Phoenix abre a temporada de shows internacionais em Curitiba

Era para ser apenas uma brincadeira. Em 2015, no início das gravações do álbum "Ti Amo" da banda francesa Phoenix, o guitarrista, cantor e compositor Thomas Mars imprimiu um foto do astronauta Patrick Baudry e a pregou no estúdio.
Baudry é o segundo francês a entrar em órbita, herói nacional da época em que os quatro integrantes da banda eram meninos.
“Era para ser piada, mas acabou fazendo parte da construção do álbum muito visual que fizemos. Representou uma nostalgia dupla: nossa infância e ideia de seguir em frente para conquistar”, explicou Mars.
De fato, o álbum lançado no em 2017, primeiro da banda em quatro anos, soa uma costura visual e romanticamente otimista de canções que serão a base do show que o Phoenix fará, na Ópera de Arame no próximo dia 2 de fevereiro.
Esta turnê já esteve no Brasil. Em novembro, a banda foi atração principal do Popload Festival em São Paulo.
Criada no final dos anos 1990, em Versailles, o Phoenix surgiu como um dos destaques de uma grande safra de artistas gálicos do indie-pop que incluía o Air e o Daft Punk.
Este Ti Amo mostra um insuspeito lado romântico, com composições delicadas e lapidadas verso a verso no inglês peculiar de Mars. Cheio de referências ao pop italiano dos anos 1970; das mais populares discotecas às programações eletrônicas de Giorgio Moroder.
O frontman do Phoenix acha graça em ser acusado de criar uma “língua particular” por alguns críticos ingleses. “Como artista, a tarefa é criar sua própria linguagem. A distância lhe dá perspectiva e uma paleta estética diferente para trabalhar. Ter duas ou mais palavras para descrever a mesma coisa também é revelador”, disse Mars.
O show tem a mesma pegada dançante, ensolarada e romântica do álbum e a banda se apresenta com projeções em clima de “verão italiano em VHS”.
A influência da Itália não é por acaso. Mars é casado com a cineasta Sophia Coppola. Genro, portanto, do hoje vinicultor Francis Ford (o que parece ótimo, mas também significa que Nicolas Cage é seu parente).
Nem tão óbvio foi como a banda construiu o resultado otimista do álbum, em contraste total ao clima de escuridão que rondava a França quando o disco foi concebido.
Catarse invertida
"Ti Amo" foi gravado em uma Paris em estado de choque em 2015. A cidade absorvia milhares de refugiados e via um aumento de movimentos extremistas. Na noite dos ataques terroristas ao Bataclan, em novembro, com mais de cem vítimas, a banda estava em estúdio a poucas quadras.
Segundo o vocalista Thomas Mars, valeu para o resultado do álbum o oposto da máxima do sambista Nélson Sargento que diz que “a música é triste para a gente não seja”. “Sim, eu acho que foi algum tipo de catarse invertida”.
Olhando em retrospectiva, o compositor hoje acredita que o álbum conseguiu sim refletir o momento de seu nascimento. “Não precisa ser óbvio. Para um álbum como Ti Amo a escuridão está subjacente e não escancarada”, disse.
Mars terminou a conversa dizendo que ouviu “grandes coisas sobre Curitiba e seu planejamento urbano que soam como uma espécie de eco daquela fotografia do astronauta na parede. Estamos realmente ansiosos para chegar aí e viver a cidade”.
Menos dinossauros em 2018?
O concerto do Phoenix na Ópera de Arame abre a temporada de grandes shows internacionais em Curitiba e sugere uma novidade em relação ao que aconteceu em 2017. Pelo menos no primeiro trimestre do ano estão programadas três bandas que estão rondando o auge criativo e de popularidade de suas carreiras: além do próprio Phoenix, o Foo Fighters e o Queens Of The Stone Age tocam numa mesma noite, 2 de março, na Pedreira Paulo Leminski.
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