Cinema

“O Círculo” é uma adaptação ruim de um livro que já não era muito bom

·2 min de leitura·Irinêo Baptista Netto
“O Círculo” é uma adaptação ruim de um livro que já não era muito bom

É preciso saber perdoar.

Sim, Tom Hanks fez vários filmes que funcionam como distrações ótimas e você esquece rápido. Pense na trilogia que começou com “O Código Da Vinci” (2006), inspirada nos livros de Dan Brown. Para algumas pessoas, é até difícil diferenciar um filme do outro. Às vezes, do nada, ele vai lá e faz uns filmes estranhos, mas difíceis de esquecer, como “Negócio das Arábias” (2016). 

Mas alguns dos melhores filmes de Tom Hanks são aqueles sobre o homem comum que, pelas circunstâncias da vida, é colocado numa situação fora do comum. “Sully: o herói do Rio Hudson” (2016) é um exemplo desse grupo e transforma em filme o processo que julgou o piloto americano responsável por um pouso forçado no Rio Hudson, à sombra dos arranha-céus de Manhattan, salvando 155 pessoas. É Hanks quem faz o piloto.

Os personagens “Capitão Phillips” e Chuck Noland, de “O Náufrago”, também fazem parte da lista.

E, de vez em quando, ele se coloca em situações esquisitas e mal consegue disfarçar o desconforto. Ele parece fora do lugar. Ao menos foi assim que me pareceu em “Walt nos bastidores de Mary Poppins” (2013), no papel de Walt Disney.

Agora, na próxima quinta-feira (22), Hanks chega aos cinemas com “O Círculo”, vivendo o executivo Bailey, uma espécie de Steve Jobs com um bordão assustador: “Conhecer é bom, mas conhecer tudo é melhor”. Esse personagem não parece se encaixar em nenhum dos tipos que funcionam para Hanks. (A não ser que a gente crie uma categoria para as pontas feitas em filmes que deram errado.) De novo, e talvez isso seja uma coincidência, ele trabalha numa adaptação de livro escrito por Dave Eggers. O anterior foi “Negócio das Arábias”.

O estilo de Eggers é ligeiro e cinematográfico. Ele investe bem em cenas e diálogos. Na página, “O Círculo” foi pensado como uma sátira que mostra um perturbador futuro possível para o qual estamos caminhando com celulares nas mãos, fazendo selfies.

Depois de um passeio pelas críticas negativas que o filme recebeu nos Estados Unidos – e não foram poucas –, dá para supor que “O Círculo” é uma adaptação ruim de um livro que já não era muito bom.

Assista ao trailer 

 

 

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