Filme que se passa na Argentina é gravado na região de Curitiba; veja fotos

A cena se passa numa pequena cidade do lado argentino da tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai). Um policial da capital Buenos Aires (o ator uruguaio Roberto Birindelli) chega à cidadezinha para investigar um crime. O forasteiro é recebido com desconfiança pelo veterano chefe da polícia local (o argentino Daniel Valenzuela, de Plata Quemada).
Como no cinema tudo é fantasia, a cena foi filmada na última sexta-feira (27 de julho) numa estrada na zona rural de Tijucas do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Trata-se de uma das cenas chave do roteiro do filme Águas Selvagens, uma coprodução Brasil e Argentina que montou seu quartel-general na cidade serrana, a 40 quilômetros de Curitiba.
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Dirigido pelo cineasta argentino Roly Santos (de boné, na foto acima), Águas Selvagens é um filme noir, aquele subgênero dos filmes policiais cheios de personagens assombrados pela culpa de algum crime atroz, em que nada na verdade é o que parece ser.
Segundo o diretor, a cena filmada durante o eclipse lunar da última sexta-feira (27) introduz, a um só tempo, dois personagens centrais do roteiro e o território da ação. A outra personagem principal do filme é vivida pela atriz Maiana Neiva (do Para Minha Amada Morta e da novela O Outro Lado do Paraíso).
“Há um enfrentamento que em geral acontece quando chega um forasteiro. Parece que quem vem de uma cidade maior, parece saber mais coisas do que as pessoas que moram no local. O local se sente invadido por aquele que vem da cidade grande. Ao mesmo tempo, a floresta via invadindo o personagem urbano. A coisa não será muito cômoda ao final”, explica o diretor.
Araucárias e terra vermelha
O filme é produzido pela Laz Audiovisual, empresa dos produtores paranaenses Rubens Gennaro e Virginia Moraes – que já filmaram longas importantes no Paraná, como Cafundó (2005), dirigido por Paulo Betti, e Oriundi (2000), com Anthony Quinn. Pelo lado argentino, a produção é da Cooperativa Romana Audiovisual, de Buenos Aires.
Gennaro conta que optou por filmar a maior parte das cenas em Curitiba, – e não em Foz ou na região da fronteira – pois a locação apresenta uma “geografia muito parecida com condições de trabalho melhores e custos menores”.
“Nesta parte do Paraná, nasce o rio Iguaçu. Ele fica quase na mesma latitude de Foz e tem uma vegetação e geografia parecidas; com as araucárias e toda a exuberância da natureza”, disse.
“Cinema é assim: se o diretor sentiu falta da terra vermelha, não tem problema, a gente mandou trazer e espalhar por tudo”, disse Genaro no estúdio montado no Hotel La Dolce Vita, a beira de um lago e todo dedicado ao gênio do cinema italiano Federico Fellini.
A equipe técnica do filme é composta por atores brasileiros, argentinos e uruguaios. As filmagens – que também serão feiras na região da fronteira e em Buenos Aires – têm duração de um mês, estendendo-se até 15 de agosto. A previsão de lançamento comercial é para 2020.
O filme é todo falado em espanhol e visa pegar um mercado que vai do “México ao estreito de Magalhães (no extremo sul argentino) ”. “Nossa produção precisa olhar mais para o cinema do Mercosul, seguir o fluxo do rio Iguaçu e navegar no sentido da integração com as outras culturas do continente ”, filosofa Gennaro.
Roteiro premiado em Cannes
O projeto de Águas Selvagens foi premiado pelo festival de Cannes, pelo projeto “Janela de Sangue” que contempla produções do gênero noir. Para o protagonista Birindelli, o cenário da serra do mar é bonito e enriquece o filme, mas o diferencial do projeto é o roteiro. A história de Águas Selvagens foi adaptada do romance “El Muertito”, do autor, roteirista e diretor argentino Oscar Tabernise, que também assina o roteiro.
“No cinema, o cenário pode ser deslumbrante, o figurino pode ser sofisticado e o casal de atores pode ser lindo. Mas tudo só é lindo durante cinco minutos, depois vira paisagem. O que faz a diferença é o roteiro e este filme tem uma narrativa muito rica”.
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