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M3GAN divide opiniões e estoura bilheterias nos EUA

·3 min de leitura·Patricia Mannarino
Megan

M3GAN, da Universal Pictures, estreia nesta quinta com promessa de terror que não assusta

M3GAN, coprodução Universal Pictures e Bloomberg entre EUA e Nova Zelândia, não é um filme totalmente ruim, apesar de ser previsível, ter problemas de ritmo, ser repleto de clichês, obviedades e arrancar mais esboços de risos do que sustos. A parte “politicamente correta” é a reflexão sobre como pais (ou tutores) e filhos terceirizam seu relacionamento a instrumentos tecnológicos. No caso de M3GAN, a boneca em si; no mundo real, tablets, celulares, videogames, YouTube.

Sinopse

M3GAN é uma “maravilha” da inteligência artificial, uma boneca realista programada para ser a maior companheira de uma criança e a maior aliada dos pais. Projetado pela brilhante empresa de robótica Gemma (Allison Williams, de Corra!), M3GAN pode ouvir, assistir e aprender enquanto se torna amiga e professora, companheira de brincadeiras e protetora da criança a quem está ligada.

É da observação da assistente social responsável por acompanhar a adaptação entre Cady (Violet McGraw) e a distante tia Gemma (Allison Williams) que surge a “pérola” do filme todo: a Teoria do Apego.

Aliás, a ótima atriz Amy Usher é quem faz o papel de Lydia, a assistente social que pergunta se a boneca não estaria substituindo o vínculo que a tia deveria ter com a sobrinha.

Referências

M3GAN é um patchwork de referências. A questão é se o público adolescente que costuma curtir esse tipo de produção terá repertório suficiente para reconhecer essas nuances ou se as “piadas internas” ficarão de fato “internas” – restritas aos produtores e espectadores adultos.

1.Azimov e Mary Shelley

Não é uma alusão, mas é impossível não pensar em Isaac Asimov ao assistir qualquer engenhoca tecnológica criar consciência e se tornar uma ameaça ao ser humano. Um olá a Eu, Robô (2004) e O Homem Bicentenário (1999). Justiça seja feita, Mary Shelley e Frankstein são os argumentos originais.

2.Chucky

Sabemos que a boneca vai se tornar S4TANÁS e eliminar alguns desafetos – tanto quanto seu antecessor Chuck, o boneco do mal é evidente principalmente na cena em que M3GAN sofre alguns golpes de tia Gemma e volta com uma cicatriz igual a do “brinquedo assassino”. Aliás, um cross over cairia bem num metaverso que reunisse Chucky, Anabelle e M3GAN.

3.O Exterminador do Futuro

A cena final, inclusive, é uma alardeada referência a O EXTERMINADOR DO FUTURO, quando M3GAN, cortada ao meio, rasteja até Cady assim como o T800 faz no final icônico de O Exterminador do Futuro.

Efeitos Especiais: orelhas de borracha

A cena bizarra que faz M3GAN quase esbarrar num slasher – faltando para isso muito mais esforço tanto no roteiro quanto na produção – acontece no momento em que a boneca encontra um menino mal criado em uma escola alternativa. M3GAN agride o garoto esticando suas orelhas ao limite máximo do que pode alcançar suas ridículas próteses de silicone.

Afinal, M3GAN é um sucesso

Apesar do que achei, M3GAN tem apresentado uma performance positiva como produto, tendo sido “paga” logo no primeiro fim de semana de estreia, em 06 de janeiro deste ano, com arrecadação acima de $90 milhões de dólares – isso para um orçamento/custo de US$ 12 milhões.

Com isso, M3GAN já é considerada uma promessa de franquia de sucesso na categoria BRINQUEDOS ASSASSINOS, dividindo o pódio com Chucky e Anabelle. Ou seja, M3GAN é aquele produto necessário para os estúdios garantirem alcance e grana enquanto bancam outros gêneros de produção e elenco caros.

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