Restaurantes

Cozinha afetiva japonesa ganha reduto no centro de Curitiba

·5 min de leitura·Flávia Schiochet
Cozinha afetiva japonesa ganha reduto no centro de Curitiba

Junto da cumbuca fumegante vem um suspiro. “É uma culinária nostálgica”, define Karla Keiko, sócia do Oidē Bar e Café. “Nosso foco é a cozinha japonesa caseira, que comíamos na casa das nossas batchans quando criança”, detalha Keiko, evocando as memórias à mesa da casa da avó. Aberto em 22 de maio, o Oidē funciona de quarta a sábado, das 12 às 23h, com serviço de almoço, cafeteria e izakaya.

Depois de seis meses em reforma, o imóvel que abrigava uma agência de turismo na Rua Brigadeiro Franco, no centro de Curitiba, reabre como um reduto da cozinha afetiva dos descendentes de japoneses. Sócios e companheiros, Keiko e Will Massami, planejaram um bar para ser um ponto de encontro e de reverência a quem veio antes. Além de servir refeições, o espaço receberá palestras, cursos e eventos – inclusive com e para batchans. A agenda está sendo montada.

O Oidē tem serviços diferentes de acordo com os horários. Das 12 às 15h é servido o almoço e até às 19h opera a cafeteria. Das 19h às 23h, entra em cena o cardápio do izakaya, com drinks autorais e porções para que o cliente combine os pratos conforme preferir. “É o conceito de teishoku, em que as pessoas pedem pratos para dividirem e provarem um pouco de cada”, explica Keiko.

Porções servidas no Oidē Bar e Café, a partir da esquerda: edamame com alho, futomaki e goya champuru (carne suína com melão de São Caetano). Foto: Hedeson Alves/Gazeta do Povo

Um lugar, três cardápios

A cozinha é tocada pelos chefs Hiro Motoki e Jorge Mariano, que transformaram as memórias de Keiko e Will em pratos e incluíram novas combinações no cardápio.

Gohan com shiitake e cebola roxa refogados no dashi, ovo e conserva de gengibre, um dos almoços servidos na primeira semana de funcionamento do Oidē. Foto: Divulgação

O almoço (R$ 30, com opção vegetariana) é sempre servido em uma cumbuca com um acompanhamento, como missoshiro ou conserva de vegetais. Na primeira semana de funcionamento, os pratos foram karê (curry japonês), udon (macarrão) com caldo e tempurá, gohan (arroz) com carne, cebola e ovo ou com shiitake e cebola roxa refogados no dashi, ovo e conserva de gengibre (foto). Para beber, soda feita na casa e sabor do dia. A única bebida em lata vendida no Oidē é a cerveja Asahi.

Na cafeteria, apenas métodos analógicos, inclusive o espresso, feito na cafeteira paranaense Aram (R$ 10, 50 ml). Dos filtrados, o cliente pode escolher entre Hario V60, Kalita, Clever, Aeropress, French Press e cold brew (R$ 8, 250 ml). O grão vem do Cerrado mineiro e é produzido por Yuki Minami e torrado pela mestre de torra Fabíola Jungles, do Projeto Consolida.

Equipe do Oidē Bar e Café: Will Massami, Jorge Mariano, Lia Valença, Jaime Vasconcelos, Dayana Endo, Hiro Motoki e Karla Keiko. Foto: Lucas Costa/Divulgação

Para acompanhar o café, mochi, uma massa de arroz chapeada e servida com calda de shoyu e açúcar (R$ 8); choux cream, uma carolina recheada com creme de confeiteiro com matchá (R$ 8) ou manjū, massa recheada com doce de feijão (R$ 5).

À noite, o cardápio expande: são três entradas (R$ 12), três refogados (de R$ 20 a 30), dois grelhados (R$ 30 – 35), três combos de tempurá (R$ 25, servido com molho tsuyu, feito com shoyu e dashi), duas opções de espetinhos (R$ 28) e dois tipos de onigiri (R$ 10), temperados com furikake da casa (mistura de temperos com gergelim tostado, sal, açúcar, alga e togarashi, uma pimenta japonesa). A porção de gohan (arroz branco) sai por R$ 8. Quem quiser, pode usar hashi, disponível nas mesas. Ou, se preferir, pedir garfo, faca ou colher, sem julgamentos.

Futomaki, sushi que é clássico em reuniões de família. Leva ovo, pepino, cenoura e conserva de gengibre. Foto: Lucas Costa/Divulgação

Destaque para o futomaki (três unidades de sushi recheado com omelete, pepino, cenoura e conserva de gengibre) e conserva de bardana; ambos são entradas e custam R$ 12. Na esteira de pratos clássicos, também estão os tempurás, combinações de três ingredientes empanados e fritos. Para beliscar, porção de edamame refogado com alho (R$ 15).

A carta de drinks tem cinco autorais (de R$ 25 a R$ 35), criados pelo mixologista Will Massami com colaboração de José Augusto Swaiger, do Officina Restô Bar, como Umeboshi Martini, feito com licor de ameixa japonesa; e Sei Shonagon, servido em xícara de chá (shochu, purê de yuzu, mel e flor de laranjeira).

Come as you are

A configuração do salão, a decoração com objetos pessoais e históricos, a saudação a cada cliente que entra na casa e o desembaraço proposto para comer – em último caso, recomendam usar as mãos – são algumas das estratégias para tornar o lugar convidativo. É a tradução física do nome eloquente com que o café e bar foi batizado. Oidē é uma expressão da língua japonesa que pode ser traduzida como “venha!”.

Balcão do bar, um dos vários espaços compartilhados do estabelecimento. Foto: Lucas Costa/Divulgação

“O balcão do bar acho que será um dos lugares mais disputados por causa da experiência. Temos outro balcão, na janela, com vista para o lado de fora. Temos uma mesa compartilhada e mesas baixas, porque também queremos que as avós venham. É um espaço montado para que todos sejam bem acolhidos”, explica Keiko.

O acolhimento vai além do balcão e chega à loja, uma arara e prateleiras à direita do balcão do bar. “Como os primeiros japoneses a emigrar para o Brasil vieram para trabalhar na lavoura, especialmente no café, queremos servir sempre grãos de descendentes japoneses. E na loja, o trabalho de descendentes asiáticos ou de pessoas que tratam da temática”, explica Keiko. Por enquanto, a loja têm cerâmicas da EnTorno, camisas da Dion Ochner, saquês da Adega Sake e pochetes da Katsukazan.

A loja fica à direita do balcão do bar, com produtos feitos por descendentes de asiáticos ou com a temática. Foto: Hedeson Alves/Gazeta do Povo

LEIA TAMBÉM

>>> Conheça o Alquimia Bar, novo espaço de drinks, arte e produções locais de Curitiba

>>> Boteco no Vista Alegre é eleito o melhor de Curitiba em 2019

>>> Restaurantes de comida japonesa em que asinante Gazeta do Povo economiza até 20%

Curitiba sai mais barata com o Clube

Centenas de parceiros na cidade, do restaurante ao cinema. O desconto é usado direto pelo app.

Assinar o Clube Gazeta
F
Flávia Schiochet
O amigo que sempre sabe o lugar bom em Curitiba.
Assine o Clube Gazeta
descontos na cidade inteira
Assinar