Por que a Biblioteca Pública é o espaço cultural mais querido de Curitiba?

“A Bruxa da Paixão é a nossa aposta. Esta música nasceu para ser um sucesso”, exulta o compositor Din Martins. Ele se refere à canção que compôs ao lado do parceiro Gael, uma das quatorze que a dupla sertaneja registrou na manhã desta quarta-feira (8) no Escritório de Direitos Autorais que funciona dentro da Biblioteca Pública do Paraná (BPP).
Fruto de uma parceria entre a Fundação Biblioteca Nacional, e o governo do Paraná, o escritório no segundo andar da BPP é o lugar em que escritores, compositores e inventores em geral precisam ir para registrar suas criações e protegê-las de plágios e outros tipos de violação.
O espaço é um dos serviços que funcionam dentro da BPP a fazem o “espaço mais frequentado” em números absolutos: 61% dos moradores curitibanos afirmam ter frequentado o espaço. De um jeito ou de outro, a cidade passa por lá. Em segundo lugar um empate entre o Teatro Guaíra e o MON, ambos citados por 60% das pessoas que responderam à enquete.
A pesquisa Cultura nas Capitais é o maior levantamento sobre o tema já feito no Brasil e analisa o comportamento cultural de moradores de 12 metrópoles de todas as regiões do Brasil. Desenvolvido pela JLeiva Cultura & Esporte, responsável pela análise dos dados, e pelo Datafolha, a cargo do levantamento de campo e processamento das informações, o estudo abordou 602 moradores de Curitiba, em locais de fluxo, entre 14 de junho e 27 de julho de 2017, sobre suas práticas culturais ao longo dos 12 meses anteriores. A margem de erro varia entre 2 e 4 pontos percentuais.
>>> BPP, Teatro Guaíra e MON são os espaços culturais mais frequentados
Na BPP há diversos espaços que a fazer ser tão atraente: um cineclube, espaços públicos para jogos de xadrez, uma gibiteca, espaço para reuniões, para exposições, para eventos sobre literatura e cultura em geral, para leitura de jornais, revistas e outros periódicos.
Há outros atrativos ainda que tornam a Biblioteca Pública querida para a maioria dos curitibanos: a arquitetura modernista do prédio, recém reformado, a localização equidistante 250 metros do marco zero (na praça Tiradentes) e da Boca Maldita, o fato de oferecer muitos serviços gratuitos, inclusive wi-fi, e ter atividades para todos as faixas etárias. Sem falar dos banheiros abertos e bem cuidados que servem de chamariz para quem conhece os atalhos do centro da cidade.
Existe ainda uma Biblioteca Pública oculta, que funciona no subsolo, onde são digitalizados os conteúdos que não param de chegam para engrossar acervo. Até o mês de outubro, um café será instalado no hall da BPP.
Gripe, informação e saudade
O maior atrativo é, claro, sua vocação natural de maior acervo público de publicação para pesquisas e leituras com mais de 700 mil volumes. São toneladas e toneladas de material impresso: livros de literatura, leis, registros científicos, jornalísticos e de pesquisa. Este material atrai um público de perfil e interesses variados.
Aluno do curso de metrado em sociologia da Universidade Federal do Paraná, Mário César Dalla Bonna vestiu as luvas plásticas e se entrega à leitura da seção de periódicos, numa pesquisa sobre a cobertura da imprensa sobre a epidemia de gripe A. “É o único lugar com o arquivo completo. Para um pesquisador é obrigatório frequentar a Biblioteca”, disse.
O comerciante Daniel Paitra conta que aproveita seu horário de almoço para se dedicar diariamente a leitura dos jornais do dia em uma das mesas coletivas da BPP. “É minha forma de me manter atualizado com os problemas da cidade, do estado de do país”, disse.
Desde que chegou a Curitiba, há 4 anos, o estudante Felipe Barros usa a BPP para ler revistas, estudar e também para não sentir saudade de casa. “Eu venho sempre para ler. Aqui é muito bom e calmo, tem as revistas atualizadas e o pessoal é muito atencioso”.
O diretor da BPP, Rogério Pereira, explica que a instituição de 161 anos é importante porque em algum momento de suas vidas culturais as pessoas tiveram necessidade de usar o serviço da biblioteca. “Para a maioria das pessoas, em algum momento surge a necessidade de usar a BPP seja na vida estudantil ou profissional. Nosso desafio é fazer com que ela continue interessante para as pessoas pelos atrativos culturais que permanentemente acontecem lá”, disse o gestor.
Estreantes na BPP
As amigas Natália Santos e Isabelly Araújo, colegas da 7ª série da Escola Grace, no Novo Mundo, estrearam na BPP nesta quarta-feira. Ao lado de cerca de 40 colegas levados pela professora de português Alde Maller, as meninas puderam conhecer a biblioteca por dentro.
“Pensei que era um lugar só para ler livros, mas tem muito mais coisas”, observou Natália. “Nós achamos muito incrível e queremos voltar assim que der”, concluiu Isabelly.
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