Madeleine Peyroux volta a Curitiba com apresentação de jazz

Um show da cantora e compositora Madeleine Peyroux, por sí só, é um acontecimento. A cantora é um dos nomes mais importantes do jazz contemporâneo, gênero que ajudou a arejar.
Sinônimo de bom gosto no palco ou em disco com versões jazzy e cheias de groove dos grandes compositores do século como Bob Dylan e Leonard Cohen – isso sem falar do próprio material que escreve.
O concerto que a francesa traz a Curitiba apresenta as canções de seu mais recente álbum, Secular Hymns. No trabalho recebido com entusiasmo por fãs e críticos de jazz, Madeleine levou seu guitarrista Jon Herington e o baixista Barak Mori a uma pequena igreja do século 12 no interior da Inglaterra e gravou numa tacada só músicas de compositores tão diferentes como Tom Waits, Stepehn Foster, Eric Clapton e Patti Smith.
Entre os elogios ao álbum, o mais repetido é que a gravação ao vivo em com a formação em trio, consegue fazer justiça as performances ao vivo de mme. Peyroux, ela que iniciou a carreira como cantora de rua em Paris e domina a arte de entreter o público que para (ou paga) para vê-la.
O disco, porém, tem um conceito quase filosófico que explica um pouco o jeito como Mad entende a música. Para ela a música é uma força espiritual com uma força equivalente à das religiões.
A começar pelo nome do álbum Secular Hymns (Hinos Seculares) que é um paradoxo que diverte a cantora. “São palavras com significados imprecisos. Hino faz pensar em algo para cantar dentro da igreja, mas também em canções para se cantar junto, algo com uma força histórica”, disse.
“Secular” pode ser definida como algo oposto ao que é religioso. “Uma palavra que tem um peso negativo na maioria dos idiomas, mas que também pode significar algo bom: um modo de vida humanista”, explica. A ideia do álbum, portanto, é juntar os dois lados: “o material e espiritual na mesma atmosfera de música”.
Ela revela que a “música” (com M maiúsculo) é uma espécie de denominação religiosa para quem a pratica. “Muitos de nós somos devotos da música, um poder muito alto que nos guia e pode ser uma experiência espiritual extraordinária para um músico que de certa forma abre espaço para um sentimento místico”.
E o que é uma mistura do sagrado com o profano do que uma canção de Tom Waits cantada como um jazz rasgado por Madeleine Peyroux?
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