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Cuidado com o café proibidão

·2 min de leitura·Redação
homem e mulher em cartaz da ópera Cantata do Café, de Bach

Funk e café proibidão, o que tem em comum?

Calma, uma coisa de cada vez. Primeiramente, o funk proibidão: surgido na década de 90 nas comunidades cariocas, o funk era chamado proibidão porque suas letras falavam sobre adversidades sociais e violência. Contudo, algum tempo depois as letras abordavam temas relacionados a sexo, quando a expressão “proibidão” passou a ter o significado mais difundido.

E o café proibidão? O que tem a ver com isso?

O café, ao chegar na Europa, tanto quanto o funk proibidão, também era mal visto. E ambos por razões ligadas ao sexo. Entretanto, no caso da bebida, bastava ser do sexo feminino para que as duas coisas não se misturassem. Não se sabe ao certo o motivo pelo qual o café era contraindicado às mulheres – e poderia ser apenas pelo preço >(

Como assim? Só fazia mal às mulheres?

Pois é, pelo menos era o que eles pensavam. Tanto que, entre 1732 e 1735, o famoso compositor Johann Sebastian Bach compôs uma divertida cantata em homenagem a essa história.

A Cantata do Café (Kaffeekantate) é uma obra cômica apresentada entre na Kaffeehaus (casa de café) de Zimmermann, em Leipzig, considerada uma das primeiras cafeterias da Alemanha.

Na miniópera, um pai exasperado, o senhor Schlendrian, tenta convencer a todo custo sua filha, Liesgen, a parar com o costume de tomar café. Para dissuadi-la do hábito, o pai propôs-lhe encontrar um marido. Lieschen aceita a ideia com entusiasmo, mas seus planos logo são revelados: o contrato matrimonial prevê que ela possa tomar café sempre que lhe apetecer.

A obra reflete, de forma muito bem-humorada, a polêmica que o café causava então na Alemanha, onde havia sido introduzido havia algumas décadas, mas ainda era visto com desconfiança por parte da população. Outras pessoas, porém, adoravam a bebida.

Por fim a cantata estimulava o consumo do produto e também fazia uma crítica ao movimento que desestimulava seu consumo entre as mulheres.  Na época, dizia-se que o “negro veneno” (como era conhecido o café) estaria ligado a casos de descontrole emocional e esterilidade, mas Bach, em troca do pagamento de Zimmermann, ignorou estes terríveis perigos.

Confira alguns trechos curiosos:

“Ah, como é doce o seu sabor. / Delicioso como milhares de beijos, / mais doce que um moscatel. / Eu preciso de café”;

“Paizinho, não sejas tão mau. / Se eu não beber meu café / as minhas curvas vão secar / as minhas pernas vão murchar / ninguém comigo irá casar”.

Cantata de Café, o café proibidão de Bach
Imagem retirada do site do Festiva de Música de Londrina, 2016

Passados quase 400 anos, o café deixou para trás sua fama de vilão e tornou-se a melhor companhia de muita gente – ainda bem!

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