Litercultura: mais enxuto, festival literário mira a América Latina

Entre os dias 14 e 18 de agosto acontece a quinta edição do festival literário Litercultura, o mais importante evento literário de Curitiba. Neste ano, motivado pela crise econômica epor uma opção da curadoria, o festival ficou mais enxutor, mudou de local (será na Capela Santa Maria) e de formato .
Nesta edição, cinco autores brasileiros foram instigados a escolher um escritor hispano-americano que os tenha influenciado. Cada um dos convidados deveria se colocar no lugar do leitor destes autores. Assim, Vladimir Safatle, Julián Fuks, Marcia Tiburi, Manuel da Costa Pinto e Christian Dunker vão discutir, respectivamente, as obras de Roberto Bolaño, Juan José Saer, Juan Rulfo, Roberto Alrt e Adolfo Bioy Casares.
Nos debates, que acontecem cada um em um dia de festival, os convidados vão abordar questões estéticas, sociais e políticas de sua relação com estes autores que dialoguem com temas do Brasil contemporâneo e sua relação com os demais países do continente.
A diretora do Litercultura, Manoela Leão, explica que o novo formato é uma forma de “voltar a ideia inicial do festival que sempre foi aprofundar as discussões sobre literatura e cultura, sem que isso fosse guiado pelos lançamentos do mercado editorial”. É também uma maneira de fugir do formato tradicional das mesas literárias dos diversos festivais que existem pelo país.
“Quando o [sul-africano vencedor do prêmio Nobel J. M] Coetzee veio na primeira edição (em 2013), ou quando o Alberto Manguel veio na seguinte, eles não estavam divulgando seu livro mais recente, mas sim preocupados em trazer o pensamento que eles produziram em toda sua trajetória literária. Vamos retomar esta ideia”
Manoela não esconde que a diminuição do período e do número de evento do festival em relação aos anos anteriores é uma forma de se adaptar à realidade de crise econômica que tem levado à míngua muitos eventos semelhantes.
”Hoje o Litercultura é um ato de resistência e amor. Sempre digo que se um dia for necessário fazer no salão de festas do meu prédio e com autor em pé, nós seguiremos fazendo”.
Ingressos gratuitos
O quinto ano do festival é o terceiro com curadoria de Manuel da Costa Pinto. O Litercultura usa recursos do Mecenato Municipal através do patrocínio do Circuito Ademilar. “Li um a pesquisa que mostra que a maioria dos eventos morre após a segunda edição. Quando um festival como o nosso chega ao quinto ano, como o nosso, é por que ele começa a se entender com seu propósito”.
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