Lenine faz show em Curitiba e avisa que só decide o repertório no dia

Nem Lenine sabe quais músicas irá cantar no show desta sexta-feira (26) às 21h15 no Teatro Positivo. “Eu só defino o repertório na passagem de som”, disse o cantor em entrevista exclusiva ao Guia Gazeta do Povo. “Deixo a adrenalina do momento e a banda que me acompanha há tanto tempo me ajudarem a decidir na hora”.
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O show ainda é parte da turnê do elogiado álbum Carbono, lançado em 2015 e que está na estrada desde então. E o repertório certamente irá contar com boa parte das canções que compõem o trabalho, além de vários dos sucessos de Lenine como compositor.
O pernambucano tem uma trajetória peculiar na música brasileira. Primeiro foi compositor profissional, abastecendo discos de artistas como Elba Ramalho, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil e Ney Matogrosso. Só anos mais tarde foi à boca de cena para defender suas próprias canções. Ele revela que se sente “mais compositor” e acha que ainda tem limitações como intérprete.
“Mais de 50% do que eu produzi não me sinto capaz de cantar. Na verdade, eu sou compositor antes de qualquer coisa. Compor é uma coisa maravilhosa, é se descolar do ego. É se transportar para a cabeça de quem vai cantar e imaginar palavras e sons que sejam coerentes com aquela pessoa”, filosofa.
Assim a relação entre os dois “Lenines”, o cantor e autor se baseiam em uma “autonomia estética” que o artista define numa frase: “no palco, eu só faço o que eu gosto e por isso eu gosto muito mesmo do que eu faço”.
Veja o clipe da canção "Simples Assim":
Com três décadas de estrada, onze álbuns lançados desde 1983 quando resolveu trocar a profissão de engenheiro químico pelo violão, Lenine se diz movido por uma “compulsão de sentir o prazer adolescente que a musica me dá”.
Ele afirma ainda que após tanto tempo de carreira, as pessoa reconhecem uma “assinatura” no que faz. “Não foi uma procura, mas me enche do orgulho saber que de alguma forma eu influencio alguém como Jorge Bem, Djavan e Gonzaguinha fizeram comigo no passado”.
Lenine diz que, no entanto, desconfia de tudo o que se diz sobre o seu trabalho, inclusive de sua própria opinião. “Não sou chegado a dogmas, sou um curioso na música e também não acredito no que se fala sobre o que eu faço, para o bem ou para o mal”.
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