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O romance que Mario Puzo não queria escrever: O Poderoso Chefão

·5 min de leitura·Patricia Mannarino
o poderoso chefão

O que mais se pode falar sobre O Poderoso Chefão? Um dos maiores filmes de todos os tempos, O PODEROSO CHEFÃO (The Godfather), dirigido por Francis Ford Coppola, completa 50 anos em março (daqui a poucos dias). Praticamente tudo já foi falado, pesquisado, conspirado e imaginado sobre o romance que Mario Puzo não queria escrever.

E foi justamente isso que despertou nossa curiosidade: a fragilidade, o desespero, a pressão e a virada na vida de Mario Puzo – de escritor resignado, repórter de segunda categoria a autor do maior sucesso (ou entre os maiores sucessos) do cinema.

O começo

O Poderoso Chefão

A história de como Mario Puzo, o inveterado fumante de charutos e viciado em jogos de azar, mostra que a máxima “a necessidade é a mãe da invenção” está completamente certa.

Mario Puzo, o libriano nascido em 15 de outubro 1920 (sim! misturamos informações astrológicas nesse texto. Afinal, é um tratado sobre as curiosidades de “O Poderoso Chefão”, ou melhor, de seu autor) cresceu no distrito de Hell’s Kitchen, área entre as Ruas 34 e 59, em Manhattan, NY. À época um bairro marginal, Puzo nunca teve contato com ninguém do submundo do lugar onde nasceu. Seu conhecimento desse lado B da cidade veio graças à sua proximidade com o jogo, croupiers, agiotas, jogadores compulsivos e usurários.

Mario serviu o Exército americano e queria muito ir para a guerra. Apesar disso, sua fraca visão o destacou para a reserva.  No final da Segunda Guerra Mundial, Puzo se formou na Universidade de Columbia e começou a ganhar a vida como escritor. Em 1955, publicou seu primeiro romance: Dirty Sand . Deprimido por sua falta de sucesso, Puzo conseguiu empregos como editor em publicações para adultos e se dedicou a escrever histórias sobre crimes para algumas revistas de Nova York, até conseguir publicar seu romance La Mamma (1965), que seria seguido por Six Tombs in Munich (1967).

À beira da falência

Em meados da década de 1960, Mario Puzo estava à beira da falência. Com mais de 45 anos, cinco filhos para alimentar e uma dívida de 20 mil dólares (devia dinheiro a parentes, bancos, várias casas de apostas e alguns agiotas), sua carreira de escritor estava fracassando. Embora seus primeiros romances tenham recebido críticas muito boas, as vendas falharam miseravelmente. Seus editores sugeriram que escrevesse um romance sobre gângsteres, pois viram ali uma grande mina de ouro. Puzo, filho de imigrantes napolitanos, não estava muito convencido, mas realmente não tinha muitas opções. Ele precisava do dinheiro.

Sem vontade de escrever

Sem outra alternativa a não ser atender a demanda imposta por seus editores, Puzo começou a escrever onovo romance. Mas as primeiras 150 páginas não tiveram o sucesso esperado. Em uma das visitas ao seu editor, Puzo saiu furioso do escritório e o repreendeu por não reconhecer o valor do que havia escrito. 

Mais rejeições

Resignado e desmoralizado, Puzo mais uma vez percorreu os editoriais, sendo sistematicamente rejeitado até mostrá-los a um jornalista da Magazine Management Co.

Ele ficou encantado com a história e a mostrou à GP Putnam’s Son, uma das maiores e mais importantes editoras do país, que ofereceu ao autor um adiantamento de US$ 5.000.

Entretanto, Puzo não queria escrever aquele romance e, com muito esforço, conseguiu avançar um pouco mais e entregou ao editor mais algumas dezenas de páginas. Como resultado, ele recebeu novamente um cheque de cinco mil dólares e apenas a necessidade o fez terminar seu livro, que Puzo intitulou La Mafia . O romance surgiu de uma combinação de memórias de infância, um estudo de arquivo de clãs mafiosos e grandes doses de imaginação. 

Um trabalho de imaginação

Puzo estava envergonhado porque sua pesquisa para escrever La Mafia (ou O Poderoso Chefão) tinha sido apenas “de escrivaninha”, ou seja: Puzo, um jornalista de reportagens policiais, não conhecia nenhum mafioso e nunca havia abordado nenhuma organização criminosa.

Quando o livro ficou pronto, Puzo deixou-o nos escritórios da editora, descontou o cheque, pagou parte das dívidas e partiu com a família para a Europa. Antes de sair, o escritor pediu que não mostrasse o livro a ninguém, pois, embora a trama estivesse finalizada, ainda havia algumas correções a serem feitas e também partes da trama que não o convenceram completamente.

Família que joga unida, perde unida

Na Europa, a família Puzo gastou todas as suas economias e vários adiantamentos no Casino de Monte Carlo. Todos os membros da família perderam todas as fichas que carregavam . No mesmo dia em que chegou aos Estados Unidos, foi até a editora para tentar tirar mais alguns dólares deles. 

La Mafia ou O Poderoso Chefão

Mario mal chegou aos Estados Unidos e correu para a editora. Porém, algo havia mudado: em vez de esperar muito tempo nas cadeiras da recepção enquanto folheava revistas com duas ou três semanas, a secretária o cumprimentou com um sorriso generoso, perguntou o que ele queria beber e o fez entrar. O editor o abraçou carinhosamente, como se tivesse sentido falta dele naquelas três semanas de ausência. 

A explicação veio imediatamente: os editores não atenderem ao pedido que Mario havia feito antes de sua viagem, e o manuscrito La Mafia circulou. Por conta dessa desobidência, eles tinham acabado de receber uma oferta de US$ 375.000 pela edição em brochura. Entretanto, para desespero de Mario, o escritório não aceitou a oferta.

De repente, rico

Sem nada dizer, Mario Puzo saiu desse encontro diretamente para seu bar favorito, onde imaginava “afogar suas mágoas”. Às 22h daquele dia, o barman entregou-lhe o telefone. Houve um chamado para ele. Era o editor informando-lhe que havia fechado o contrato da edição em brochura por para US$ 410.000, a maior quantia já paga por uma edição de bolso.

o poderoso chefão
Anotações de Puzo sobre o roteiro de O Poderoso Chefão

Fontes: pt.celeb-true | nationalgeographic.com.es | infobae | independent.co.uk

A história de Mario Puzo é muito interessante e tem um outro capítulo em que são reveladas as fontes de ins´piração e a origem das falas mais famosas de seu romance. Aparece por aqui para saber mais durante a semana. E não perca a oportunidade de assistir “O Poderoso Chefão” nos cinemas na versão remasterizada. Acesse o zet na página inicial e escolha o cinema que você preferir, o combo que mais gostar e compre entrada pra toda família. No Zet não tem limite de ingressos 🙂

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