John Mayer mostra que é um músico completo, mas não lota a Pedreira

Se John Mayer quer suplantar a imagem de falastrão e prevalecer a de um artista relevante (que ele é, convenhamos), podemos dizer que ele deu mais um passo neste domingo (22), na sua primeira apresentação em Curitiba.
O americano se mostrou um músico completo: que sabe jogar seu charme para o público, canta muito bem e, principalmente, toca muita guitarra. Ele sabe dedilhar as seis cordas como poucos. Não é à toa que sua habilidade com o instrumento conquistou o respeito de gigantes como Eric Clapton e Buddy Guy, com os quais dividiu o palco algumas vezes. Mayer é um instrumentista talentoso. Também deu show no violão.
Esta característica talvez explique a escolha da dupla de violonistas que iniciou os trabalhos musicais na Pedreira Paulo Leminski, os mexicanos Rodrigo y Gabriela. Os dois não animaram o público no local, mais uma semelhança com Mayer, que subiu ao palco às 19h18, e não conseguiu levar o público ao delírio – com exceção de uma ou outra música.
Para apresentação, ele escolheu um look bem mais discreto do que o florido que usou para viajar ao Brasil: calça cáqui, camiseta e moletom cor de rosa, com modelagem de quimono. Um jovem de 40 anos. Na plateia, muitos casais trocavam carícias entre uma música e outra, fazendo lembrar a obsessão da personagem de Emma Stone em “Amizade Colorida” – e de um namorado que faz companhia (ou não) para o show romântico. Para este público, uma lamúria: não teve “Your Body is a Wonderland”, um de seus clássicos.
O público esperado na Pedreira Paulo Leminski era de 25 mil pessoas, mas apenas 10 mil compareceram.
Foi a primeira vez que a turnê “The Search For Everything” passou pela América Latina. A apresentação de duas horas (cravadíssimas!) foi dividida em quatro capítulos – como uma série que gostamos de acompanhar. O formato ainda contou com miniapresentações e projeções, como quando ele explicava a sintonia que tinha ao compor o Trio, onde John Mayer divide o palco apenas com o baterista Steve Jordan e o baixista Pino Palladino.
O primeiro ato foi o “Full Band”: com a banda completa passeando por todo o seu trabalho – uma espécie de cartão de visitas. Ele subiu ao palco tocando “Moving On and Getting Over”, mas foi “Helpless” a preferida do público.
No segundo ato, John começa sozinho e logo toca um dos seus maiores hits “Daughters”. As músicas “Neon” e “Dreaming With a Broken Heart” também foram tocadas.
O terceiro e mais pesado momento do show é ao lado do Trio, com direito a “Crossroads”, “Vultures” e “Who Did You Think I Was”.
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No último ato, que também é o mais longo, a banda completa voltou com John Mayer. E, para encerar o show, o melhor dos solos de guitarra em “Gravity”. Foi assim que o telão ajudou anunciou: “Chapter 5: Epilogue” – e os créditos começam a subir. Agora, Mayer ainda leva sua música para Porto Alegre (24) e Rio de Janeiro (27).
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