem a mesma fama e importância que teve na sua época?


RITA: Há artistas famosos como Laura Pausini e Tiziano Ferro. [Ornella] Vanoni sempre esteve em alta no Brasil. Escuto o que as pessoas falam, não sei opinar. A última vez que eu fui ao Brasil foi em 1985. Depois fiz cinema, teatro, inclusive Shakespeare, e muitas outras coisas.

GUIA: Você ficou muitos anos longe dos holofotes. O que andou fazendo neste período? Por que preferiu ficar fora dos acontecimentos?


RITA: Em 2003 descobri um grave problema de saúde e tive que colocar duas pontes de safena na aorta. Resolvi parar a minha carreira para aproveitar a família e os filhos. Aos 60 anos, fiz um tour de despedida, mas em 2014, Renato Zero, que foi um dos meus dançarinos quando eu cantava “Geghegè” na tevê, me convidou para cantar com ele. Fizemos um dueto magnífico. Cantar é que nem andar de bicicleta e descobri que minha voz ainda era bem reta e tranquila. Ainda canto muito. Voltei com um disco autoproduzido com as músicas que eu amava na adolescência. Recebi críticas tão positivas que nem nos momentos mais altos da minha carreira.  

GUIA: Você foi estrela de musicarellos na década de 1970 trabalhando com gente como Giancarlo Giannini e a diretora Lina Wertmüller. O que lembra deste período dos musicais? 


RITA: Foi um período belo e divertido. Tive a sorte de conhecer Giulietta Masina, Giancarlo Giannini e Terence Hill. Foi uma época importante, mas a minha atividade nunca foi limitada à música, sempre atuei em 360 graus, embora a música tenha sido a parte mais relevante.

GUIA: De filha de operários a estrela mundial. O que você se lembra dos inícios?


RITA: Meu pai era operário da Fiat e minha mãe dona de casa. A gente morava nos alojamentos para operários da Fiat em Turim. Fui a terceira de quatro filhos e sempre tive apoio do meu pai que sempre acreditou em mim. Minha mãe queria que eu casasse e fizesse filhos. Hoje sou casada há 52 anos. Consegui deixar ambos felizes. 


Aos nove anos comecei a cantar e aos 12 eu trabalhava em pequenas companhias de teatro em Turim. Durante muitos anos achei que ia ter uma carreira de corista e não de cantora. Fiquei esperando a grande oportunidade, que chegou quando já não esperava mais.


Após ganhar um festival musical em Ariccia [perto de Roma] em 1962, gravei o primeiro disco, La Partita di Pallone aos 17 anos. Aquilo mudou a minha vida. Foi como a história de Cinderela, mudou da noite para o dia. Eu acredito que a vida seja um livro escrito, coisas devem acontecer e acontecem. Eu sou muito católica e acredito numa entidade superior que nos guia.

>> LEIA TAMBÉM: Ícone italiana, Rita Pavone marca show para maio em Curitiba

>> LEIA TAMBÉM: Único Museu do Holocausto do Brasil fica em Curitiba – e sobram motivos para conhecê-lo!

Curitiba sai mais barata com o Clube

Centenas de parceiros na cidade, do restaurante ao cinema. O desconto é usado direto pelo app.

Assinar o Clube Gazeta
A
Andrea Torrente
O amigo que sempre sabe o lugar bom em Curitiba.
Assine o Clube Gazeta
descontos na cidade inteira
Assinar