Filme que conta a história do Plano Real estreia nos cinemas

Para o cineasta carioca Rodrigo Bittencourt nada é tão rock’n’roll quanto a agitação que envolveu a equipe de economistas liderada pelo ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, durante os dias da implantação do Plano Real no Brasil.
Assim, seu filme “Real – O Plano por trás da história” que estreou nos cinemas na quinta-feira (25) – é o “primeiro thriller político” filmado no Brasil e abre caminhos para uma nova fase do cinema nacional. “Podemos construir não só filmes de comédia, mas também filmes sobre nossa história e isso é empolgante”, disse ele em entrevista exclusiva ao Guia Gazeta do Povo. Por enquanto o filme o filme ainda não está em exibição em Curitiba. Mas deve estrear em breve.
O roteiro do filme é baseado no livro 3000 dias no bunker, do jornalista Guilherme Fiúza, que também escreveu “Meu Nome Não é Johnny”, outra publicação adaptada para os cinemas.
O filme relata em detalhes os bastidores do nascimento do Plano Real, usando a figura de Franco como eixo central do roteiro. O ex-presidente do Banco Central é interpretado pelo ator Emílio Orciollo Netto. "A pressão sobre as pessoas que estavam ali dentro de um bunker tentando resolver uma das piores crises do país era imensa. A figura de Franco, muito jovem, no meio daquele turbilhão é muito rock'n'roll”, disse Bittencourt.
Para o diretor, o maior desafio de quem trabalhou no Plano Real foi bancar uma ideia genial no meio de políticos que só estavam interessados no que iriam ganhar ou perder com ela. “Eles peitaram a direita e peitaram a esquerda pra colocar o plano em vigor”.
No ritmo da hiperinflação
Para filmar uma história que se passou mais de duas décadas atrás, Rodrigo teve que atrair pelo menos duas gerações de brasileiros que não conviveram com a hiperinflação. Era comum, em tempos de inflação alta, que os supermercados remarcassem os preços dos produtos até três vezes por dia: de manhã, de tarde e de noite.
Segundo ele, o filme tem essa pulsão e ritmo baseado na máquina de remarcação de preço usada no período de hiperinflação. “Usei essa metáfora no filme inteiro. Pra criar a interpretação para os atores, o tom da trilha sonora e do som, e da movimentação das câmeras”. Para o diretor, o período retratado no filme serve como uma lição para os tempos atuais. “Somos um povo inteligente, capaz de criar ideias geniais e colocar elas em prática resolvendo problemas graves e criando soluções interessantes sem que isso seja moldado pra um lado ou para o outro, e sim para o bem de todos. A segunda lição é que não somos vira-latas”, diz.
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