New Order, banda que mudou curso da música pop, faz show em Curitiba

“É muito difícil para uma banda causar impacto a ponto de mudar o curso da música. Fazer isso duas vezes então é incrível. Poucas bandas conseguiram”, disse o baixista Tom Chapman da banda New Order.
A banda inglesa toca pela primeira vez em Curitiba no dia 2 de dezembro, na Live Curitiba. Os ingressos estão à venda e custam entre R$ 220 e R$ 110. Assinantes do Clube Gazeta do Povo tem 50% de desconto na compra de até 2 ingressos.
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Na afirmação acima, Chapman se refere a sua banda atual, mas também à formação que a precedeu, o Joy Division, que existiu entre 1976 e 1980.
Como muita gente boa (inclusive eu), Chapman é adepto de uma teoria segundo a qual as duas bandas surgidas na cidade de Manchester foram, talvez, as mais influentes da música pop nos últimos 40 anos.
Por um lado, há o Joy Division que criou o padrão do que hoje chamamos de pós-punk, no final da década de 1970. O álbum de estreia, "Unknown Pleasures" (1979), com sua sonoridade peculiar, soturna, com elementos eletrônicos e letras intimistas e depressivas influenciou boa parte rock no caminho pavimentado pela banda, que terminou quando o vocalista Ian Curtis se suicidou, em 1980.
Por outro lado, no mesmo ano, contra todos os prognósticos, os membros remanescentes montaram o New Order. A nova banda não apenas sobreviveu a morte de seu líder como se tornou o nome principal da música pop do período. Para dar uma ideia, o single "Blue Monday", lançado em 1983, é o compacto mais vendido da história.
A música de letra ambígua, batidas eletrônicas secas e baixo grave foi o pilar da house music, o primórdio da era da música eletrônica atual, um tempo “em que até os brancos começaram a dançar”, segundo o jornalista Tony Wilson, então um dos sócios da gravadora Factory e um dos produtores do New Order.
MAdchester
Wilson e os membros do New Order foram sócios no clube Hacienda, uma casa noturna que foi o berço da explosão da música eletrônica que dominaria o mundo a partir dos anos 80 com a cultura das raves. E fez a cidade receber o apelido de "MAdchester".
Chapman não fez parte da cena do Hacienda. Ele entrou na banda em 2011, substituindo Peter Hook. Mas garante que o show em Curitiba terá muito da energia e das faixas que a banda tocava em sua catedral.
“Sem querer entregar todo o ouro, o set list vai desde algumas músicas do Joy Division até o álbum mais recente, Music Complete (lançado em 2014)”, disse.
“Andamos revisitando o material mais antigo do New Order e incluímos muitas musicas no set list, que é um dos melhores que já montamos”, garante. Chapman conta que era fã antes de fazer parte da banda, e sabe tudo o que ela representa na música mundial.
“Uma das bandas mais amadas do mundo, uma das marcas mais fortes. Quando comecei a tocar guitarra eu me imaginava em uma grande banda fazendo grandes shows, e que as pessoas amavam as canções que a gente tocava. O New Order é este sonho realizado. Na Inglaterra, nós dizemos que é uma criança numa loja de doces“, falou.
Mas a despeito de toda esta história, Chapman afirma que o New Order é tudo: menos uma banda nostálgica. Segundo ele, o grupo está sempre à procura do que “está rolando de novo, o que vem virando a esquina”.
"Uma das coisas mais bonitas sobre o New Order é que o DNA da banda tem este impulso de criar constantemente. Nunca olhamos para o passado e sempre sobre hoje e amanha. Assumimos riscos, é assim que a gente sobrevive”.
Tudo é culpa do mau tempo
O New Order é de Manchester, a cidade industrial no noroeste da Inglaterra que é famosa por dois motivos: a indústria e o tempo ruim. No século 19 foi o principal polo industrial do planeta. Suas fábricas transformaram a Inglaterra na primeira potência industrial global. Mais ou menos 100 anos depois, a cidade virou o maior celeiro de bandas de rock do mundo. The Smiths, Buzzcocks, Oasis, Happy Mondays, Inspiral Carpets, Joy Division, e claro,New Order.
O que tinha na cerveja de Manchester que causou tamanha profusão de boas bandas é a pergunta que os músicos locais não cansam de responder. “A resposta está na união de uma série de coisas, mas especialmente é o tempo. O tempo em Manchester é particularmente ruim. Seis meses dos anos a gente vive na escuridão e na chuva. Nos outros seis, tem céu cinzento e chuva. Eu acho que se você é um artista, você precisa se concentrar em criar para não enlouquecer”.
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