Cinema

Filme sobre boxeador Eder Jofre, o 'Galo de Ouro', chega aos cinemas

·4 min de leitura·Estadão Conteúdo
Filme sobre boxeador Eder Jofre, o 'Galo de Ouro', chega aos cinemas

Eder Jofre parou de lutar em 1976, mas o mundo do boxe jamais esqueceu seus feitos em cima do ringue. Em 1992, seu nome foi incluído já na quarta edição do Hall da Fama, em Nova York. A revista The Ring, a publicação mais importante da modalidade, classificou o brasileiro como o nono melhor pugilista entre todas as categorias em 1995. O Conselho Mundial de Boxe, órgão internacional de maior prestígio, estampa desde 2014 o rosto do boxeador no cinturão de campeão peso-galo.

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Todo este reconhecimento foi obtido por intermédio das "aulas" que Eder proporcionou em suas 81 lutas como profissional. O "Galo de Ouro" – apelido dado pelo escritor Benedito Rui Barbosa, na década de 60 – tinha um estilo único. Todos os golpes eram aplicados com maestria. O caminhar no ringue era impecável e a resistência ao ataque adversário, incomum. Suas atuações o tornaram ídolo de Mike Tyson. "Quando me perguntam sobre o Brasil, logo lembro de Eder Jofre. Eu vi muitas de suas lutas em filmes que tinha na casa de Cus D’Amato (primeiro treinador). Sempre admirei muito o seu estilo de luta. Muito agressivo e golpes fortes e perfeitos na linha de cintura", afirma o mais jovem campeão dos pesos pesados.

Eder Jofre em 2015, em visita a São José dos Pinhais. Foto: Hugo Harada / Gazeta do Povo.


O filme 10 Segundos para Vencer estreia nesta quinta, 27, em salas de todo o Brasil. Não está sendo, em números, um ano muito bom para o cinema brasileiro. Mesmo blockbusters anunciados, como O Candidato Honesto 2, de Roberto Santucci, com Leandro Hassum, foram muito mal de público. O filme 'do Eder' estreia com a chancela da Globo Filmes. É bom, bem dirigido, elenco espetacular – não apenas Daniel de Oliveira, mas também Osmar Prado, que faz seu pai, Kid Jofre, está irretocável. Prado venceu o Kikito de melhor ator em Gramado, e o filme somou mais um prêmio de interpretação – melhor coadjuvante para Ricardo Gelli.

O roteiro é original. "Não partimos de um livro, uma reportagem. Mas é claro que tivemos referências. O (Ugo) Giorgetti tem um documentário maravilhoso sobre o Eder, Quebrando a Cara. E o próprio Eder colecionou muito material, gravações de TV. Ele sempre foi um cara comunicativo, popular. A mídia da época o adorava. Uma luta do Eder faturava como show. E ele tinha uma força, um apelo popular muito forte. Então, era importante que isso estivesse no filme. De cara pintou que o conflito principal devia ser do Eder com o pai. O sonho de ser um grande pugilista era do Kid ou do próprio Eder? Tudo isso foi alimentando nosso roteiro. Mesmo quando conta uma história real você fantasia. Pode ser por necessidade dramática. O que não dá é para trair a história que você está querendo contar, nem o personagem."

E Alvarenga Jr. conta – "A gente sabia que não tinha orçamento para reconstituir as cinco lutas principais do Eder. Só a luta dele com o (Joe) Medel nos EUA exigiu uma preparação insana. Foram sete meses de computação gráfica para criar aquela arena, com público de 50 mil pessoas. Foi tudo no chrome. Nada existia de verdade. Sabendo disso, resolvemos concentrar. Duas, três lutas reconstituídas com todo cuidado e precisão. E no resto utilizamos material de época. Eder era tão pop que as lutas dele eram material importante para o Atualidades Atlântida, então sabíamos que era um material muito rico, com o qual podíamos contar. Naquele tempo, as lutas não eram ao vivo, exceto no rádio. Recuperamos esse material e dá uma autenticidade muito grande.

Eram outros tempos, e o filme está preocupado em dar conta de que Brasil era aquele." Existe, principalmente no cinema norte-americano – de Hollywood -, uma tradição muito rica de filmes de boxe. Alvarenga Jr. admite – "Gosto de cinema, de ver filmes. Tornei-me diretor por admiração a cineastas seminais. Meus ídolos fizeram grandes filmes de boxe. Estou falando desde o Punhos de Campeão (de Robert Wise, 1949) até o Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980). Esse último eu estudei, dissequei, durante muito tempo na minha vida."

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