Funk toma espaço antes ocupado pelo sertanejo em Curitiba

Pode até soar curioso, mas o fato é que Curitiba se tornou nos últimos anos um dos destinos obrigatórios, entre as capitais brasileiras, para as estrelas do funk.
Não raro, em um fim de semana vários artistas, como Mc Kevinho e Mc Guimê, tomam um território que antes era dominado por outros ritmos. No começo de novembro chegou a ter Anitta em uma semana e Ludmilla no seguinte. Mesmo nos bares e baladas mais alternativas como o Paradis Club e James Bar, o momento do funk é inescapável.
Com este movimento fica uma pergunta no ar: o funk está tomando o lugar que até pouco era do sertanejo universitário e do pagode?
A coordenadora de marketing do grupo Shed, Fernanda Landal Baggio, diz que a demanda por atrações funk veio do público mais jovem, de perfil universitário que frequenta a casa. “Este tipo de público gosta mais do clima das noites em que há pelo menos um artista de funk, o movimento e a procura aumentam.”
A Shed vai receber na próxima quinta-feira (30) o show do Mc Livinho, uma das estrelas do gênero. O cantor é um dos nomes mais populares do funk atual. Seu clipe mais visto no YouTube, Cheia de marra, tem quase 250 milhões de visualizações. O mais recente, Cheguei para Te Amar, tem participação de Ivete Sangalo.
>>> Um bonde chamado Eletrofunk
Quem frequenta a Shed, a Woods, o Victoria Villa, o James Bar ou qualquer outra balada que toque o gênero sabe que a hora que começa o funk, o público se transforma. “O pessoal se solta mais mesmo. Na hora do funk acaba o estereótipo do curitibano fechado”, observa Fernanda Baggio.
Pioneiro da noite curitibana, o empresário Gilmar Berté, da Sistema X, assina embaixo. “É o som mais pedido e mais aguardado nas noites aqui da casa. Quando começa [o eletro funk] a coisa pega fogo”.
Outro fator que pode ajudar a explicar a invasão dos artistas do funk em Curitiba tem relação com o cachê. Mesmo os artistas mais famosos do funk custam menos que as duplas sertanejas de primeira linha. Os produtores não falam em valores, mas o funkeiro do momento custa menos da metade de uma dupla sertaneja de renome.
Eletro funk nasceu aqui
A afinidade entre Curitiba e o funk não é de hoje. Há na cidade, em especial nas casas de periferia, uma das maiores cenas funk entre as capitais brasileiras. Fenômeno forjado nas pistas curitibanas, o eletro funk é um subgênero que mistura a música eletrônica com o funk carioca, criado nos anos 1990 por nomes como o DJ Cleber Mix. Na última década surgiram nomes que alavancaram a cena, com destaque para a Mc Mayara que teve muitos milhões de visualizações de seus clipes.
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