Cinema

Filme da Lava Jato é thriller de suspense que expõe o lado da PF na luta do “bem contra o mal”

·3 min de leitura·Sandro Moser, repórter do Guia Gazeta do Povo
Filme da Lava Jato é thriller de suspense que expõe o lado da PF na luta do “bem contra o mal”

O Guia Gazeta do Povo assistiu, em pré-lançamento, ao filme Polícia Federal – A Lei é Para Todos, que estreia no dia 7 de setembro em cinemas de todo o Brasil. Contamos abaixo o que esperar e o que você precisa saber antes de ver.

Antes da ação inicial do filme, surge na tela uma advertência dizendo que os fatos ali retratados aconteceram entre 1500 e março de 2016. Depois uma pequena animação mostra a história da corrupção no país, de Pero Vaz de Caminha à Joesley Batista.

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A introdução serve para preparar o terreno contra a acusação que paira sobre o filme desde que sua produção foi anunciada: de que seria uma produção tendenciosa contra o antigo governo do PT; acusação que ainda pesa, vinda de alguns setores, contra a própria Operação Lava jato.

Se em alguns momentos, o filme se esforça para mostrar postura isenta e apartidária bem clara, por outra, deliberadamente, o roteiro escolheu contar a história presente na opinião pública nacional há quatro anos, a partir do ponto de vista dos agentes da Polícia Federal. Alguns personagens reais e fictícios convivem entre si numa ação que também mistura real e ficção e que, portanto, não serve como “documentário ou como versão final da narrativa real”, como alerta o diretor.

“O que atrai num projeto como esse é colocar na tela para a discussão o tema. A gente não faz qualquer tipo de análise, e por isso não se exige distanciamento histórico assim como os jornais e os livros que relatam o fato não precisam”.

O filme é um thriller policial de ação e suspense, narrado pelo personagem Ivan Romano, o delegado-chefe da força tarefa da Lava Jato em Curitiba, inspirado no delegado Igor Romário. Como todos os demais personagens, é uma mistura entre características reais e inventadas de agentes da PF.

Assim, prevalece a versão da PF para episódios-chave da trama como o áudio vazado da conversa entre Lula e a ex-presidente Dilma, em que se surge o personagem Bessias. Na entrevista coletiva sobre o filme feita em Curitiba, o diretor disse que tinha medo que os personagens tão notórios ficassem caricaturais. No caso dos delegados a caracterização funciona bem.

Ainda que sejam a encarnação do bem na história, os agentes da PF são humanos com medos e dúvidas sobre o trabalho e suas implicações históricas. No caso do juiz federal Sergio Moro e do ex-presidente Lula, nem tanto.

Moro no filme é taciturno, quase zen, aparece trabalhando nos processos da operação enquanto leciona, toma café e até na cama (e veste preto até para dormir). Lula é desbocado, carrancudo, mal barbeado e emocionalmente instável.

A questão da polarização gerada a partir do culto a estes dois personagens – e que chegou a fazer atores não aceitarem os convites para o filme – não preocupou a produção segundo o ator Antônio Calloni. “Não dá pra controlar o que eu as pessoas vão achar. Nossa ideia é deixar o debate vivo na esperança que ele seja feito de forma madura e sem extremismos pelo público”.

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Sandro Moser, repórter do Guia Gazeta do Povo
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