Dizzy abre seu jardim e mostra o lado ensolarado do jazz

Um bom clube de jazz precisa ter um ambiente intimista, com pouca luz e ser um refúgio seguro para boêmios e apreciadores de música. Algo que o Dizzy Café Concerto tem oferecido à noite desde que abriu suas portas em 2014. Neste mês de junho, porém, a casa mostrou sua outra face: ensolarada, verde e acolhedora.Trata-se do Jardim do Dizzy, um amplo espaço localizado nos fundos do casarão centenário, no centro histórico.
Neste sábado (1), o Jardim do Dizzy abrirá para seu segundo evento: uma festa cubana com o grupo El Merekumbé e discotecagem de Tomás Ramos, dj do programa Radio Espanha na Mundo Livre FM. A festa é latina, mas com um toque de festa junina, pois serão servidas guloseimas do inverno sul-brasileiro, cervejas especiais e vinhos.

Para Ieda Godoy, uma das sócias da casa, o jardim funciona como um “lado b” do Dizzy. “Uma espécie de avesso. Chegamos até a chamar de Bird (apelido do saxofonista Charlie Parker 1920-1955), mas depois achamos que podia confundir o público e optamos por ser mais diretos e chamar de jardim do Dizzy".
Ieda conta que tinha planos para o quintal tão logo visitou o imóvel, no início de 2014.“Era apenas um inóspito estacionamento. Achamos um desperdício de espaço. Primeiro, por se tratar do centro da cidade e, segundo, por haver dois estacionamentos colados ao bar“.
Ela e seu sócio (e companheiro), o pianista Jeff Sabbag, queriam “algo simples, acolhedor, com muitas plantas e com a menor despesa possível", já que não são proprietários do imóvel.
Assim, Ieda se entregou de corpo e alma à transformação do Jardim do Dizzy desde o início de 2017. “Me envolvi totalmente. Fui carpindo… Limpando… E plantando tudo que via pela frente. Fiquei louca por plantas. Comecei a ler tudo a respeito. Passei todos os dias nesse jardim. Tomei sol, garoa, tempestade. Amei cada dia que passei ali vendo a mágica acontecer”, disse.
Sabbag cuidou da iluminação, de colocar as casinhas de passarinhos nas Araucárias e de construir a fonte, uma espécie de altar profano no meio do quintal, embaixo de um pé de romã. Ao lado do teto de samambaias, um dos xodós de Ieda. “É o cantinho da Frida [Kahlo]. Tem um clima de aconchego e espiritualidade. É bom rezar ali. Ali tem Frida, Buda, Oxum e barulhinho de água”.
Prancheta e coração

Ela conta que o projeto foi tocado na base do “coração e intuição”, mas a partir da prancheta da arquiteta Cláudia Vega. “Acho muito perigoso fazer obra sem arquiteto. Ao mesmo tempo, é importante ter um arquiteto ou arquiteta que compreenda o teu desejo e o teu bolso”, diz ela.
A ideia da casa é programar duas festas por mês, sempre aos sábados. Com entrada cobrada na porta e consumo pago no ato. A casa abre às 16h e não cobra entrada até às 17h. “Sempre com comidas e bebidas especiais e baratas. Tudo simples, bonito, gostoso e alegre”.
A próxima festa, em meados de julho, será com jazz cigano em homenagem ao cineasta Woody Allen.
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