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Psycho Carnival chega à 19ª edição e inclui Curitiba no roteiro do psychobilly mundial

·4 min de leitura·Alessandro Andreola
Psycho Carnival chega à 19ª edição e inclui Curitiba no roteiro do psychobilly mundial

Jaquetas de couro, topetes que desafiam a lei da gravidade e carrões com rabo de peixe são apenas alguns dos elementos do universo visual do rockabilly, uma vertente do rock and roll que, ainda nos anos 1950, assimilou sons da country music. Cerca de duas décadas mais tarde, com a chegada do punk rock, o estilo aprendeu a se comportar de maneira mais veloz e mais barulhenta, ao mesmo tempo em que foi acrescido de elementos de horror e ficção científica, tais como zumbis, vampiros, alienígenas e toda sorte de caveiras e monstruosidades que se possa imaginar. Nascia aí o psychobilly.

“É como se Elvis Presley encontrasse Sid Vicious”, explica Vlad Urban, guitarrista da banda Os Catalépticos e um decano da cena. Desde os anos 1990, Curitiba se estabeleceu como um celeiro desse tipo de som e hoje é uma das cidades mais representativas do planeta quando o assunto é psychobilly. “É difícil de descrever, mas Curitiba tem essa cara meio soturna, que talvez combine com o psychobilly”, arrisca o músico.

Vlad também é um dos fundadores do Psycho Carnival, que chega à sua 19ª edição já consolidado como um dos eventos mais importantes do circuito mundial de festivais dedicados ao estilo. “O psychobilly é uma cena pequena, tanto em Curitiba como em outras cidades, mas que existe em várias partes do mundo”, afirma.

O Psycho Carnival, segundo Vlad, nasceu inspirado por eventos semelhantes na Europa, que se estendiam por dois ou três dias. “A gente aproveitou essa facilidade do carnaval possibilitar alguns dias de folga para que as pessoas pudessem viajar pra cá.”

E elas vieram, em peso, e de várias partes do mundo. Uma das marcas do Psycho Carnival é de sempre trazer bandas internacionais em sua escalação. Vlad conta que, em 2007, a banda nipônica Robin chegou a pagar a própria passagem do Japão até Curitiba, tamanha a vontade de tocar no festival.

Referência

“Nós tivemos bandas como Krápulas e Ovos Presley, programas de rádio, festivais… coisas que surgiram como um farol que mostrava que havia algo por aqui. O Psycho Carnival está acontecendo todo ano e é esse tipo de coisa que faz Curitiba ser referência”, afirma Vlad. Além disso, segundo o músico, o festival vem tendo um papel na construção de cenas locais pela América Latina, por causa das bandas que passam pelo evento. “Hoje você tem uma cena de psychobilly começando a aparecer na Colômbia, outra na Argentina. O Paraguai tem uma banda excelente chamada Luisonz, e os caras também estão conseguindo levantar uma cena lá.”

Na edição deste ano, se apresentam 24 bandas, sendo oito atrações internacionais — originalmente seriam dez, mas a produção sofreu duas baixas: os holandeses do Batmobile e os ingleses do Frantic Flintstones, cujas participações tiveram de ser canceladas por falta de recursos. Dentre as novidades para o público curitibano, está o trio colombiano Salidos De La Cripta, em sua primeira viagem ao Brasil. “Temos certeza que estamos na capital do rock and roll na América do Sul”, diz o baixista Jeisson Ramirez. Segundo ele, a banda faz “um som underground, de vida após a morte”. Essa ideia é reforçada pela capa do mais recente álbum lançado pelo grupo, Enemigos de La Humanidad, cuja ilustração mostra uma lápide em que se lê “Zergio Cervezas”. Trata-se de uma homenagem ao baterista Sergio Urrutia, um dos fundadores da banda, que morreu em 2015 vitimado por um câncer.

O mesmo aspecto fúnebre rodeia o 13Bats, da Espanha. De acordo com o guitarrista Albert Booz, o nome da banda também tem relação com um amigo falecido. “O número 13 é por causa de um amigo nosso, que morreu em um dia 13 e que está enterrado em um panteão de número 13.” Já os morcegos, segundo ele, foram escolhidos porque o grupo é “muito noturno” — a resposta, recebida por e-mail, veio entre aspas, o que talvez denote uma certa ironia.

Este gosto por temas sombrios, misturado com uma boa dose de senso de humor, é uma das coisas que dá forma à cultura psychobilly e pode ser encontrada em outra tradição do Carnaval em Curitiba: a Zombie Walk, que no ano passado reuniu 20 mil “mortos-vivos” em marcha pela cidade.

Catalépticos

Um marco importante dessa edição do Psycho Carnival é a volta dos Catalépticos ao palco do festival. Após 11 anos parados, em 2017 a banda se reuniu para quatro shows — três deles na Califórnia e um em Curitiba. A reunião foi motivada por pedidos de fãs, alguns dos quais nunca tiveram a oportunidade de ver a banda ao vivo. No entanto, o único compromisso dos Catalépticos, até o momento, é o show no Psycho Carnival (eles tocam no domingo, dia 11 de fevereiro, terceiro dia do festival). Depois, o futuro é incerto.

“Ainda não sabemos o que vamos fazer. Existe uma demanda por um álbum, por mais shows, temos convite da Europa, dos Estados Unidos”, diz Vlad. “Estamos vendo o que pode acontecer, de repente fazer alguns eventos pontuais. Os Catalépticos têm uma coisa especial, e temos que tomar cuidado para não banalizar. Então vamos aos poucos.”

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