Conheça a história do Ópera Arte e inspire-se

“Eu apenas tirei da pedra de mármore tudo o que não era o Davi“
A frase acima é parte de um diálogo entre o então jovem artista Michelangelo (1475 – 1564) e o não menos famoso Leonardo Da Vinci (1452 – 1519). Se é verdade ou não, ninguém pode provar. O que se sabe é que a questão continua intrigante ainda hoje.
Teimosia ou empreendedorismo?
Olhe para um bloco de pedras. O que você vê? A maior parte das pessoas vê apenas um bloco de pedra. Outras, uma enorme e pesada massa concreta. Alguém dirá que vê um belo homem ou um leão e, antes de qualquer entendimento, o julgamento é certo: louco.
Afinal, o jovem artista Michelangelo viu o herói bíblico Davi. E tratou de o desprender da pedra. Fato que fez com perfeição, desbastando as quatro toneladas de mármore até esculpir os 5,17 metros do monumental Davi.

Antes de mais nada, Michelangelo era um grande empreendedor. Caso contrário, o que justificaria sua resiliência e visão ao encarar um trabalho que tantos artistas já haviam tentado e abandonado após inúmeras tentativas? Mais ainda: somente após dois anos como encarregado da tarefa, Michelangelo apresentou ao mundo a inigualável escultura. O feito representa uma significativa vitória da inteligência, astúcia, coragem e intuição (curiosamente também presentes na personalidade de Davi) sobre a força bruta, preguiça e imediatismo.
Baseado nessa metáfora, Michelangelo não esculpia o mármore, mas libertava um ser que estava aprisionado no interior da rocha.
De Florença a Curitiba, um gigante aprisionado no subsolo do teatro
Não é exagero e nem piegas dizer que o espaço onde hoje é o Ópera Arte lembra a ousadia de Michelangelo. Afinal, para quem o visita pela primeira vez, é comum imaginar que o mesmo nasceu com a inauguração do Teatro Ópera de Arame, em 1992.
Pode-se dizer que os arquitetos, engenheiros e toda equipe envolvida em sua construção jamais imaginou tal possibilidade.
Prova disso é que até 2015, passados 23 anos de sua inauguração, o que existia no subsolo do Teatro era um tímido café de 80m2. Um espaço funcional que atendia aos turistas que lá chegavam e nada mais.

Foram os irmãos Pilagallo – Giuliano e Nelson – que fizeram emergir o complexo multifuncional de 700m2 que hoje abriga o Ópera Arte
Mais do que isso, ao criarem literalmente do barro o Ópera Arte, atribuíram uma nova vocação ao lugar: a de ser parte integrante do circuito cultural da cidade, integrando-o perfeitamente à vida dos moradores de Curitiba, e não apenas aos visitantes ocasionais.
Barro, entulho e café: como tudo começou
Tudo o que é novo causa estranhamento. Há quem diga que a medida de resistência equivale ao tamanho da novidade.
“Como estamos em um lugar público, nós precisamos observar com maior cuidado alguns detalhes, já que o Ópera de Arame e a Pedreira são praticamente parte do patrimônio da humanidade. Foram inúmeras reuniões com a prefeitura e com a secretaria de meio ambiente para que a ideia do projeto fosse ouvida, compreendida e os detalhes acertados.”
Giuliano Pilagallo
Em comum entre Prefeitura e empreendedores, o forte desejo de respeitar e integrar a natureza ao projeto – o que, para Giuliano, seria parte fundamental na experiência imersiva que o seu cliente deveria ter no lugar.
Escavadeiras e 700m2

Quem circula pelo Ópera Arte nem sequer imagina que o local foi tomado por escavadeiras e todo um montante de aparelhos tecnológicos para identificar seu potencial construtivo.
Ópera Arte: um “Davi” no Teatro Ópera de Arame
O Ópera Arte transformou-se no “Davi” do Teatro Ópera de Arame, um mix de gastronomia, arte, cultura, música.
A arquitetura minimalista destaca ainda mais o Ópera de Arame, com um deck de madeira em frente ao Palco Flutuante do Vale da Música e o cardápio diversificado do Chef Wilson Ribeiro -com pitadas da culinária paranaense- alguns dos fatores que fazem a sua experiência ser única por aqui.

Vale da Música
Sobre o lago do Ópera, um palco flutuante traz magia e sofisticação. Com apresentações de música instrumental de qualidade, o Vale da Música funciona de terça a domingo das 10 às 18h e as apresentações podem ser conferidas no site da casa. No mesmo ambiente é possível acessar exposições e o charmoso deck do restaurante Ópera Arte.

Confira a programação semanal: https://parquedaspedreiras.com.br/agenda/filtro/vale-da-musica
Restaurante Ópera Arte e Ópera Arte Café e Bistrô
Pratos como Feijoada, Barreado, cafés, drinks, cervejas especiais, sobremesas, pizzetas. Serviço de catering para atendimento a eventos corporativos, formaturas, casamentos, entre outras cerimônias são algumas das diversas possibilidades de apreciação do serviço e gastronomia Ópera Arte.
Espaço Kids
Voltado para crianças de 1 a 4 anos sob o comando do Criança na Plateia, visa oferecer uma programação diferenciada com oficinas lúdicas. As crianças ficam em área próxima aos pais, que podem desfrutar da casa enquanto os pequenos se divertem.
Curiosidade e História
Os primeiros sons da Pedreira e do Teatro foram explosivos
De acordo com o jornalista Eduardo Fenianos, o Urbenauta, a vocação cultural do bairro do Abranches – onde localiza-se a Pedreira Paulo Leminski e o Teatro Ópera de Arame – remonta a muito antes da sua inauguração.
O bairro do Abranches, assim como outros da região norte da cidade de Curitiba, tem uma característica geológica diferente: são de 40 a 80m mais altos que os demais locais de Curitiba, com altitudes entre 950 a 980m acima do nível do mar. O centro da capital encontra-se a 908m acima do nível do mar.
Esses bairros estão sobre formações rochosas de granito, os quais eram extraídos para serem utilizados na construção da capital. Moradores da região das décadas de 1950 e 1960 ainda recordam das sirenes das 11 e 15h – momento em que alarmes das pedreiras avisavam que explosões iriam acontecer. Na época, era comum crianças fugirem para assistir às explosões.
No início dos anos 70, organizações culturais locais se reuniam com o objetivo de utilizar o espaço das pedreiras – então desativadas – para atividades culturais.
Na década de 90, quando a equipe do arquiteto e urbanista Jaime Lerner organizou-se para a transformação do local em Pedreira Paulo Leminski e Teatro Ópera de Arame, havia muitos profissionais egressos desses movimentos culturais da década de 70.
Construção recorde em apenas 75 dias
A Ópera de Arame é projeto do arquiteto Domingos Bogestabs e foi concebida na gestão do então prefeito Jaime Lerner. Foram necessários apenas 75 dias para concluir a obra e também não demorou muito para que o teatro se tornasse um dos locais mais requisitados para apresentações artísticas de todas as esferas.
Em 2012, o Parque das Pedreiras foi concessionado à DC Set Group e a Ópera de Arame passou por uma completa revitalização em sua estrutura. Abriu suas portas novamente em 2014 e Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Nando Reis, Lenine, Chris Cornell, Steve Vai, entre tantos outros artistas já se apresentaram no teatro reestruturado.
Agora, uma nova fase começa para a Ópera de Arame: a geração de eventos culturais à luz do dia. A música, que antes só era presenciada no período da noite, agora vibra durante o dia e conduz uma série de atividades para o público em diversas áreas do teatro ao longo de todo o ano.
Pedreira
Falar da Pedreira Paulo Leminski é contar a história da música na cidade de Curitiba. É trazer lembranças e sentimentos de milhares de pessoas que tiveram a oportunidade de assistir de perto seus ídolos em um lugar rodeado de natureza. Muito antes de se pensar em criar um local para a realização de grandes concertos, o espaço era uma pedreira municipal que ajudou a construir ruas e edifícios de Curitiba.
O maior palco fixo a céu aberto da América Latina
Foi somente em 1989 que o local de extração foi adaptado para a nossa Pedreira de fomento a cultura, com um grande festival de inauguração com as bandas Paralamas do Sucesso, Gilberto Gil e The Wailers. A iniciativa de reaproveitar um espaço degradado partiu da Prefeitura Municipal e Fundação Cultural de Curitiba, na gestão de Jaime Lerner como prefeito. O batismo, mais do que especial, foi dado em homenagem ao poeta e compositor, morador do bairro Pilarzinho, o polaco Paulo Leminski.
A partir daí a Pedreira Paulo Leminski foi palco de concertos de artistas de renome, como Paul McCartney, Ramones, AC/DC, Pearl Jam, Pavarotti, David Bowie, e muitos outros.
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