Cultura

A bebida e a coragem na história

·4 min de leitura·redação
A bebida e a coragem na história

Seis de maio, dia da coragem. Embora seja uma qualidade reverenciada, tem gente que usa de gatilhos para ter coragem: tomar uma bebidinha, por exemplo.

Nesse caso, é consenso: não é coragem, é a ausência de sinapses entre neurônios ou diminuição da atividade em regiões cerebrais que nos fazem manter o juízo nos momentos de risco. Afinal, o medo é um instinto de preservação e graças a ele chegamos até aqui, não é? 😎😎😎

Ser destemido é falta de juízo?

Não é bem assim. Na vida, é preciso ter coragem. Mas bravura daquelas autênticas, inatas e não motivadas por fatores externos. E foi pensando nisso que resolvemos pesquisar a relação entre bebida e coragem na história.

E a conclusão é que muitos heróis se deram bem porque estavam, digamos assim, com uma dose de coragem “extra” adicionada por um trago antes do combate. Porém, por essa mesma razão, muito herói se deu malzão porque exagerou na quantidade de álcool 😬😬😬.

Alexandre, o Grande: um autêntico corajoso?

Antes de mais nada, lembramos: Alexandre da Macedônia, conhecido como Alexandre, o Grande, foi um grande conquistador da antiga Grécia. Como tantos outros desbravadores, o “Grande” tinha o hábito de beber bastante vinho antes e depois das batalhas. Afinal, era preciso muita coragem para enfrentar poderosos inimigos.

Mas será que de “cara limpa” Alexandre seria tão corajoso? 😬

Para saber mais 👉🏼👉🏼👉🏼

Trailer do filme Alexandre, O Grande | disponível na Globoplay

E os vikings? Alguém imagina um viking medroso?

Primeiramente, reconhecemos que pra “nascer” num lugar tão gelado, bravura já vem como item série, não é mesmo? 🥶🥶🥶 E sair da toca pra lutar, então?

Os vikings, assim como vários guerreiros da história, também recorriam à bebida antes dos combates. No caso, a “Aquavit“🍺🍺🍺, uma aguardente escandinava feita de batata e grãos cujo teor alcoólico varia de 40 a 50%.

As condições hostis de sobrevivência reduziam naturalmente a expectativa de vida das pessoas da época. Portanto, não havia margem para algum sábio relacionar a baixa expectativa de vida ao consumo de álcool. Logo, isso não era uma preocupação.

E quer dica de série boa, engraçada e uma paródia à manjada Viking? 👀👀

Série Norsemen | Netflix

E a coragem no Brasil?

Gilberto Nogueira coragem
Gilberto Nogueira | Ex-BBB21| Créditos: Rede Globo

Num período da história do Brasil não tão distante, temos os cangaceiros. Associados a expressão “cabra macho”, os sujeitos tinham que ter muita valentia para enfrentar uma vida errante na aridez do nordeste, sob o sol escaldante e ralando a pele em espinhos e pedras (pra dizer o mínimo). E a bebida, afinal, ajudou ou atrapalhou os cangaceiros?

Em outras palavras, como o homem mais famoso e temido do cangaço (Lampião) se deixou apanhar num ataque em plena madrugada?

Conversamos com um super especialista no assunto, o Prof. Robério Santos. Historiador, escritor e dono do canal do Youtube “O cangaço na literatura”, Robério nos conta:

“No nordeste, quem não bebe faz cachaça”, Robério Santos

Robério diz que “antes das batalhas, na hora do perigo, tanto o cangaceiro quanto a volante enchiam a cara de cachaça.”

“Volantes”: pequenos grupos de soldados, cerca de 20 a 60, formados para procurar e destruir os cangaceiros.

O ataque da volante comandada por João Bezerra ocorreu em 28 de julho de 1938. Nessa data, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e sua mulher, Maria Déa (Maria Bonita), mais nove integrantes do bando, foram mortos em uma emboscada, na Grota de Angicos, em Poço Redondo, Sergipe.

Prof Robério observa: “antes do fatídico ataque a Lampião, o comandante João Bezerra juntou seus soldados, deu a garrafa (de cachaça) e falou a todos para darem uma “bicada” antes dele dar a notícia: a gente está indo pegar Lampião.” Para Robério Santos, “esse é o maior exemplo do consumo de bebida para ganhar coragem é o das volantes”

“Os cangaceiros de Lampião também bebiam muito, com exceção de Zé Baiano, um dos mais valentes. Zé Baiano, ao contrário, não gostava de beber pois dizia que a bebida deixava o homem fraco.

Essa é uma parte da rica história do Brasil muito interessante e que é contada de maneira genial e viciante por Robério Santos em seu canal no YouTube “O cangaço na literatura“. https://www.youtube.com/channel/UCCW4a4XvhekadUvjGbgYYbw

Super dica boa | Canal O Cangaço na Literatura

Em conclusão, esse caso ilustra algo peculiar: a mesma bebida usada para ajudar a volante a ter coragem para enfrentar Lampião, também reduziu os sentidos e levou os cangaceiros a um estado de desatenção e sono que fez com que eles se dessem bem mal 😱.

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