Planeta dos Macacos: A Guerra – o que você precisa saber antes de ver o filme

Contrariando o senso comum, a revitalização da franquia Planeta dos Macacos não apenas encontrou sua razão de existir, como melhorou consideravelmente ao longo dos três filmes. Ainda que Planeta dos Macacos: A Origem, o primeiro lançamento da nova trilogia, dirigido por Rupert Wyatt, tenha seu interesse, o ponto de virada é o segundo, Planeta dos Macacos: O Confronto, dirigido por Matt Reeves, que continua o trabalho para o terceiro filme da temporada: Planeta dos Macacos: A Guerra que estreia nesta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros.
A trilogia conta a história de como o nosso mundo se converteu na distopia vista no filme original de 1968, estrelado por Charlton Heston. Conhecemos então Caeser, o primeiro macaco a se tornar inteligente, se tornando líder de seu clã, magistralmente vivido por Andy Serkis através de tecnologia de captura de movimentos. Em A Origem ele se torna inteligente, em O Confronto aceita seu papel como líder e agora, em A Guerra, entende o que liderar envolve superar desejos pessoais em nome do bem estar coletivo.
A Guerra também finaliza uma lenta mudança de foco empreendida pela franquia. A Origem era centrado no drama da família de Will Rodman, o cientista vivido por James Franco, com Caeser ganhando certo protagonismo apenas no terço final. O Segundo, O Confronto, balanceava bem a narrativa, opondo humanos e macacos em igual medida. Os primeiros vendo sua civilização ruir, enquanto os outros começavam a desenvolver uma cultura própria. A Guerra dá o passo adiante ao nos obrigar a ficar do lado dos símios, resultando em um interessante exercício de empatia, além de metáfora sobre o preconceito.
Colocar Caesar no centro da trama também implica em lhe oferecer menos modelos morais. Não há cientista bonzinho e tratador malvado, como em A Origem. Também não existem os líderes carismáticos (Gary Oldman, como sempre subestimado) ou humanizados, como em O Confronto. A Guerra oferece apenas um líder militar, violento e psicótico, que atende pela alcunha de Coronel, interpretado por um Woody Harrelson particularmente inspirado e baseado no Coronel Kurtz de Apocalipse Now (referência que o filme não se preocupa em esconder). O Coronel é um espelho que Caesar é obrigado a encarar de frente, na medida em que ele próprio empreende uma vingança particular, negligenciando, justamente, as necessidades da tribo.
Como esta é uma franquia que segue melhorando, A Guerra é um filme mais bem-acabado do que O Confronto. Talvez seja pelo fato de que Reeves tenha se envolvido desde o começo, ao contrário da contratação apressada do filme anterior. Por isso há mais nuance no desenvolvimento dos personagens – daí a importância de Nova, a criança humana que acompanha os macacos em sua jornada. Por isso também há mais humor, marcado particularmente pela presença de Bad Monkey, um macaco de zoológico que sobreviveu sozinho, interpretado por Steve Zahn.
Todo este interessante estudo de personagem, particularmente sombrio para um blockbuster do verão do hemisfério norte, vem embalado no que é o ápice contemporâneo da tecnologia digital. Cada expressão dos macacos é milimetricamente desenhada permitindo que o espectador possa mergulhar na trama sem ser lembrado que ali estão apenas animações digitais. E Serkis, um mestre do estilo desde os tempos de Gollum, de O Senhor dos Anéis, extrai o máximo da captura de movimentos.
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