Para cada bairro, uma música: grupo curitibano apresenta faixas compostas para regiões da cidade

“Aquarela do Brasil”, “Garota de Ipanema”, “New York, New York”. Canções que têm em comum, além do fato de serem mundialmente conhecidas, homenagear em suas letras alguma localidade. Esse tipo de homenagem é bastante comum na música e não se resume apenas àquela feita com palavras. Notas, ritmos e melodias também podem ser usados para expressar memórias e atributos de um lugar, como atesta o projeto Regional Curitibano, pelo qual um grupo de músicos homenageia 12 bairros de Curitiba.
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Idealizado pelo músico João Egashira, diretor artístico da Orquestra à Base de Corda e integrante do Clube do Choro de Curitiba, formado em 2003, o projeto consiste na gravação de um CD com 12 composições instrumentais inéditas. Cada uma delas é dedicada a um dos dez bairros sede das Regionais administrativas da prefeitura: Bairro Novo, Boa Vista, Boqueirão, Cajuru, CIC, Fazendinha, Centro, Pinheirinho, Santa Felicidade e Tatuquara. Completam a relação o Portão, abrangido pela Regional Fazendinha, e o Prado Velho, onde está situado o Teatro do Paiol.
Segundo Egashira, a iniciativa surgiu do desejo de homenagear Curitiba através da música. Ele reuniu então quatro amigos e companheiros do Clube do Choro, que decidiram conduzir essa homenagem enfocando diferentes bairros. Julião Boêmio, Fabiano Silveira “Tiziu”, e Luis Rolim se dividiram nas composições, ganhando a companhia de Gabriel Schwartz na execução musical. “Cada compositor tem influências diversas, o que resultou em um trabalho abrangendo diferentes estilos musicais”, conta Egashira. Choro, baião, MPB, jazz e música erudita estão entre as composições do disco.
O idealizador do projeto é responsável por três composições: “Viva Cajuru”, “Paiol de Sons” e “Baião da Boa Vista”. Esta última música, de acordo com ele, foi feita com um carinho especial. “É o bairro onde me criei e passei grande parte da adolescência, então, ele tem um significado importante para mim”, conta. Da mesma maneira, “Paiol de Sons”, que representa o teatro e a região do Rebouças e Prado Velho. “O Paiol também é um lugar muito especial, por toda a história que tenho como músico naquele palco.”
Outros exemplos de composições são a “Valsa de Domingo” (Gabriel Schwartz), dedicada a Santa Felicidade; “Choro em Silêncio” (Fabiano Tiziu), dedicada ao Portão; e “Espetinho de Gato no Parque Cambuí” (Julião Boêmio), dedicada ao Fazendinha. E como transformar em música os sentimentos por esses bairros? “Eu penso em alguma situação relacionada ao lugar e procuro transformar em sons. Não é muito diferente da inspiração que surge no dia a dia, com situações do cotidiano”, explica Egashira.
Apresentações nos bairros
O álbum Regional Curitibano ainda está no forno, mas as composições já estão sendo apresentadas à população naquele que não poderia ser o palco mais adequado: os dez bairros homenageados. No início do mês começou uma série de apresentações que se dividem entre escolas e Ruas da Cidadania (veja o calendário no quadro a seguir). “É uma experiência riquíssima, pois temos a oportunidade de nos apresentar para um público que não está habituado a frequentar teatros”, diz Egashira.
Antes de cada apresentação, o músico ministra uma palestra intitulada “Chorando em Curitiba”, na qual fala sobre o movimento do choro na cidade, o Clube do Choro em Curitiba e suas composições, tema de sua dissertação de mestrado. O grupo também fala a respeito das composições, especialmente aquelas dedicadas ao bairro onde estão sendo apresentadas. “A gente percebe no momento que apresenta a música que existe uma questão de identidade, de costumes com a qual as pessoas se identificam”, observa.
Para encerrar o ciclo de apresentações, serão realizados dois shows em outubro. O primeiro no Teatro Paiol, no dia 16, e o segundo no Teatro Positivo, no dia 19. Ambos terão entrada franca e, na oportunidade, o público poderá adquirir o CD, ao custo de R$ 20. O Regional Curitibano foi desenvolvido através do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura, da Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura de Curitiba, com o incentivo do Grupo Positivo, Shopping Mueller e apoio da Saüí Cultural.
Nas apresentações o grupo se apresenta com a seguinte formação: Julião Boêmio (Cavaquinho), Fabiano Silveira, o Tiziu (violão 7 cordas), Luis Rolim (percussão e bateria), João Egashira (violão) e Cleiton Rodrigues (flauta) substituindo Gabriel Schwartz, que está em um período de estudos fora do país.
Confira a agenda completa de apresentações do grupo:
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