Baianos da Maglore se apresentam em Curitiba

O quarteto baiano de canções populares brasileiras com referências de pop e rock psicodélico, Maglore, está ganhando o Brasil. Com o lançamento do disco “III”, em 2015, a banda ganhou destaque revista Rolling Stone como um dos melhores discos do ano passado. O conterrâneo Carlinhos Brown, criador da Timbalada, chegou a comparar Teago Oliveira, frontman da banda, com Raul Seixas: “Além de dono das bases mais bem arranjadas da MPB, poeta e cantor, ele deixou um estilo a seguir. Encontro isso claramente no canto de Teago. Maglore é jazz-rock-MPB”, declarou.
Oliveira (voz e guitarra), Lucas Oliveira (voz e baixo), Lelo Brandão (teclados, guitarra e voz) e Felipe Dieder (bateria), se apresentam em Curitiba na sexta-feira (07), no Jonh Bull.
Para o vocalista, possivelmente, o timbre e o rock devem ter levado Brown à comparação. “Engraçado que apesar de ter ouvido Raul desde criancinha minha ligação musical é maior com Caetano e Gil. Mas o Brown foi muito bondoso com a comparação. Nunca vai haver outro músico que chegue perto de Raul”.
Curitiba
A banda tem uma música que se chama “Vampiro da Rua XV”, uma coicidência com o conto do escritor Dalton Trevisan "O Vampiro de Curitiba". “Saber que existe alguma relação como essas me deixa muito feliz. O brasileiro em si é muito trovador e isso faz parte da nossa música. Vou procurar conhecer o escritor”, conta o vocalista. Nas letras da Maglore, as referências literárias são um acessório e não são impostas de forma direta. “Gostamos muito de The Beatles de Rolling Stones, Pink Floyd, Chico Buarque e Bob Dylan; os dois últimos são ótimos exemplos de cronistas”, fala.
Estilo
“Somos uma banda de canções pop e todas as músicas são de nossa autoria”. Teago não considera a Maglore essencialmente psicodélica, apesar dos efeitos nos acordes. “O mundo inteiro vive um momento psicodélico por causa do indie novo, em que se destacam bandas como Tame Impala. O Brasil tem aproveitado essa onda e a estética é muito bacana”, fala. Para o músico, o país vive sua maior fase de música independente. "Tudo o que surge é competente e bom. É uma ótima safra”.
O show
No repertório do show, que encerra a turnê do III, serão cantadas músicas de seus três discos, como “Mantra”, “AiAi” (na trilha de Malhação), “Se Você Fosse Minha”, “O Sol Chegou”, “Café com Pão”, “Aconteceu”, “Vampiro da Rua XV”, “Demodê”, “Demais, Baby!”, “Tudo de Novo”, além de duas canções que estarão em seu próximo CD, com lançamento no segundo semestre de 2017: "Aquela Força" e "Você me Deixa Legal". “Temos uma intimidade com os fãs de Curitiba. Então queremos apresentar também as músicas novas do próximo álbum que deve ser lançado esse ano, mas ainda não fechamos nenhuma data”.
Próximo trabalho
A banda mudou e os integrantes também. O próximo disco, segundo Oliveira, será muito mais visceral em questão de letra, composição e posicionamento. “Ele ganha um tom mais político que os outros e os temas são bem mais amarrados”. Para o vocalista, as bandeiras políticas devem ser levantadas por todos os artistas, mas cada um precisa entender o seu próprio lugar de fala. “A Maglore é feita de homens brancos inseridos no conceito de luta. O meu som não fala com o intuito de aparecer ou tomar um espaço, das mulheres ou da galera do hip hop”.
Música digital
“Nunca foi tão fácil fazer com que as pessoas escutem o seu som e nunca foi tão difícil levar as pessoas para ouvirem sua música como público cativo”. Segundo Oliveira, existem muitas coisas novas e de qualidade surgindo, o que torna mais difícil fazer com que as pessoas escutem tudo. “As coisas estão menos glamorosas também. E ainda bem! O músico precisa ser visto como um profissional como qualquer outro, não como astro de Hollywood. A gente não tem que querer tocar no Faustão para ser feliz e pagar as contas”.
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