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Ópera censurada de Chiquinha Gonzaga será tocada pela primeira vez no Guaíra

·2 min de leitura·Da redação, colaborou Matheus Nascimento
Ópera censurada de Chiquinha Gonzaga será tocada pela primeira vez no Guaíra

O 3º Festival de Ópera, que começou na última sexta (20) vai até o próximo domingo (29) em Curitiba, tem algumas surpresas: além de obras conhecidas como Carmem ou A Flauta Mágica, o palco do Guairão recebe no sábado (28) a estreia de Festa de São João, obra inédita da compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935), composta no século XIX, e que foi restaurada com o auxílio de Gehad Hajar, coordenador do festival.

“Foi a primeira peça que ela escreveu para o teatro [em 1879], mas ela foi proibida de apresentá-la por ser mulher, então, permaneceu guardada por 138 anos”, conta Gehad. Ele auxiliou os pesquisadores que trabalham com o acervo de Chiquinha, publicado integralmente na internet, a juntar os pedaços da obra criada naquela época. Agora, a peça com elementos de maxixe (Chiquinha foi a primeira compositora erudita brasileira a incorporar o ritmo, à época visto como imoral) ganha enfim o palco de um teatro.

Nos primeiros dias de festival, a maior comoção foi causada pela grandiosa produção da Cavalleria Rusticana, ópera italiana de Pietro Mascagni que levou à cena quase 110 cantores, dois cavalos, uma orquestra sinfônica completa e um corpo de baile. Apresentada nos dias 20 e 22, lotou o Guaíra nas duas apresentações.

“Nunca tinha sido aplaudido de pé no meio da execução de uma obra”, afirma Gehad. Para ele, o grande objetivo do festival é levar a ópera ao grande público, torná-la acessível em todos os aspectos. A grande estreia de Festa de São João, por exemplo, vai ter tradução em libras em tempo real. “A visão de que a ópera é para a elite é errada. Ela é um gênero popular, tem várias subdivisões”, afirma.

Outra característica que chama atenção de Gehad Hajar é que, até o momento, mais da metade do público dos concertos foi formada por jovens, público que geralmente não é muito associado ao gosto por música lírica. “Isso nos deixou muito felizes, porque mostra que existe um público cativo para a obra”, considera ele.

A programação até o domingo inclui operetas infantis, ópera rock e concertos de solistas de todo o Brasil, além de masterclasses de instrumentos diversos. Nas óperas, Carmem de Bizet retorna ao Guaíra poucas semanas depois do espetáculo de balé que marcou a estreia dos novos elencos do Balé do Guaíra e também da Sinfônica do Paraná. Dessa vez, porém, a obra encenada será a ópera original, em versão exclusivamente orquestrada.

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