King Richard – criando campeãs, coloca Will Smith como favorito ao Oscar

Will Smith (Um maluco no pedaço, Homens de Preto I e II) faz o papel de King Richard (Richard Williams), o obstinado pai que luta contra todas as probabilidades e transforma as filhas – Serena e Vênus – em campeãs mundiais de tênis.
Se isso lhe pareceu clichê, a bem da verdade é que soa dessa forma. Porém, você vai se surpreender: assim como a vida de Richard Williams parecia predestinada à obsolescência, o filme de Will Smith tinha tudo para ser enfadonho e previsível. Afinal, convenhamos: a sinopse não é das mais empolgantes, tampouco o esporte das meninas é dos mais populares. Só que não.

Cena de King Richard | Divulgação 
Richard Williams, Vênus e Serena | Internet
Porque King Richard é bom
Mesmo ciente que o foco da trama seria a vida do pai, nos momentos iniciais – confesso!- estava doida para assistir às meninas Vênus ( Saniyya Sidney, 15) e Serena (Demi Singleton,14), julgando que a controversa personagem do pai (Richard) não tinha nada demais para oferecer.

Will Smith é tão espetacular e hipnotizante que entrega mais do que promete, deixando a história das meninas em destaque secundário, embora tudo gire em torno de suas carreiras. Aliás, outra figura de peso do filme é a atriz que faz sua esposa e mãe de Vênus e Serena (além de outras três filhas): Aunjanue Ellis.

Aunjanue é Brandi Williams, técnica de enfermagem e ex-atleta que, junto ao marido, trabalha muito e treina as meninas nos horários vagos, revezando a tarefa com Richard.
Ellis cresce na trama a partir da segunda parte do filme, mostrando-se tão contundente e significante na carreira das filhas quanto o pai, Richard. A atriz também é uma aposta dos críticos para o Oscar de melhor coadjuvante. A propósito, em umas das cenas em que mãe e filha conversam sobre coragem e preconceito, o nome da atriz surge como referência a um filme exemplar. Porém, não consegui identificar qual era o título. Pesquisei e encontrei alguns bem interessantes, todos com Aunjanue:
- Miss Virginia (2019)
- Pimp (2019)
- Histórias Cruzadas (2012)
Entre as séries, provavelmente você se lembre de Aunjanue de:
- Lovecraft Country (HBO)
- Quântico (Netflix)
- Meu Nome é Liberdade
- NCIS: Los Angeles (Netflix)
O curioso Richard Williams
Como toda cinebiografia, há muitos aforismos (inclusive porque na vida precisamos desse tipo de frases em diversos momentos.). Entretanto, alguns são muito pertinentes ao pai que trabalha arduamente e dorme pouco: “quem dorme só consegue sonhar”.
Richard Williams é um homem interessante, autodidata, traumatizado, resiliente e, mais do que tudo, surpreendente, polêmico e cujas atitudes têm duplas interpretações.
Como a maioria dos espectadores e críticos apostam, Will Smith é sério candidato ao Oscar 2022. Sua caracterização está perfeita – sem exageros -, incluindo o leve prognatismo de Richard (quando a mandíbula e os dentes inferiores se projetam para a frente dos superiores) – que só descobri ao checar a foto do pai das meninas, já que durante o filme cheguei a pensar no que teria ocorrido com Will ou se ele já tinha a arcada assim em Homens de Preto.
O roteiro é bem escrito e amarrado, a direção de Reinaldo Marcus Green também é digna de comentário, principalmente nas cenas de treinamento e jogos (já que eu não consigo acompanhar a lógica do tênis e nem a velocidade da bolinha em campo).
Enfim, as 2h24 de filme passam e você nem percebe. Gostei da história e quando o filme acabou, corri na livraria na esperança de achar a biografia de Richard Williams. Não encontrei, mas nos lançamentos está a novíssima bio de Will Smith.
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