Cinema

Estreias da Semana: três diretoras para três grandes filmes

·3 min de leitura·Sandro Moser
Estreias da Semana: três diretoras para três grandes filmes

Três diretoras com perfis e histórias muito diferentes assinam três aguardadas estreias do cinema nesta semana. Suas mãos competentes conseguem abordar questões de gênero importantes ao mesmo tempo em que fazem muito bom cinema.

"Paris Pode Esperar"

A comédia “Paris Pode Esperar”, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29), é a primeiro filme de ficção dirigido por Eleanor Coppola. Aos 81 anos, esposa de Francis Ford e mãe de Sofia Coppola, criou um road movie divertido com um “quê” de roteiro de viagem com tudo o que há de melhor para desfrutar no sul da França. Paisagens estonteantes, jantares simples e espetaculares, os melhores vinhos, arte e arquitetura são a matéria prima para "mamma Coppola" montar sua comédia romântica.  

Na trama, Anne (Diane Lane) é uma mulher de meia-idade, casada com um famoso produtor de cinema Michael (Alec Baldwin). Sempre atolado em compromissos, ele vive para o trabalho e deixa a relação com a esposa em segundo plano.

O casal em crise está na França quando uma sucessão de eventos cria a seguinte circunstância: Anne precisa ir até Paris e um dos sócios de seu marido, Jacques, se oferece para levá-la de carro. Se no início, Anne viaja a contragosto ela vai se deixando aos poucos encantar as belezas e o jeito descolado de quem vive e circula naquela região.

Esta é a base roteiro dirigido por Eleanor que, em certo sentido, lembra o argumento de “Encontros e Desencontros” de sua filha Sofia. Nas mãos de Eleanor, “Paris Pode Esperar” virou um filme leve, descomplicado e ensolarado.

Ainda que seja seu primeiro filme de ficção, Eleanor sempre foi um dos pilares de um dos maiores clãs do cinema. Em 1991, ela dirigiu o documentário "Apocalipse de um Cineasta" que mostra os bastidores das conturbadas gravações de Apocalypse Now, filmado por seu marido entre 1978 e 1979.

"A Mulher do Pai"

Muito mais denso e pesado é o drama “Mulher do Pai”, o filme mais premiado no último filme mais premiado do último Festival de Cinema do Rio.   

O filme levou os troféus de Melhor Direção para a gaúcha Cristiane Oliveira, em seu primeiro longa-metragem, Melhor Fotografia e Melhor Atriz Coadjuvante para a uruguaia Verónica Perrota. Também ganhou prêmios da crítica no Festival do Uruguai e na Mostra de São Paulo, e foi selecionado para o Festival de Berlim deste ano.

Filmado na fronteira do Brasil com o Uruguai, o longa mostra como uma jovem adolescente (a estreante Maria Galant) que está precisa lidar com a morte da avó, algo que a obriga a cuidar do pai que é cego (Marat Descartes). A chegada de uma mulher uruguaia (Verónica Perrota) transtorna a cabeça de ambos. 

O filme é um olhar delicado sobre o despertar sexual na juventude e também tem exuberantes paisagens no interior gaúcho e uruguaio.

"Divinas Divas"

Mas em matéria de exuberância nada se compara ao documentário “Divinas Divas”, o documentário da atriz Leandra Leal sobre a primeira geração de artistas travestis do tetrao brasileiro.

O filme traz muito da memória afetiva da diretora, que é herdeira do Teatro Rival, no centro do Rio de Janeiro. Durante a ditadura militar (1964-1985), o teatro criado por seu avô Américo Leal foi um dos principais espaços para espetáculos de artistas como Brigitte de Búzios, Camille K, Divina Valéria, Eloína dos Leopardos, Fujika de Halliday, Jane Di Castro, Marquesa e Rogéria que tem a carreira retratada no filme.

Nos anos 1990, o Rival passou a ser administrado pela mãe de Leandra, a também atriz Angela Leal, que manteve o teatro aberto à diversidade.

No documentário as “Divinas Divas” contam as alegrias e as durezas de suas longas carreiras no showbiz brasileiro. Histórias curiosas, romances, censuras, violência e preconceito são os temas de um filme conduzido com leveza pela diretora e muito bom humor por suas protagonistas.

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