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Zeca Corrêa escreve poemas que refletem a velhice

·2 min de leitura·Sandro Moser
Zeca Corrêa escreve poemas que refletem a velhice

Tudo começou em uma noite em que Zeca Corrêa Leite andava pelo Largo da Ordem. Durante a 'andança' surgiu na sua mente os versos que formam o poema "O Velho". O texto ocupa 31 das 102 páginas do livro “O Velho e Alguns Escritos” que será lançado pelo jornalista e escritor nesta quarta-feira (17), na Livraria da Vila, no Pátio Batel, às 19h.

Ele conta que queria escrever algo para o ator Emilio Pitta, mas “daí apareceu o ‘velho’ falando aquelas coisas um tanto ríspidas, mas eu não tinha noção do que viria em seguida. Foi um envolvimento entre eu e ele, acompanhei seus passos”. Corrêa Leite já participou de várias coletâneas e também escreveu para teatro e letras de música.

A narrativa mostra um homem em idade avançada que olha pra dentro de si e descobre certezas e fragilidades. O autor disse que não teve intenção de retratar a velhice como um período terrível. “Não penso que seja assim. Dependendo do ângulo com que se olha a vida, ela é terrível a jornada inteira; não é só na velhice”.

Para Corrêa Leite, envelhecer é algo “liricamente belo”. “Aliás, na minha concepção, viver é algo liricamente belo, mesmo que a gente passe por coisas terríveis, chegue ao fundo do poço e descubra que tem outro fundo para piorar a situação”, brinca.

Otimista, o poeta confessa que se alimenta de esperança.  “Se você respira é porque você tem esperança. E esperança é sempre por algo melhor. A gente só vem a perceber lá na frente do caminho que no passado a esperança nos catapultou para o futuro“, filosofa.

Poesia numa hora dessas?

Perguntado se o momento de politicamente conturbado é propício para o lançamento de um livro de poesias, Corrêa Leite rebate: “E por que não lançar?” Ele lembra que participou de coletâneas poéticas em tempos que “realmente obscuros e opressivos”, na década de 1970, durante a ditadura militar.

“Hoje a estranheza, para mim, está no discurso que raivosamente tenta legitimar os atos vis, podres, buscando justificar a ladroagem”, disse. “Escrever poesias é meu respiro, minha esperança na forma que tenho de viver e amar a vida sem alarde, bem do meu jeito, envelhecendo”.

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