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Matrix Ressurrections. Mas pode chamar de Matrix "lembra disso?"

·4 min de leitura·Patricia Mannarino
Matrix Ressurrections. Mas pode chamar de Matrix "lembra disso?"

Fomos assistir à pré-estreia de Matrix Ressurrections – ou Matrix 4 – e a conclusão é que Ressurrections deve agradar aos fãs da franquia. E apenas eles.

Ressurrections

Há muita expectativa em torno de Ressurrections. Afinal, o Matrix de 1999 é uma produção emblemática de ficção distópica – tanto pelo tema quanto pela introdução e utilização de efeitos especiais como “bullet time”, por exemplo. Outros elementos de destaque (ou não) são as referências à aforismos de pensadores como Platão, Baudrillard e até mesmo Lewis Carrol com “Alice no País das Maravilhas” – cuja filosofia bebe das mesmas fontes, inclusive.

Entretanto, Ressurrections é mais do mesmo: se por um lado agrada aos sedentos fãs da realidade alternativa e conturbada de Matrix, por outro não deixa de confirmar a sensação de “desnecessário” a quem, digamos assim, está fora da “matrix” de Matrix.

matrix
Imagem de divulgação: Warner Bros

Matrix “Reviews”

Na maior parte do longo filme (2h28m), Ressurrections é uma sequência de “lembra disso”. Várias cenas das versões anteriores permeiam o roteiro, ilustrando contextos que se perdem em vários “déjà vu” desde o momento em que o aguardado Neo/Thomas Anderson (Keanu Reeves) finalmente aparece na tela (aproximadamente 15minutos após a sequência inicial de luta que promete muito e se repete pouco ao longo da trama).

Os diálogos mantém o uso das máximas ao estilo “filosobol“: o que, no contexto de 1999, configurava um elemento coerente. Porém, atualmente, as crises existenciais de Neo, Morpheus e cia. e as citações das personagens – algumas já bastante conhecidas das produções anteriores – são um tanto chatas.

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Matrix 22 anos depois

Em Ressurrections, Thomas/Neo é colocado à prova para descobrir se sua realidade é uma construção física ou mental. Para isso, Neo terá que escolher seguir o coelho branco (mais uma vez). Se ele aprendeu alguma coisa, é que a escolha, embora seja uma ilusão, ainda é a única maneira de sair – ou entrar – na Matrix. Neo já sabe o que deve fazer, mas o que ainda não sabe é que a Matrix está mais forte, mais segura e muito mais perigosa do que nunca.

Muito se questionou sobre a realização desse novo Matrix. Aliás, a produção foi feita sem uma das irmãs Wachowski na direção, Lilly. A dupla Lana e Lilly dividiu a direção e roteiro de Matrix (1999) e das sequências Matrix Reloaded e Revolutions.

O retorno da franquia, 22 anos após o original, parece ter virado piada interna do próprio elenco. Utilizando a quebra da 4ª parede, a questão é discutida entre Neo e Smith em uma conversa em que sugerem que a demanda – surpreendente- foi imposta pela Warner Bros.

Podia ser Matrix Looping também

Finalmente, com excesso de flashbacks e clichês, o que Matrix não faz é sair da própria matriz. As lutas, as máquinas e até o “politicamente correto” uso de heroínas é raso. Destaque para Carrie-Anne Moss com o protagonismo tardio de Trinity. E a participação relâmpago de Christina Ricci como a executiva da empresa que apresenta a nova campanha de Matrix para Neo (Keanu Reeves). Aliás, Christina Ricci estava muito Zelda Sayre Fitzgerald, seu belo papel em “Z: o começo de tudo” (série, 2017, Amazon Prime Video).

Ressurrections é uma história em looping que tem Keanu Reeves em seu melhor papel – interpretando a si mesmo. E o grande mistério que prende o espectador que não é fã da franquia é que raios Keanu Reeeves faz para permanecer com a mesma aparência ano após ano.

Dica: para quem é fã do gênero, recomendo a série “O homem do Castelo Alto”, adaptação do livro de Philip Dick, disponível na Amazon Prime Video em 4 (excelentes) temporadas.

P.S: para momentos em que você, como Neo, tiver vontade de seguir o coelho branco, a dica é: vá ao cinema. A sétima arte funciona pra isso (também!). E pra caber no bolso, compre pelo Clube Gazeta. Vouchers para até sete pessoas com até 50% de desconto, promoções em combos de pipoca e refri e muito mais. Clique aqui.

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Patricia Mannarino
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