Cinema de horror: mostra reúne filmes-B do mundo todo em Curitiba

Curitiba vai se transformar na “República do Terror”. É o que diz Diana Moro, produtora geral da Grotesc-O-Vision, mostra de cinema de horror e grotesco, que começa na segunda (30), com uma ampla programação no Guairinha. A curadoria é do cineasta Paulo Biscaia Filho, o Vigor Mortis, um dos mais importantes realizadores de cinema da capital.
Entre os seis filmes de todo o mundo que são parte da programação da Grotesc-O está Virgin Cheerleaders in Chains (2016), dirigido por Biscaia e filmado parte nos Estados Unidos e parte em Curitiba. A estreia na América Latina acontece dentro da mostra no dia 1 de novembro (quarta). A história, um tanto metalinguística, mostra um grupo que tenta rodar um longa de baixo orçamento em um orfanato abandonado, mas encontra uma família sádica que reescreveu o roteiro. O texto é do americano Gary McClain Gannaway.
“Nos conhecemos em 2012, em um festival em Nova Orleans. Ele foi muito generoso em se lembrar de mim nessa lógica de usar o baixo orçamento como ferramenta de criatividade”, conta Paulo Biscaia. A experiência do brasileiro em filmes como Morgue Story: Sangue, Baiacu e Quadrinhos (2009) e Nervo Craniano Zero (2012) ajudou a tornar realidade as cenas, que Biscaia define como um “absurdo que descamba para o cômico”. O resultado, mais que apreciado pela plateia, ganhou prêmio: Melhor Longa Metragem no H2F2 (Horrorhound Film Festival), um dos principais prêmios internacionais do cinema de horror.
Os filmes de Biscaia, coproduzidos pela curitibana Moro Filmes, ganharam o Brasil inteiro e o mundo através da janela da TV paga: a lei que instituiu cotas nacionais nos canais por assinatura fez com que o grupo procurasse espaço em alguns deles. Conseguiu na TNT e no Space, e o sucesso levou os dois canais da Turner a procurar pelas produções com frequência. A parceria ganhou grande importância, e membros da equipe dos canais também estarão na Grotesc-O-Vision, para falar deste filão de mercado que se abriu.
Além das exibições de filmes, a programação inclui uma mostra de curta metragens de horror e, ainda, painéis temáticos. Um dos principais é com Rodrigo Aragão, diretor do ainda inédito Mata Negra, que preparou um trailer do filme e um vídeo de bastidores exclusivos para a Grotesc-O. O longa, sobre uma menina que tenta salvar a vida de seu grande amor com um livro de São Cipriano e libera um grande mal, foi o primeiro de Aragão financiado com o Fundo Setorial de Audiovisual, da Ancine, com orçamento de R$ 630 mil.
“Mata Negra vai ser a prova de que nos faltava só o orçamento para fazer um filme com padrão de qualidade internacional”, diz Rodrigo, que acredita que o “preconceito” de muitos distribuidores com os chamados “filmes de gênero” tende a cair com o sucesso das produções mais recentes. Visão compartilhada por Diana Moro, da Moro Filmes. “A Grotesc-O representa o primeiro passo dessas produções 100% de gênero com financiamento [do Fundo Setorial]”, comemora a produtora. Até então, a garra dos cineastas era a grande arrecadadora de recursos para os filmes.
Diana utiliza uma metáfora interessante para definir o nicho que se expande cada vez mais: “O mundo do cinema é uma autoestrada, com as Ferraris, que são potentes. Os filmes de terror estão numa pista alternativa, e são aquele Fusca que de repente fica tunado e dispara na frente dos outros”, diverte-se ela, que acredita que o terror é um reflexo do momento da sociedade – e que tem picos de sucesso em momentos de crise, como o atual.
A mostra principal recebe, além de Virgin Cheerleaders in Chains, os filmes Red Christmas (Austrália, 2016), Freak Out (Israel, 2015), Noite do Virgem (Espanha, 2016) e Replace (2017, Alemanha/Canadá).
Exibições alternativas
Quem não tem medo do escuro ou de assombração (ou tem, mas não se importa em enfrentá-lo) vai poder se deliciar com as Creepypastas, contações de histórias de terror que acontecerão no palco de um Guairinha apagado, com poucas lanternas acesas. “Vamos aproveitar essa mística de teatro assombrado que sempre existe”, relata Paulo Biscaia Filho. O nome das “exibições” veio do termo utilizado para histórias de terror encontradas internet afora.
Outra forma de aterrorizar a plateia é o que Biscaia chama de “nossa festa de Dia das Bruxas”: a exibição do filme Plan 9 From Outer Space (1959), do diretor de filmes-B Ed Wood (1924-1978), qualificado pelos críticos de sua época como “o pior diretor de todos os tempos”. Durante a sessão, atores da peça Acordei Cedo no Dia em que Morri, dirigida por Biscaia e que presta tributo a Wood, encenarão partes do longa. A mostra de curtas, por sua vez, exibe 17 filmes de curta duração nos três primeiros dias do Grotesc-O-Vision.
O mais importante, porém, é o preço: toda a programação é gratuita, exceto pelas duas oficinas (de História do Terror e Efeitos Especiais), ainda com inscrições abertas que podem ser feitas pelo evento oficial.
Confira abaixo a programação completa:
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