Cuidado com o café proibidão

Funk e café proibidão, o que tem em comum?
Calma, uma coisa de cada vez. Primeiramente, o funk proibidão: surgido na década de 90 nas comunidades cariocas, o funk era chamado proibidão porque suas letras falavam sobre adversidades sociais e violência. Contudo, algum tempo depois as letras abordavam temas relacionados a sexo, quando a expressão “proibidão” passou a ter o significado mais difundido.
E o café proibidão? O que tem a ver com isso?
O café, ao chegar na Europa, tanto quanto o funk proibidão, também era mal visto. E ambos por razões ligadas ao sexo. Entretanto, no caso da bebida, bastava ser do sexo feminino para que as duas coisas não se misturassem. Não se sabe ao certo o motivo pelo qual o café era contraindicado às mulheres – e poderia ser apenas pelo preço >(
Como assim? Só fazia mal às mulheres?
Pois é, pelo menos era o que eles pensavam. Tanto que, entre 1732 e 1735, o famoso compositor Johann Sebastian Bach compôs uma divertida cantata em homenagem a essa história.
A Cantata do Café (Kaffeekantate) é uma obra cômica apresentada entre na Kaffeehaus (casa de café) de Zimmermann, em Leipzig, considerada uma das primeiras cafeterias da Alemanha.
Na miniópera, um pai exasperado, o senhor Schlendrian, tenta convencer a todo custo sua filha, Liesgen, a parar com o costume de tomar café. Para dissuadi-la do hábito, o pai propôs-lhe encontrar um marido. Lieschen aceita a ideia com entusiasmo, mas seus planos logo são revelados: o contrato matrimonial prevê que ela possa tomar café sempre que lhe apetecer.
A obra reflete, de forma muito bem-humorada, a polêmica que o café causava então na Alemanha, onde havia sido introduzido havia algumas décadas, mas ainda era visto com desconfiança por parte da população. Outras pessoas, porém, adoravam a bebida.
Por fim a cantata estimulava o consumo do produto e também fazia uma crítica ao movimento que desestimulava seu consumo entre as mulheres. Na época, dizia-se que o “negro veneno” (como era conhecido o café) estaria ligado a casos de descontrole emocional e esterilidade, mas Bach, em troca do pagamento de Zimmermann, ignorou estes terríveis perigos.
Confira alguns trechos curiosos:
“Ah, como é doce o seu sabor. / Delicioso como milhares de beijos, / mais doce que um moscatel. / Eu preciso de café”;
“Paizinho, não sejas tão mau. / Se eu não beber meu café / as minhas curvas vão secar / as minhas pernas vão murchar / ninguém comigo irá casar”.

Passados quase 400 anos, o café deixou para trás sua fama de vilão e tornou-se a melhor companhia de muita gente – ainda bem!
Curitiba sai mais barata com o Clube
Centenas de parceiros na cidade, do restaurante ao cinema. O desconto é usado direto pelo app.
Assinar o Clube Gazeta



