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Sem convites para vir a Curitiba, Arrigo Barnabé leva turnê Clara Crocodilo para o Psicodália

·3 min de leitura·Sandro Moser
Sem convites para vir a Curitiba, Arrigo Barnabé leva turnê Clara Crocodilo para o Psicodália

Clara Crocodilo vai fechar o Psicodália 2018 na terça-feira de Carnaval, dia 14 de fevereiro. Para quem não está ligando o nome à pessoa, Clara Crocodilo é o nome do álbum revolucionário lançado por Arrigo Barnabé e pela banda Sabor de Veneno, em 1980, que foi o marco inicial do movimento Vanguarda Paulista.

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Cheio de experimentações de linguagem, Clara Crocodilo foi a mais radical mudança por qual a música brasileira passou nas últimas quatro décadas, um disco sofisticado e, ao mesmo tempo, com um pegada de pop rock que o tornou cult para aquela e para outras gerações.  

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Tudo criado na cabeça e no piano do músico paranaense Arrigo Barnabé, o artista londrinense de 66 anos que vai fechar a última noite da edição do Psicodália com a releitura que fez da obra.

De passagem por Curitiba, na última quarta-feira (3), depois de uma semana de folga em uma pousada em São Luiz do Purunã, Arrigo falou sobre a expectativa de mostrar a interpretação de sua obra-prima em um festival como o Psicodália.

“Acho que a obra Clara Crocodilo é muito adequada para um festival com estes espírito. É muito catártico, com uma pegada de rock”, acredita Arrigo. Ele conta que recriou os arranjos da peça quase completamente em 2013, a pedido de um festival de música de vanguarda chileno. Arrigo chamou o grupo de músicas que o acompanhavam-na aquele ano (que Arrigo chama de “as meninas”) e recriou a CC.

“Elas toparam e ficou muito legal. Só então eu descobri que nenhuma delas tinha nascido quando o disco foi lançado. E imagino que boa parte do público que verá o show também não”.

Ainda que a música de dodecafonismos e atonalidades e seja considerada sofisticada, Arrigo se envaidece com a recepção que o público muito jovem tem da obra. “Fizemos um show no Circo Voador, no Rio de Janeiro, e vi moleques de 17 anos cantando o show inteiro. Depois vieram falar comigo com os olhos brilhando”. 

Clara, sem gêneros

Capa do álbum Clara Crocodilo, lançado em 1980.

Para o compositor, a longevidade de seu trabalho mais ambicioso se explica pela ruptura radical que ele propôs. “Clara [Crocodilo] foi o início de um movimento sem precedentes. Ninguém tinha chegado nesta onda de explorar a dissonância e de fazer música totalmente desvinculada dos gêneros”, explica Arrigo.

Lançado um pouco antes da explosão do rock nacional e no auge da era das gravadoras multinacionais que formatavam a MPB em estantes segmentadas, Clara Crocodilo e sua ambiguidade, estranheza e bom humor forma um marco inovador. “Nó não imaginávamos que fosse acontecer tudo isso. A gente só estava fazendo o que a gente achava que era o próximo passo”.

Arrigo Barnabé viajou com esta nova versão do show por várias capitais brasileiras, mas não recebeu convites para trazer o espetáculo a Curitiba. A última noite do Psicodália será a chance de ver Clara Crocodilo de perto. 

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