Comédia musical O Som e a Sílaba, de Miguel Falabella, chega a Curitiba para curta temporada

A comédia musical O Som e a Sílaba, em cartaz de 7 a 9 de setembro no teatro Fernanda Montenegro, foi criada especialmente para a atriz e cantora Alessandra Maestrini por Miguel Falabella. O espetáculo busca tratar com leveza um tema e um gênero musical considerados difíceis por muitos: autismo e ópera.
A mistura, no entanto, resultou em um espetáculo que vem sendo indicado a vários prêmios do teatro nacional e considerado divertido e próximo das pessoas, justamente por tratar do tema com leveza, sem distanciamentos. “A gente ri com o autista e não dele”, resumiu Alessandra Maestrini, durante conversa por telefone com a reportagem do Guia Gazeta do Povo + Clube. Membros do clube têm 40% de desconto no ingresso para o espetáculo.
Alessandra, que ficou conhecida por interpretar a personagem Bozena no programa de humor “Toma lá, dá cá”, recentemente participou do quadro Show dos Famosos, no Domingão do Faustão e mostrou seu dom para a música, interpretando sucessos das cantoras pop Taylor Swift, Lady Gaga e Pink – mas surpreendeu mesmo o público ao cantar músicas de Whitney Houston e Céline Dion. O alcance vocal havia surpreendido anos antes Miguel Falabella. “O Miguel chegou mais cedo para uma aula de canto com a Mirna e eu estava cantando ópera. Ele ficou chocado e me disse ‘você acha que se eu tivesse uma voz dessa estava fazendo palhaçada na tevê?’ e eu respondi que gosto de fazer coisas diferentes, não só cantar”, conta Alessandra. Falabella saiu da aula com a ideia de criar um espetáculo em que Alessandra pudesse cantar.
A professora de canto Mirna a que Alessandra se refere é a cantora lírica Mirna Rubim, que divide o palco com ela no espetáculo O Som e a Sílaba. Anos depois da fatídica aula, Mirna participou do espetáculo Paradinha Cerebral, em que atuava com o aluno Cassiano Fernandez, o Cacá, em uma história sobre a relação da pessoa com paralisia cerebral com a música. Foi ao assistir essa peça que Falabella uniu as ideias e concebeu o musical que chega esta semana em Curitiba.
Enredo
Alessandra interpreta a portadora de síndrome de Asperger Sarah Leighton, que contracena com a professora Leonor Delise, outrora diva de ópera (interpretada por Mirna) e hoje obrigada a encarar o ostracismo enquanto a menina quer ganhar a luz. “Elas se completam sem saber. Uma é o que a outra precisa para caminhar de uma maneira mais livre e plena durante a vida”, explica a atriz. Enquanto Leonor sofreu uma traição da família e vive na defensiva, Sarah, devido à sua síndrome, não julga as pessoas – o que ajuda Leonor a abrir suas defesas. No programa, árias palatáveis para o público, mas das mais difíceis para quem as executa, como Je veux vivre, da ópera Romeu e Julieta de Charles Gounod.
Preparação
Para a pesquisa, Alessandra recebeu muito material de Falabella, que é fascinado pelo tema. “Vi filmes, vídeos com depoimentos de portadores da síndrome, livros, mas eu sou sinestésica, aprendo pela emoção e pelo movimento, preciso sentir empatia, se algo me comove eu aprendo”, revelou a atriz. E foi por isso que ela foi atrás da família de Julia Balducci, cineasta portadora da síndrome de Asperger. Alessandra e Julia almoçaram e leram o texto da peça juntas, momento em que a atriz perguntou se havia algo que faltava ou que incomodasse Júlia. “Ela adorou tudo e se sentiu representada”, conta Alessandra, que revelou ainda que a conversa foi importante para entender Julia, seus medos, charmes e transparências.
“A mensagem que o espetáculo tenta passar ao público é que se as pessoas não tiverem a potencialidade subjugada, tudo pode ser”, enfatiza a intérprete de Bozena, dizendo estar muito feliz por trazer o espetáculo para o Paraná, estado com o qual tem uma ligação especial: a avó da atriz nasceu em Curitiba e Alessandra é cidadã honorária de Pato Branco, título que foi fruto das piadas recorrentes envolvendo a cidade no seriado de tevê. “Adoraria levar o espetáculo para Pato Branco”, encerra a atriz.
O espetáculo fica em cartaz de sexta a domingo, sexta-feira e sábado às 21h e domingo às 19h. A entrada custa R$ 100 (inteira), mas membros do Clube Gazeta do Povo pagam R$ 60. Os ingressos estão à venda no site do Disk Ingressos.
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