Comportamento

O que aprendemos com Homem-Aranha: sem volta para casa

·6 min de leitura·Pascoal Zani, CRP 08/04471, psicólogo
homem-aranha

Homem-Aranha: sem volta pra casa traz interessantes reflexões para a vida e reafirma o lugar de Peter Parker como o humano mais legal do Universo Marvel.

Luto e perda de identidade

Novamente Homem-Aranha traz reflexões muito interessantes sobre comportamento humano. O primeiro filme trouxe a descoberta das forças que o diferenciam e o segundo reforçou sua missão de vida, sempre cativando pelo lado humano do herói. Agora, o mais recente sucesso de bilheteria apresenta desafios importantes a superar, como a busca de soluções para a revelação da sua identidade secreta e o luto, por exemplo.

Sem volta para casa” é um título que representa bem o sofrimento vivido pelo super herói.  Afinal, quando está em crise, o que lhe traz mais alívio do que sentir o aconchego do lar? Como você reage quando pensa que a vida desconstruiu a sua zona de conforto, forjando um caminho desconhecido? Ou que a “dor do crescimento” exigirá novas atitudes? A quantas anda a sua coragem de recomeçar?

A busca do autoconhecimento

Recuperar o segredo da identidade original, o mote principal do protagonista, pode ter vários significados e exigir ações pontuais:

  • reforçar a identidade pessoal e a autonomia;
  • assumir a responsabilidade por resolver as questões da sua vida;
  • trabalhar com eficácia profissional e garantir as necessidades de descanso e de reposição de energia;
  • manter-se dedicado a uma luta sobre-humana, mas saber que também gozará do prazer de ser um homem comum, que sente a fragilidade humana, ama, chora e ri; 
  • blindar-se ou elaborar formas de sobreviver a críticas ou julgamentos excessivos, para manter sua sanidade, recuperar a paz e a capacidade de trabalho;
  • deixar em segurança e conforto as pessoas que ama;
  • tomar decisões mais maduras e aderentes aos seus valores;

Tendo um problema a resolver, o Homem Aranha vai à busca de soluções, como você faria, não é?

A Inteligência Emocional fortalecendo a identidade

Diante das ameaças, o Homem-Aranha conclui que é hora (sempre é) de ir à luta por si mesmo. E ele não paralisa. Ele age.  Afinal, antes de ser efetivo em ajudar a todos (sua legítima preocupação: “tem muita gente se machucando”) é essencial fazer o dever de casa de se manter bem consigo: autocuidado, autoestima, identidade preservada, clareza sobre os valores que o norteiam; uso consciente das forças e habilidades; busca por soluções e luta persistente contra os obstáculos.

Homem-Aranha em xeque

O trailer traz o alerta ao protagonista: “você está tentando viver duas vidas diferentes. E quanto mais continuar assim, mais perigoso ficará.” A falta de objetivo claro ou de foco na execução das estratégias a respeito dele mantém a desregulação emocional, dificultando a sua produtividade e os seus relacionamentos.

Para fortalecer a identidade é preciso decidir. O que torna difíceis suas escolhas? Pensar demais e nunca ter certeza do melhor? Ter medo de errar ou de desagradar alguém?  Ou o apego demasiado “ao não escolhido”?

Sim, é raro conseguir “o melhor dos mundos”. Existem soluções que você não enxerga no desespero, mas elas existem. Acalme-se, distraia-se e reveja opções. Várias exigem abdicar de algo ou alguém de quem gosta muito, aceitar a imposição da realidade ou abandonar uma ideia obcecada. Qual renúncia você precisa fazer para iniciar novo ciclo de Vida?

Em meio ao caos, é preciso “sair da cabeça e ir para as mãos”, deixar de tanto pensar, “sair do seu mundinho” e agir em defesa própria.  Você faz assim?

Lidando com o erro e com o fracasso

Quem disse que Super Herói tem vida fácil? Que tal se espelhar nas superações de Homem-Aranha e no uso eficiente das suas forças para romper dificuldades? Suas primeiras tentativas foram frustradas e geraram consequências indesejáveis. O desejo de solução complexa e perfeita foi determinante para o fracasso. Com você é assim também?

E se acontece, seus pensamentos são de desistir ou de buscar alternativas? Que tal aproveitar as lições do que não deu certo, fazer do erro o combustível do aprendizado? Com quantos fracassos você faz um sucesso?

A vivência do luto

Em meio a uma jornada eletrizante, a arte, imitando a vida, impõe o luto. Quem disse que você não é exigido como super-herói, mesmo sendo um belo e vulnerável ser humano? Mas, e se agora, em plena crise, já não há mais como receber o carinho esperado?

Se a vida é feita também de perdas, quanto você perdeu de si e das pessoas amadas até aqui? Enlutar-se é iniciar a despedida, cuidar daquela lembrança que ainda será melhor processada para depois doer menos.

Apesar da dor de perder quem ama e oscilar entre as tradicionais fases de negar, entristecer, deprimir, barganhar, aceitar e ressignificar, você continua vivo e é necessário seguir em frente.

Cada um tem seu processo, mas, como é importante criar condições para sentir esse momento! As emoções precisam ser vividas! Monitore quais sente, com qual intensidade e como reage a elas.

Identifique quais imagens mentais e pensamentos tem aparecido. Perceba quais gatilhos de situações e locais geram mais ansiedade e crie estratégias de convivência ou de enfrentamento gradual para reduzir a sua dor.

Lembre-se de outros momentos difíceis que você superou: quais estratégias, forças e habilidades utilizou. Você já venceu e vencerá novamente. Mantenha suas atividades e relacionamentos. Não se inative nem se isole.

Capriche muito na higiene do sono, para garantir a reposição de energia. Inclua na sua rotina o relaxamento muscular e a respiração diafragmática, que ajudarão em momentos de crises.

Como você reage aos agentes estressores

Antes de enfrentar o problema, talvez você os veja grandes ou negativos demais. É possível que o pensamento esteja distorcido num primeiro momento.  Mas é necessário que você intervenha conscientemente para diagnosticar novamente, deixá-lo dentro da realidade. Assim você ajusta melhor as emoções e as ações seguintes.

Depois, revisite as suas forças, e são muitas.  Escolha quais vai usar nesse caso. Com quais armas você vai para a guerra?

Estando em crise, relembre os valores que você estabeleceu para sua vida.  Estão em você, são seus nortes, use-os.

Reveja também seus objetivos, realinhe as estratégias, planeje os modos de enfretamento e, por fim, vá à luta: é hora de agir com disciplina para reconquistar a estabilidade.

Pascoal Zani

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Pascoal Zani, CRP 08/04471, psicólogo
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