Museus

Conheça as obras de arte mais importantes (e caras!) em museus e galerias de Curitiba

·9 min de leitura·Sandro Moser
Conheça as obras de arte mais importantes (e caras!) em museus e galerias de Curitiba

Não há um jeito “certo” de apreciar artes visuais em museus e galerias. Cada visitante tem o seu.

Porém, alguns estudos mostram que há melhora de percepção da arte para aqueles que conseguem deter-se durante mais tempo e com mais atenção em algumas obras de arte do que os que simplesmente passam apressados pelos salões.

Uma pesquisa do Metropolitan Museum of Art mostra que um visitante passa entre 15 e 30 segundos no máximo em frente a uma obra de arte. Talvez não seja a melhor ideia.

Ler os textos que acompanham a exposição, deter o olhar sobre a obra por um período mais demorado e visitar as exposições acompanhado com alguém para trocar impressões são algumas das medidas que tornam a experiência mais rica, são algumas das dicas dadas por especialistas para desfrutar da experiência de “consumir" artes plásticas.

Leia mais sobre isso aqui.

O Guia da Gazeta do Povo consultou oito galeristas e diretores de museus em Curitiba e pediu para que eles indicassem obras que consideram as mais significativas de seus acervos ou de exposições que estão atualmente em cartaz.

E o que torna estas obras especiais?

Pode ser a assinatura de uma artista importante em grande momento da carreira. Às vezes, o valor artístico reconhecido por críticos e curadores. Em outras, o elevado valor de mercado de uma obra. Muitas vezes, estas três coisas ao mesmo tempo.

Veja abaixo o um roteiro de visitas a partir das obras importantes em cartaz em Curitiba atualmente:

Galeria Simões de Assis

A galeria fundada em 1984 é, além da mais antiga, também considerada a mais importante da cidade. Entre as peças de seu acervo, que conta com obras de Arcangelo Ianelli, Tomie Othake e Cícero Dias, o marchand Waldir Simőes de Assis destaca uma fachada de Alfredo Volpi, obra sem título, pintada no final da década de 1960.“Volpi é uma rara unanimidade no mercado nacional e internacional. Um dos grandes coloristas da pintura”, explica.

O galerista destaca que a montagem da obra usando o espaço e a luz da galeria valoriza ainda mais a pintura.“Este quadro está presente em catálogos e reproduzido em livros sobre a obra de Volpi. Ele é um artista que faz parte da história da nossa galeria desde 1985, quando montamos a primeira exposição de suas obras”.

Não há divulgação pública dos valores das obras expostas na galeria, mas Volpi é um dos artistas cujas obras estão entre as dez mais caras do mercado de artes brasileiro.

MON – Museu Oscar Niemeyer

Aos15 anos de idade, o Museu Oscar Niemeyer (MON) é, além do maior cartão postas da cidade, o museu mais importante do estado. No ano passado, nove exposições entraram no ranking da publicação inglesa The Art Newspaper entre as mais visitadas do mundo. Em nome da importância do MON nas artes visuais locais, este roteiro quebrou o protocolo e pediu que a direção do museu elegesse duas obras – uma de uma exposição atual e outra do acervo permente como exemplos de peças mais significativas.

 

A primeira obra indicada foi “Mapa”, de Carla Vendrami (1962-2009). A obra faz parte da exposição “A vastidão dos mapas – Arte Contemporânea em Diálogo com Mapas da Coleção Santander Brasil”, com curadoria de Agnaldo Farias, que fica em cartaz até o dia 6 de agosto.

A exposição traz um conjunto de mapas originais dos séculos XVI ao XVIII do núcleo de cartografia da Coleção Santander Brasil, num diálogo com obras contemporâneas que se relacionam com questões como o mapeamento do espaço, das fronteiras, dos deslocamentos e fluxos econômicos e culturais.

De acordo com texto da artista: “A obra é literalmente um mapa mundi vazado em carpete vermelho e dividido em dois: a porção das águas para baixo -, sem nenhuma inscrição, ao contrário da porção dos países, que ficou no chão, proporcionalmente bem menor e com os nomes dos continentes. A ideia era contrapor uma imagem de totalidade da água, a visibilidade do retângulo de carpete, às pequenas e definidas porções de terra”.

Arcanhello Ianelli 

Outra obra considerada das mais significativas, desta vez do acervo permanente do MON: uma obra sem título de Ianelli (1922-2009), que faz parte da exposição de longa duração do acervo do museu “Na oração, que desaterra… a terra, – Em honra ao sagrado". A obra do pintor paulistano que que se destacou pelo geometrismo e o abstrato é da última fase de sua produção quando ele se dedicou a explorar a cor em todas as suas possibilidades de nuances.

Segundo o texto da curadoria de Agnaldo Farias, “pode parecer um trabalho simples, mas para chegar à essa técnica o artista teve que percorrer o percurso das representações, livrando-se não apenas das formas, mas também de conceitos sobre a arte, com o objetivo único de atingir a pureza da técnica e da cor”. Esta obra faz parte de uma coleção exclusiva que o artista deixou em testamento para o MON.

 

SIM Galeria

Fundada em 2011, a SIM Galeria se dedica à difusão de arte contemporânea apostando em artistas promissores ou reconhecidos, mas ainda não consagrados.

Dentro desta proposta, o diretor da galeria, Guilherme Simões de Assis, indica as obras do arquiteto e artista paulistano Antônio Malta Campos como as mais significativas em exposição atualmente no espaço.

“Ele é um dos artistas contemporâneos mais importantes do Brasil e foi um dos principais destaques da última bienal de São Paulo. Esta é a primeira exposição individual de suas obras em Curitiba”.  

Museu Alfredo Andersen

Uma paisagem do local onde hoje é o bairro do Alto da Glória é a obra escolhida por Wilson Andersen Ballão para representar a obra de seu avô, o pintor norueguês radicado em Curitiba Alfredo Andersen (1860-1935).

“É uma paisagem. Uma cena de situações cotidianas, característica do trabalho de Andersen. Além do grande valor artístico, é um documento histórico ao retratar uma cidade que não existe mais“.

Andersen é considerado o pai da pintura paranaense, porque foi o primeiro a formar um grupo de discípulos que incluía nomes como Theodoro De Bona (1904-1990) e Lange de Morretes (1892-1954).

O artista se estabeleceu em Curitiba em 1902, mesmo ano em que abriu a escola de pintura em sua casa, na Rua Mateus Leme, hoje endereço do museu que leva seu nome desde 1979.

O espaço hoje conta com direção de Débora Russo é destinado a conservar a obra do artista e manter um acervo permanente com obras dele. Lá, também são realizadas exposições temporárias de discípulos de Andersen e de artistas contemporâneos.

MAC – Museu de Arte Contemporânea

A diretora do Museu de Arte Contemporânea (MAC), Lenora Pedroso, não esconde a alegria em relação à exposição do acervo "Anos 60/70: Um panorama”. A mostra, que tem curadoria de Ronald Simon, reúne obras de artistas como Pietrina Checcacci, Helena Wong, Antônio Dias, Marcello Nitsche, Juarez Machado entre outros.

Ela elege uma pintura do paisagista Burle Marx para representar toda mostra. “Esta exposição é importante ao revelar a produção destas duas décadas transformadoras da arte brasileira através de artistas muito representativos. No período havia toda uma busca por liberdade, tanto nas questões políticas que se expressam nas obras, mas também na estética. Nota-se a busca por uma experimentação na linguagem artística influenciada pela pop art”.

Museu Guido Viaro

O artista plástico italiano Guido Viaro (1897-1971), viveu no Brasil seus últimos 44 anos, boa parte deles em Curitiba, onde se destacou como o mais importante pintor modernista do estado, espécie de guru de pelo menos duas gerações de artistas.

O Museu Guido Viaro administrado com capricho pelo filho Constantino, reúne 250 óleos sobre tela, 700 desenhos e mais de 100 gravuras, obras que retratam tipos populares, atividades cotidianas e temas religiosos.

Dentro deste conjunto, Constantino destaca duas obras pelo valor artístico. E entre as duas, uma pela mitologia própria que criou. “Os dois trabalhos mais importantes são, a meu ver, "O Homem Sem Rumo", um retrato em óleo do pintor Miguel Bakun que é uma expressão completa da obra dele e, com certeza, a "A Polaca”’, que além de ser uma pintura invulgar, tem toda uma história mágica em torno e já foi objeto de um documentário. De que outro quadro brasileiro pode se dizer o mesmo?".

A obra de 1935 e é um marco do modernismo paranaense. Trata-se de um retrato em óleo de Hedwiges Mizerkowski Macanhan, uma moça curitibana por quem Guido Viaro se apaixonou no final da década de 1920.

“A Polaca” foi pintada em 1935, apenas com a memória que o artista tinha das semanas em que Hedwiges posou para ele, em um sótão no centro de Curitiba alguns anos antes.

A identidade da modelo retratada só se tornou conhecida em 2007, quando a própria Hedwiges se deparou com o seu retrato em uma visita que fez a uma exposição no Museu Oscar Niemeyer. Em 2011, o cineasta Fernando Severo filmou o documentário “A Polaca”, contando a história da pintura e da modelo.

Galeria Farol

A Galeria Farol é um espaço ‘sui generis’ na difusão de arte em Curitiba. É uma galeria “nômade”, ainda que tenha sua sede na rua Presidente Faria, ao lado da Bicicletaria Cultural, suas exposições se materializam em vários locais diferentes da cidade.

A Farol assume como vocação buscar promover o que é mais novo e transgressor na arte contemporânea produzida em Curitiba, coordenadas com noções sobre mobilidade e urbanismo. A artista plástica e galerista Margit Leisner destaca duas obras da artista Livia Piantavini atualmente expostas na mostra Além da Cor. As obras em óleo e acrílica sobre tela fazem parte da série de obras “Perimetral” da artista. “São duas grandes pinturas de uma pesquisa que a Lívia está tornado pública neste ano. Os quadros mudaram de escala e tomaram outro corpo na pintura”, destaca Margit.

Galeria Zilda Fraletti

Galeria pioneira de arte contemporânea de Curitiba, atua no mundo das artes visuais há 33 anos. Comandada pela galerista e (psicóloga) Zilda Fraletti, a galeria representa artistas nacionais e internacionais já consagrados como Fernando Velloso, Juarez Machado e André Mendes, mas principalmente de garimpar e incentivar artistas emergentes.

Entre as dezenas de artistas que representa, Zilda destaca uma obra do pintor, gravurista (e médico) antoninense, Carlos Eduardo Zimmermann, um dos artistas que tem distribuição exclusiva com a galeria. Ex-aluno de Guido Viaro, o pintor se destaca pelo uso das cores em pinturas de grande impacto visual. “Zimmerman é um artista contemporâneo muito importante e o ímpeto criativo parece inesgotável. A galeria é muito feliz em ser parceira dele, tanto do ponto de vista artístico quanto comercial”.  

Curitiba sai mais barata com o Clube

Centenas de parceiros na cidade, do restaurante ao cinema. O desconto é usado direto pelo app.

Assinar o Clube Gazeta
S
Sandro Moser
O amigo que sempre sabe o lugar bom em Curitiba.
Assine o Clube Gazeta
descontos na cidade inteira
Assinar