Leia Mulheres promove discussão sobre série napolitana, de Elena Ferrante

A misteriosa autora italiana Elena Ferrante vem conquistando cada vez mais leitores com sua saga napolitana. Tanto que, dos quatro livros da série, todos já lançados no Brasil pela Biblioteca Azul, dois deles figuram atualmente entre os mais vendidos do país segundo dados da Publishnews (que reúne e soma os números de títulos vendidos pelas principais livrarias físicas e online brasileiras). Justamente por isso, a tetralogia foi escolhida como tema do próximo Leia Mulheres em Curitiba, projeto visa a incentivar e discutir a leitura de obras literárias de autoria feminina. A discussão está marcada para o próximo dia 24, na Casa de Leitura Miguel de Cervantes.
“O tema dos encontros é escolhido previamente e aí marcamos uma data mensal para discuti-lo. Nesse caso, a escolhida foi a Elena Ferrante porque ela se tornou uma autora mitológica, a escrita dela pega todo tipo de leitor e sentimos uma necessidade imediata de conversar sobre Lina, Lenu, Nino e Nápoles. É uma demanda do público, acima de tudo, e acabou se tornando um evento esperado por quem frequenta o clube há mais tempo”, explica Emanuela Siqueira, organizadora dos encontros por aqui.
Este, na verdade, será o segundo encontro marcado pelo grupo para discutir a obra de Ferrante. O primeiro, realizado ano passado, teve mais de três horas de duração – e o tema principal foram os dois primeiros livros da série. Dessa vez, a conversa será sobre os quatro livros. A participação é gratuita e não é preciso se inscrever previamente – é só chegar no dia e horário marcados e levar algo (comida e bebida) para partilhar com o grupo.
Confira mais informações na ficha abaixo:
A saga Napolitana
Dividida em quatro livros e quase 1700 páginas, a história das protagonistas Lila (ou Lina) e Lenu atravessa décadas. A tetralogia começa com A Amiga Genial, que mostra as duas amigas vivendo a infância no bairro onde nasceram, em Nápoles, na Itália. Pobre, agressivo e conservador, o bairro é todo o universo das meninas, que aos poucos vão descobrindo que o mundo vai além dos limites da vizinhança.
A complexidade da trama (e da amizade delas) evolui enquanto elas envelhecem – História do Novo Sobrenome, segundo volume, já mostra a adolescência e início da vida adulta das duas. Em volta delas, o mundo vai mudando. O entorno das protagonistas ganha espaço especialmente no terceiro e quarto livros, História de Quem Vai e de Quem Fica e História da Menina Perdida. Os costumes do bairro (e da própria Itália) se modificam – Lenu descobre-se e se assume feminista; a Itália vive um momento político conturbado; há luta operária, atentados terroristas, sequestros e o fortalecimento da máfia.
Tudo isso em meio às confusões de suas próprias vidas e as relações uma com a outra, com maridos, ex-maridos, filhos, amigos, colegas. As garotas começam sua saga escrevendo livros à mão e terminam se correspondendo via email – é uma narrativa que atravessa o século XX. “O que a Elena Ferrante faz com sua literatura que pega tanto assim nos leitores? Sempre tentamos chegar nessa resposta”, diz Emanuela.
A autora
Não se sabe ao certo quem é Elena Ferrante – há indícios de que, na realidade, se chame Anita. O que se sabe apenas é que a autora italiana evita os holofotes, por isso escreve sob pseudônimo. O que, especialmente na era digital, desperta curiosidade e interesse. Em uma das poucas entrevistas que deu, nesse caso ao New York Times, comentou sobre o processo de produção da série de TV baseada em sua tetralogia.
Ela disse duvidar que a série se torne o próximo fenômeno global, como Game of Thrones, mas diz que lê todos os roteiros e manda notas detalhadas com observações sobre a produção. A primeira temporada da série, que será toda em italiano, terá oito episódios e deve estrear nas telas da HBO em 2018.
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