Passeios

Um passeio pelas galerias do centro de Curitiba

·6 min de leitura·Sandro Moser
Um passeio pelas galerias do centro de Curitiba

Antecessoras dos shopping centers, as galerias comerciais são atalhos e abrigos no centro de Curitiba. Espaços com personalidade e atmosfera próprios, as galerias curitibanas são símbolo da modernização da cidade a partir da década de 1960.

Por aqui, estes locais de passagem e comércio reproduziram uma tendência arquitetônica de São Paulo e do Rio de Janeiro entre os anos 1940 e 50. Aquelas, por sua vez se inspiraram nos centros comerciais que surgiram na Europa da revolução industrial no século XIX.

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As galerias abrigam lojas de mesmo perfil: lotéricas, reformas de roupas, muitos salões de beleza, joalherias e casas de câmbio além de muitos cafés e lanchonetes.  A maior parte delas tem mais de 30 anos de idade e guardam a memória da Curitiba de seu tempo com lojas tradicionais.

O Guia da Gazeta do Povo + Clube passeou por oito delas elas na tarde do dia 13 de setembro e mostra o que as galerias têm para oferecer, além de um pouco de sua história.

Novidades na Galeria Lustoza

Há dois meses, o cenário do calçadão da Rua XV de Novembro mudou em sua primeira quadra. No imóvel que por 48 anos abrigou o extinto Café Haiti se instalou uma filial da lanchonete de especialidades árabes Kibe da Boca. 

“Este é um ponto ótimo da cidade. A resposta tem sido muito boa”, afirma a gerente Elizabete Burishak. Ela destaca os kibes fritos (R$ 4,60) e assados (R4 6,40) com temperos árabes como as especialidades da casa.

A nova loja serve de porta de entrada, sob as colunas redondas com revestimento metálico da galeria Lustoza, a mais antiga de Curitiba, criada na década de 1950 sob o edifício de 16 andares do mesmo nome. Quanto o empreendimento foi lançado, a rua Marechal Deodoro ainda não tinha sido alargada, o que só ocorreu nos anos 1960.

O último cyber café Galeria Ritz

A galeria liga o número 51 da Marechal Deodoro com o 172 da XV de Novembro, com uma escada para fazer a transição entre os dois níveis das principais ruas da cidade.

Entre lojas de câmbio, lotérica e salões de beleza, se destaca o Athenea, que talvez seja um dos últimos cyber cafés da cidade. Com dois computadores para acesso à internet, o café também valoriza o cliente bem informado e assina jornais como Gazeta do Povo, Tribuna e Folha de S. Paulo; e revistas de circulação nacional como Veja e Istoé, sempre disponíveis aos clientes. Além de cafés e sanduíches bons e baratos (uma cappuccino e um salgado estão na promoção por R$ 7), a casa faz um dos almoços mais concorridos do centro com preço variável que nunca passa dos R$ 20.

Monstros e bruxas na modernista Galeria Pinheiro Lima

Uma imagem do Eddie, o monstro símbolo da banda de metal Iron Maiden na vitrine da tradicional loja Let’s Rock, parece encarar as bruxas da vitrine da loja de artigos religiosos e ritualísticos Senzala na Galeria Pinheiro Lima.

A galeria liga a Praça Tiradentes com a Rua Prefeito João Moreira Garcez sob o prédio modernista do mesmo nome. A partir de 1963, a Pinheiro Lima abrigou um cinema, o Cine Gloria, que foi incendiado em 1991. O espaço foi revitalizado como um teatro e hoje se chama Cine Teatro Gloriah, porém não está com programação ativa no momento.

Sopa e chinatown na Galeria Minerva

A Minerva era uma das mais aristocráticas galerias do centro na década de 1980, abrigando a matriz da rede de salões de beleza Lady & Lord e lojas de roupas chiques. Deste tempo, só sobrou a loja San Diego. 

Hoje, o perfil do comércio e a identidade visual do espaço dão um ar chinatown à galeria. Quem destoa do cenário é a loja de produtos naturais Verde-Vitta. Nos dias frios, se formam filas para comer canja e sopa de legumes por R$ 9,50 o prato.

Pães de 35 anos na Galeria Andrade

Após 47 anos, a casa de ferragens Malek — que ficava na rua Presidente Faria, na entrada da Galeria Andrade — fechou as portas há duas semanas.

Assim, o posto de loja mais antiga da galeria ficou com a Panificadora Cancela, que parece parada em 1983, o ano em que foi fundada. “Esse ar antigo é muito mais força das circunstâncias do que nossa vontade, que era modernizar o negócio”, disse Carlos Rocha, um dos sócios.

Para dar uma ideia de como mudaram os tempos e os negócios dentro da galeria, Rocha faz contas. “No começo nós usávamos cem sacos de café para fazer pães a cada dez dias. Hoje são dez ou 12. O pessoal comprava pão no centro para levar para casa nos bairros”, disse.

 Cães, kibe e história na Galeria Tijucas

Cíntia Leal mora no Edifício Tijucas há 25 anos. Ela divide o apartamento com seus cães, a pequena Valentina, e os três da raça whippet Thunderbolt (que está cego), Spitfire e Musashi, que se animam quando chegam na Galeria Tijucas. “Adoro a galeria. É nossa sala de visitas. E a XV de Novembro e a praça Osório são nossos quintais", disse enquanto levava os cães para passear.

A galeria é a mais elegante da cidade. Todas as lojas têm uma escadaria em espiral em sua planta que levam à sobreloja (mas nem todas as lojas a valorizam. Entre as lojas mais tradicionais, como a relojoaria Wolller, com mais de 50 anos de tradição, e as lojas matriz do Kibe da Boca, uma de doces e outra de salgados árabes, destaca-se a novata Coffeterie – Cafés especiais, especializada em café da manhã e brunch.

O urso boêmio da Rua 24 horas

A galeria mais famosa da cidade – e fora dela – é a rua 24 Horas. Batizada oficialmente de Rua do Comércio, um dos cartões-postais da cidade é de fato uma galeria comercial e gastronômica entre as ruas Visconde de Nácar e Visconde do Rio Branco.

A Rua 24 Horas não funciona mais ininterruptamente – desde 2011 é das 8h até o último cliente –, mas abre todo santo dia. E cada vez mais com lojas voltadas à alimentação.

Entre as lojas que abriram nos últimos três anos – quando houve uma revitalização do espaço – o bar Koda, aberto há três anos e especializado em cervejas, é um dos destaques. O nome do bar foi inspirado numa história sobre ursos da raça Koda que invadiram um acampamento nos Estados Unidos e não atacaram as pessoas, mas tomaram toda a cerveja.

Daiane Queiroz, uma das gerentes do bar, disse que o público é composto por maioria de turistas. O movimento maior é no happy hour de 2ª a 6ª. Mas há movimento todos os horários. O bar tem música ao vivo de quarta a sábado e conta com 13 bicos de chopes artesanais – com destaque para o IPA da Swampe a R$ 16.

Galeria General Osório

O saguão da Galeria General Osório costuma lotar nos almoções. A oferta de especialidades é bem variada com bons restaurantes comida chinesa, italiana e brasileira. Fora do comum, é o restaurante Everest Inn, que serve comida indiana e nepalesa. Nas quintas-feira, é servida a Raajma, espécie de feijoada nepalesa feita com carne e feijão muito temperados.

Entre as lojas, o destaque é a Rocky Racoon, que vende games e cultura geek e aluga jogos de tabuleiros. Logo na entrada a Casa das Broas, onde há 21 anos Edenilson Grochowski serve broas assadas no forno a lenha para clientes fiéis a R$ 5 ou R$ 7,25 de acordo com os tamanhos.

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