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Festival Ruído EnCena te convida a experimentar a arte em diferentes linguagens

·8 min de leitura·Da redação
Festival Ruído EnCena te convida a experimentar a arte em diferentes linguagens

Reunir grupos que apresentem obras de diferentes linguagens, como dança, teatro, música, oficinas, encontros, performances e discussões. Esse é o objetivo do Festival Ruído EnCena, que começou no último dia 20 de setembro e vai até dia 30. Com o tema “Precisamos falar sobre o que nos passa”, o festival tem como objetivo jogar luz sobre a representatividade, e diferentes estilos de vida, de corpos e existências.

“Nossa ideia ao escolher as obras que seriam apresentadas nesta primeira edição foi justamente o de escolher várias coisas de fora e que provavelmente não seriam vistas por aqui de outra forma”, explica um dos curadores do festival, Daniel Valenzuela. A escolha das atrações ficou a cargo tanto dele quanto de Gabriel Machado e Leo Moita. Há espetáculos e artistas vindo de vários lugares do Brasil, como Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Santa Catarina, e até do exterior.

A ideia é que, a partir de agora, o festival seja realizado por aqui todos os anos, “Até agora, nos primeiros espetáculos, tivemos casa cheia e uma repercussão muito positiva”, finaliza. Dentre as atrações da extensa programação do evento, Valenzuela destaca os shows de Linn da Quebrada e o encontro entre as bandas Mulamba e Verónica Decide Morrer – a primeira, curitibana, a segunda, do Ceará.

Dia 25 de setembro

18h, Companhia Brasileira de Teatro: O que quer dizer independência?

Encontro

As divisões institucionais vigoram separando signos, compartimentando exercícios e comportamentos que frequentemente se cruzam, se sobrepõem ou se fundem. Interessa-nos pensar as possibilidades de um modo de produção independente, entendendo-o como um polo a partir do qual são possíveis inúmeras vivências. "O que quer dizer independência?" é um espaço para discutirmos práticas, discursos e pensamentos independentes, investigando o que isso pode significar em experiências individuais e coletivas, em diferentes contextos, ações e circunstâncias. Entrada franca.

 

20h, Teatro Zé Maria: Linn da Quebrada + Janine Mathias, Roseane Santos e Simone Magalhães

O Curto Circuito propõe um encontro entre diferentes artistas da cena musical brasileira. Uma conexão de alta resistência, um caldeirão de ruídos e riscos.

Linn da Quebrada | Se define como “bixa, trans, preta e periférica”. Cantora, dançarina e performer, encontrou na música uma poderosa arma na luta pela quebra de paradigmas sexuais, de gênero e corpo. Em 2016, lançou os singles “Talento” e “Enviadescer” e em 2017, “Bixa Preta”. Nos shows, Linn da Quebrada é acompanhada pela cantora e persona Jup do Bairro, o percussionista Valentino Valentino e pelo DJ Pininga.

Simone Magalhães é atriz, cantora e compositora. Integra o Coletivo Selvática Ações Artísticas e desde 2014 realiza o show musical "Por que não tem paquita preta?", tendo sido destaque de público e crítica especializada.

Roseane Santos é artista, cantora e atua na cena musical curitibana desde 2003 com trabalho voltado para a música brasileira com pesquisa no samba, na música vocal e na cultura popular.

Janine Mathias é cantora e compositora. Cria de sambista, sua cadência musical no RAP é nítida. Está em fase de produção do vídeoclipe “Pérola Negra” e do novo disco “Dendê”.

Entrada custa R$ 20.

 

Dia 26 de setembro

18h, Companhia Brasileira de Teatro: Mulher, arte, margem: quais discursos, quais espaços?

Encontro

Considerar as geografias das cidades e toda a pluralidade de sujeitos que nelas habitam permite que nossas relações com os possíveis espaços se deem em criações de discursos e posicionamentos visando empoderamentos e visibilidades que são tensionamentos de uma ideia de centralidade hegemônica fracassada. Repensar corpos, lugares e a criação artística a partir da experiência de vida na esfera pública, em suas constantes transformações e diferenciações é o convite que fazemos em "Mulher, arte, margem: quais discursos, quais espaços?". Entrada franca.

 

20h, Teatro Zé Maria: Cuidado! Frágil (Juliana Adur)

Dança

Em algum lugar eu me perdi. Perdi meu centro em algum lugar. Perdi minhas costas, perdi meus pulmões, minha força nas pernas, minha autoestima, minha vaidade, meu sono, meu tempo. Um solo de 2007 dançado 10 anos depois, para me lembrar que fragilidades existem sempre. Quando me tornei mãe descobri o fracasso, a queda cotidiana, a exaustão dos sentidos. Mas não é só sobre isso, é também. É sobre um corpo degringolado e inseguro. É sobre cair e levantar. Sobre sentir muito medo. Sobre atualizar. É sobre a vida, enfim. E a morte. Juntar os cacos. Continuar.

Juliana Adur é criadora e coordenadora do núcleo de pesquisa em dança IMP – Investigação do Movimento Particular desde 2007. É assistente de direção e bailarina-criadora da desCompanhia de dança e diretora de movimento da Súbita Cia de Teatro. Concluiu a Formação Intensiva Acompanhada do c.e.m – centro em movimento (Lisboa / PT). Entrada R$ 20.

 

21h às 0h, Casa Selvática: Residência Bacurinhas Selváticas

O objetivo da residência é passar por diversas possibilidades de investigação teatral- performática que são características do processo criativo do espetáculo Calor na Bacurinha – criação de paródias, escritas de manifestos, construção de imagens corporais, coreografias, performance, mascaramento com objetos, trabalho energértico de animais, apropriação da ideia de ritual, nudez culminando em forma de teatro festa manisfestação.

As Bacurinhas é um coletivo de artistas mulheres de Belo Horizonte que inicialmente se reuniu para a criação do manifesto artístico performático "Calor na Bacurinha". Desde então, vem trabalhando incessantemente em novos experimentos artísticos. Este bando (maneira como se intitulam) tem como missão primordial a organização e proposição de levantes artísticos (liderados por mulheres) que tenham como modo de produção os pensamentos feministas, suas políticas e éticas. Entrada franca.

 

Dia 27 de setembro

13h às 17h, Casa Selvática: Residência Bacurinhas Selváticas

18h, Companhia Brasileira de Teatro: O que pode o (meu) corpo?

Encontro

Se é certo que a efemeridade que pode caracterizar as criações das artes presenciais é uma questão metodológica fundamental, para algumas investigações é igualmente crucial as discussões envolvendo a continuidade de uma pesquisa que, por vezes, borra a separação entre arte e vida. "O que pode o (meu) corpo?" é para que pensemos juntos sobre as possibilidades de criação e re-criação de imagens e discursos que se relacionam diretamente com a vivência do corpo em exposição, o seu transitar no mundo, em processos que podem ter contribuições de outros colaboradores, próximos ou não de contextos artísticos. Entrada franca.

 

20h, Teatro Zé Maria: Sobre letras e gritos para salvar o mundo, uma homenagem à Jardelina da Silva (Tou Teatro)

Teatro

Espetáculo solo da atriz Camila Fontes que trata de um encontro com as vozes e imagens de Jardelina da Silva, sergipana, brasileira, figura muito conhecida nas ruas da cidade de Bela Vista do Paraíso, interior do Paraná. Conselheira, poeta, gritona, Jardelina tinha o dom das vozes proféticas, o dom de vesti-las. Passava da escuta das vozes à costura, da costura ao discurso gritado pelas ruas e, por fim, concluía seu ato com a fotografia. “Sobre letras e gritos…” é uma homenagem que busca vestir alguns dos retratos, objetos e palavras de Jarda, como era carinhosamente chamada.

O TOU Teatro, fundado em 1999 pelas atrizes Camila Fontes e Carla Diacov, tem como característica a experimentação constante de linguagens e poéticas teatrais, com foco no trabalho, presença e dramaturgia do ator e da cena. O grupo agrega pessoas e trabalhos com foco na pesquisa teatral e na valorização do processo criativo. Entrada R$ 20.

 

Dia 28 de setembro

13h às 17h, Casa Selvática: Residência Bacurinhas Selváticas

18h, Companhia Brasileira de Teatro: Espaços contextuais temporários: quais narrativas para quais potências?

Encontro

Idealizar, conceituar, curar, produzir, organizar, programar um evento, um espaço, um contexto. "Espaços contextuais temporários: quais narrativas para quais potências?" é para conversarmos sobre os desafios existentes em criar conexões, produzir lugares temporários de fruição, discussão e visibilidade para questões e formas éticas e estéticas da relação da arte com o mundo. Interessa-nos refletir sobre quais narrativas são possíveis de serem articuladas atualmente e o modo como a reunião de criações artísticas pode se inscrever na esfera pública de convivência, alterando ou não as paisagens sensíveis e permitindo outras construções de sentido no trânsito entre artistas e espectadores. Entrada franca.

 

20h, Teatro Zé Maria: Peso Bruto (Jussara Belchior)

Dança

Peso Bruto é o trabalho solo da bailarina gorda Jussara Belchior, que parte do estranhamento causado pelo corpo gordo na dança. É uma dança de resistência que questiona os padrões de beleza e comportamento na tensão entre formato e embalagem, aparência e conteúdo. Uma dança que explora a materialidade do próprio corpo como caminho de empoderamento, que questiona as noções da gorda como subjetividade que opera um corpo errado, inadequado, não permitido, não belo e não desejável. Uma dança que articula diálogos entre o peso, o desejo, o apetite e a beleza, colocando em contraposição o controle e a brutalidade.

Jussara Belchior é artista da dança. É Mestra pelo PPGT – UDESC, com pesquisa sobre estratégias de vitalidade na repetição de obras coreográficas. Integra o grupo Cena 11 desde 2007. Estuda-pratica dança desde os seis anos de idade. Interessa-se por poéticas do movimento como caminhos de empoderamento. Entrada R$ 20.

 

Dia 29 de setembro

13h às 17h, Casa Selvática: Residência Bacurinhas Selváticas

20h, Teatro Zé Maria: Verónica Decide Morrer + Mulamba

Música

O Curto Circuito propõe um encontro entre diferentes artistas da cena musical brasileira. Uma conexão de alta resistência, um caldeirão de ruídos e riscos.

A banda cearense radicada em São Paulo, Verónica Decide Morrer, apresenta o show de seu primeiro álbum de músicas autorais. O grupo é formado pelos vocalistas Verónica Valenttino e Jonaz Sampaio, pelo guitarrista Léo BreedLove e a baterista Vladya Mendes. A sonoridade é influenciada pela cena Post-Punk e New Wave de New York e pelas ruas e esquinas de Fortaleza. Letras fortes e empoderadas relatam o dia a dia e os sentimentos de uma transexual.

Mulamba representa um grito de vozes silenciadas. Desconstrução e letras impactantes marcam o trabalho da banda curitibana, que traduz suas mensagens por meio de uma linguagem poética e performances potentes. O sexteto, que ficou conhecido por músicas como “P.U.T.A” e “Mulamba”, aborda temas contundentes e reforça o protagonismo feminino na música nacional. Mulamba é composta por Amanda Pacífico (voz), Cacau de Sá (voz), Caro Pisco (bateria), Fer Koppe (violoncelo), Naíra Debértolis (baixo) e Nat Fragoso (guitarra). Entrada: R$ 20.

 

Dia 30 de setembro

22h, Festa de Encerramento: 351

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