Renato e Seus Blue Caps trazem jovem guarda de volta a Curitiba

“A gente gosta mesmo é de fazer show, esse negócio de gravar disco não é mais comigo”, diverte-se Renato Barros, o líder e vocalista do Renato e Seus Blue Caps – que se apresenta por aqui neste domingo, 25, no Teatro Guaíra. E depois de mais de 20 discos, a banda carioca, que é uma das mais antigas do mundo em atividade hoje, realmente parece se divertir muito enquanto está no palco.
Os sucessos que marcaram época, como Menina Linda e Feche os Olhos, ambas versões de canções famosas dos Beatles (I Should Have Known Better e All My Loving, respectivamente) e lançadas na década de 1960, não podem faltar. “Esse show foi montado com muita coerência, cerca de 90% das músicas que apresentamos são nossas, e as outras são canções que a gente acha que combinam bem com as demais – em Curitiba, pretendemos fazer uma homenagem a Tom Jobim e Vinícius”, explica Renato.
Além disso, tocam também músicas do Renato que acabaram sendo gravadas por outros artistas. Entre elas estão Devolva-me (gravada originalmente nos anos 60 e depois regravada por Adriana Calcanhoto em 2000), e Você Não Serve Pra Mim, que ficou famosa na voz de Roberto Carlos. “Nós escolhemos não tocar músicas consideradas mais modernas e não é porque não saibamos – é porque não é quem somos”, diz.
A Banda: Renato e Seus Blue Caps
Com nome inspirado em Gene Vincent and His Blue Caps, a banda se formou em 1959, dentro da família Barros. Faziam parte dela Renato, seus dois irmãos: Paulo César e Edson (Ed Wilson), além de Euclides de Paula e Ivan Botticcelli. Desde então, foram 14 formações diferentes – até Erasmo Carlos chegou a fazer parte do grupo entre 1962 e 1965. Paulo César, entre idas e vindas, deixou o grupo em 1989. Ed Wilson, considerado um dos maiores nomes da música brasileira, faleceu em 2010 (era dele, por exemplo, a famosa Chuva de Prata). Atualmente, quem acompanha Renato são os músicos Darci Velasco, Amadeu Signorelli, Gelsinho Moraes e Cid Chaves.
“Olha, costumo dizer que tenho mais histórias para contar do que músicas – mesmo com todas as mudanças, tentamos sempre absorver algo de positivo. Somos da jovem guarda e nossas músicas são as mesmas, mas ao mesmo tempo são diferentes: estamos sempre nos atualizando, aprendendo, mudando os arranjos”, diz o músico, com a tranquilidade de quem viveu quase 60 anos de rock’n roll.
Púbico
“Acho que uns 60% das pessoas que vão aos nossos shows são pessoas que conhecem bem a nossa carreira e nossas músicas”, explica o vocalista. O restante, ele estima, são jovens que vão com os pais, por já terem ouvido muito as canções em casa, ou entusiastas da jovem guarda. “E isso me deixa muito feliz, pois garante a longevidade da nossa carreira”, finaliza ele.
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