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New Order, banda que mudou curso da música pop, faz show em Curitiba

·4 min de leitura·Sandro Moser
New Order, banda que mudou curso da música pop, faz show em Curitiba

“É muito difícil para uma banda causar impacto a ponto de mudar o curso da música. Fazer isso duas vezes então é incrível. Poucas bandas conseguiram”, disse o baixista Tom Chapman da banda New Order.

A banda inglesa toca pela primeira vez em Curitiba no dia 2 de dezembro, na Live Curitiba. Os ingressos estão à venda e custam entre R$ 220 e R$ 110. Assinantes do Clube Gazeta do Povo tem 50% de desconto na compra de até 2 ingressos.

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Na afirmação acima, Chapman se refere a sua banda atual, mas também à formação que a precedeu, o Joy Division, que existiu entre 1976 e 1980.
Como muita gente boa (inclusive eu), Chapman é adepto de uma teoria segundo a qual as duas bandas surgidas na cidade de Manchester foram, talvez, as mais influentes da música pop nos últimos 40 anos.

Por um lado, há o Joy Division que criou o padrão do que hoje chamamos de pós-punk, no final da década de 1970. O álbum de estreia, "Unknown Pleasures" (1979), com sua sonoridade peculiar, soturna, com elementos eletrônicos e letras intimistas e depressivas influenciou boa parte rock no caminho pavimentado pela banda, que terminou quando o vocalista Ian Curtis se suicidou, em 1980.

Por outro lado, no mesmo ano, contra todos os prognósticos, os membros remanescentes montaram o New Order. A nova banda não apenas sobreviveu a morte de seu líder como se tornou o nome principal da música pop do período. Para dar uma ideia, o single "Blue Monday", lançado em 1983, é o compacto mais vendido da história.

A música de letra ambígua, batidas eletrônicas secas e baixo grave foi o pilar da house music, o primórdio da era da música eletrônica atual, um tempo “em que até os brancos começaram a dançar”, segundo o jornalista Tony Wilson, então um dos sócios da gravadora Factory e um dos produtores do New Order.

MAdchester

Wilson e os membros do New Order foram sócios no clube Hacienda, uma casa noturna que foi o berço da explosão da música eletrônica que dominaria o mundo a partir dos anos 80 com a cultura das raves. E fez a cidade receber o apelido de "MAdchester". 

Chapman não fez parte da cena do Hacienda. Ele entrou na banda em 2011, substituindo Peter Hook. Mas garante que o show em Curitiba terá muito da energia e das faixas que a banda tocava em sua catedral.

“Sem querer entregar todo o ouro, o set list vai desde algumas músicas do Joy Division até o álbum mais recente, Music Complete (lançado em 2014)”, disse.

“Andamos revisitando o material mais antigo do New Order e incluímos muitas musicas no set list, que é um dos melhores que já montamos”, garante. Chapman conta que era fã antes de fazer parte da banda, e sabe tudo o que ela representa na música mundial.

“Uma das bandas mais amadas do mundo, uma das marcas mais fortes. Quando comecei a tocar guitarra eu me imaginava em uma grande banda fazendo grandes shows, e que as pessoas amavam as canções que a gente tocava. O New Order é este sonho realizado. Na Inglaterra, nós dizemos que é uma criança numa loja de doces“, falou.

Mas a despeito de toda esta história, Chapman afirma que o New Order é tudo: menos uma banda nostálgica. Segundo ele, o grupo está sempre à procura do que “está rolando de novo, o que vem virando a esquina”.

"Uma das coisas mais bonitas sobre o New Order é que o DNA da banda tem este impulso de criar constantemente. Nunca olhamos para o passado e sempre sobre hoje e amanha. Assumimos riscos, é assim que a gente sobrevive”.

Tudo é culpa do mau tempo

O New Order é de Manchester, a cidade industrial no noroeste da Inglaterra que é famosa por dois motivos: a indústria e o tempo ruim.  No século 19 foi o principal polo industrial do planeta. Suas fábricas transformaram a Inglaterra na primeira potência industrial global. Mais ou menos 100 anos depois, a cidade virou o maior celeiro de bandas de rock do mundo. The Smiths, Buzzcocks, Oasis, Happy Mondays, Inspiral Carpets, Joy Division, e claro,New Order.

O que tinha na cerveja de Manchester que causou tamanha profusão de boas bandas é a pergunta que os músicos locais não cansam de responder. “A resposta está na união de uma série de coisas, mas especialmente é o tempo. O tempo em Manchester é particularmente ruim. Seis meses dos anos a gente vive na escuridão e na chuva. Nos outros seis, tem céu cinzento e chuva. Eu acho que se você é um artista, você precisa se concentrar em criar para não enlouquecer”. 

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