IT: a Coisa – palhaço Pennywise está de volta

Palhaços são figuras controversas. Por vezes associados à piadas e brincadeiras, podem ser também sinônimo do personagem sinistro que aterroriza o imaginário de muita gente. No caso de sete crianças de uma pequena cidade dos Estados Unidos, inclusive, aterrorizam um pouco mais do que o imaginário. O filme IT: a Coisa, que chega aos cinemas de Curitiba nesta quinta (7), revive a figura de Pennywise – por fora, um palhação de cabelos ruivos desgrenhados; por dentro, a Coisa.
A história é baseada no romance homônimo de Stephen King – que, inclusive, já foi adaptado para o cinema em 1990. Só que essa versão se desenrola no final dos anos 1980, enquanto no livro a história acontece na década de 1950. A mudança se deve, possivelmente, a esse apelo oitentista irresistível que ronda o público atual com idades a partir de 30 anos. É simplesmente impossível não gostar do grupo do grupo de garotos (e garota, claro, afinal, é preciso preencher todas – ou quase – minorias para formar o Clube dos Perdedores) que anda de bicicleta e quer desvendar acontecimentos misteriosos envolvendo a pacata cidade de Derry, no Maine.
Algumas crianças estão desaparecendo. E logo eles – e somente eles, as crianças – vão entender o motivo. A Coisa é uma entidade que se alimenta do medo infantil, e que se encarrega de apavorar ao máximo suas presas antes de levá-las para sempre. Para isso, cria ilusões para dar a impressão de que estão sendo atacadas por zumbis, figuras medonhas, criaturas e sangue.
Essa estética dos anos 1980, com crianças, bicicletas e palhaços assassinos em uma pequena cidade é tanto um positivo quanto negativo. Ao mesmo tempo em que atrai e cativa o público, é também um grande clichê. Além disso, o longa tem outros dois contra: 1) o fato de ser, literalmente, um longa (são quase 2h15 de projeção) e 2) o fato de mostrar demais, armadilha em que frequentemente caem os filmes de terror modernos, já que há muitos efeitos especiais disponíveis.
Por outro lado, o filme tem seus momentos de humor bizarro (como os programas passando nas televisões em alguns momentos, sátira às transmissões típicas dos anos 1980) ou falas absurdas de Pennywise, o palhaço, que são ao mesmo tempo assustadoras e quase divertidas (“se você morasse aqui, já estaria em casa”, diz ele a um dos meninos, em frente a sua casa mal assombrada) que são capazes de divertir os entusiastas de humor negro.
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